Paixão por orquídeas

Natália Mazzoni - O Estado de S. Paulo

Colecionadores se dedicam ao estudo das características da planta e festejam cada florada anual

Zygopetalum híbrido, da coleção de Creusa Müller. Suas flores duram até 20 dias. Na natureza, cresce em florestas úmidas e sombias

Zygopetalum híbrido, da coleção de Creusa Müller. Suas flores duram até 20 dias. Na natureza, cresce em florestas úmidas e sombias Foto: Zeca Wittner/Estadão

Elas são especiais. Nada mais bonito do que receber flores que podem durar gerações. É uma planta que exige muitos cuidados, mas retribui esse carinho quando floresce. Converse com um orquidófilo e você vai ouvir essas e outras declarações apaixonadas por orquídeas. São 35 mil espécies das mais variadas formas e cores espalhadas por todo o mundo. Quem coleciona, está sempre em busca de um exemplar mais exótico do que os que já tem. “São muitas e isso nos faz querer conhecer o maior número possível delas. É uma delícia encontrar aquela que você procurava”, diz Sergio Oyama, biólogo e orquidófilo que comanda o blog Orquídeas no Apê.

A história de Oyama e as orquídeas começou quando ele comprou seu primeiro exemplar de phalaenopsis, um dos tipos mais comuns de orquídea. Enquanto estava em busca de informações de como cultivá-la, decidiu compartilhar o que descobria em um blog.Mas, quando se trata de orquídeas, o estudo pode se estender por anos ou até mesmo por uma vida inteira. “Já são cinco anos escrevendo sobre o assunto e me aprofundando no tema. Não tinha pretensão de ensinar nada, mas as pessoas passaram a me escrever fazendo muitas perguntas, até que o blog passou a ser o que é hoje”, conta Oyama, que cultiva dezenas de orquídeas na varanda de seu apartamento.

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A orquidófila e porta-voz da Associação Orquidófila de São Paulo (Aosp), Rosemari Kariki, conta que a internet é uma das grandes responsáveis por espalhar a beleza dessas flores. “Antigamente a informação era restrita, ficava guardada com os mais velhos e se perdia com eles. A internet espalhou o assunto e as orquídeas chegaram a pessoas jovens”, afirma. Sobre o perfil de quem coleciona as espécies, Rosemari é enfática. “São pessoas pacientes. É uma devoção que vai ser coroada uma vez ao ano, quando vierem as flores.”

Tanta dedicação é regra para quem busca exibir uma bela coleção. “São muitas espécies, e cada uma delas é única, precisa de cuidados específicos. Se você quer cuidar da forma correta e ter uma orquídea bela em sua real essência, procure saber sua origem e tente reproduzir o clima da região de onde ela é nativa. Sim, é algo complexo, mas essas flores são fora do comum e seu cuidado deve ser assim também”, diz Creusa Müller, que há 12 anos está à frente de seu próprio orquidário, o Orquidário da Mata.

Em busca de conhecer novas espécies Creusa já foi até para Tóquio. Em sua grande coleção, há alguns tipos raros, como a Maxillaria madida, e outros que estão com ela há mais de 20 anos. E livros, muitos livros, em diversas línguas, só sobre o assunto. “Desde que você se dedique e, acima de tudo, busque informação, a orquídea é uma planta eterna, pode ficar em sua família por gerações. Eu as amo, que sejam eternas enquanto durem.”

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Segredos de colecionadores

Quem cultiva orquídeas há anos tem os seus segredos e também suas manias. Creusa Müller, por exemplo, sempre que compra uma planta faz questão de replantá-la em outro vaso, com novo substrato. “Prefiro ter certeza de que a orquídea está bem plantada, com a matéria em que confio. Só não faço isso imediatamente se ela estiver em período de floração”, conta a orquidófila. Em seu material de trabalho, entra até escova de dentes. “As de cerdas macias são perfeitas para remover tecidos mortos do caule, que podem causar danos às plantas”, aconselha. Para que não exista risco de contaminação de uma planta para outra, o maçarico para esterilizar tesoura está sempre à mão. 

O segredo de Sergio Oyama está na observação diária das espécies que cultiva, assim, logo percebe se há algo errado. “Não costumo falar com as plantas. Mas elas, com certeza, falam comigo.”

A Arpophyllum Giganteum estará na 95ª Exposição da Associação Orquidófila de São Paulo

A Arpophyllum Giganteum estará na 95ª Exposição da Associação Orquidófila de São Paulo Foto: Divulgação

Exposição reúne 1.500 plantas

A 95ª edição da Exposição de Orquídeas da Associação Orquidófila de São Paulo acontece de sexta-feira a domingo no Parque do Lago Francisco Rizzo, em Embu das Artes (Rua Alberto Giosa, 390). O evento vai<CO> destacar as plantas do gênero Dendrobium, originárias do sudeste asiático e de fácil cultivo, e as Cattleyas, disponíveis nas mais diferentes formas e cores. Além da exposição de 1.500 plantas de colecionadores, haverá venda de livros, adubos, substratos, vasos, mudas e plantas adultas, que custam a partir de R$ 10. O evento oferece curso gratuito de cultivo para iniciantes todos os dias às 10h, às 14h e às 16h. Das 9h às 19h, entrada gratuita.

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Confira nosso bate-papo com o orquidófilo Sergio Oyama: