Jovens arquitetos discutem o morar contemporâneo em São Paulo

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Novas Geometrias Urbanas, mostra em cartaz na loja-galeria paulistana Acierno, apresenta oitos ambientes desenvolvidos por arquitetos com menos de 30 anos

O espaço de Rafael Zalc e Mona Singal criado para um morador que viaja o mundo, dentro e fora de casa

O espaço de Rafael Zalc e Mona Singal criado para um morador que viaja o mundo, dentro e fora de casa Foto: Zeca Wittner/Estadão

O empresário italiano Carlos Acierno, proprietário da loja-galeria que leva o nome de sua família, em Pinheiros, está com o sono atrasado há pelo menos uma semana. Tudo para concluir a tempo – e a contento – a mostra Novas Geometrias Urbanas, sob curadoria do jornalista Allex Colontonio, que será aberta na quarta-feira e fica em cartaz até 20 de agosto 

Trata-se da estreia de Acierno no comando de uma mostra de design e decoração. E também no DW! São Paulo. “Fiquei muito satisfeito. Não só com o resultado, mas com todo o processo. O clima foi de absoluta colaboração. Entre os jovens arquitetos, naturalmente, mas também entre nós e outras empresas. Tem até peças de nossos concorrentes que hospedamos com prazer”, afirma.

“São Paulo é uma cidade múltipla, de muitos tipos. Foi pensando neles que inventei com Carlo um personagem para habitar cada ambiente e entreguei a tarefa de executá-lo a um arquiteto”, conta Colontonio. Para ilustrar, o morador de cada espaço foi desenhado em quadrinhos pelo artista plástico Paulo Sayeg.

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Eric Ennser, Erica Giacomelli, Hugo Sigaud, João Martins, estúdio Kwartet (Bruno Batistela, Iraima Castro e Melina Moraes), Nildo José, Pedro Bazani e a dupla Rafael Zalc e Mona Singal formam o time de profissionais convidados. Todos com menos de 30 anos e empenhados em oferecer aos visitantes uma reflexão sobre o morar contemporâneo na cidade.

“Vivemos cada vez mais isolados em nossos casulos e, como consequência, o convívio e a interação se tornaram muito limitados. Por isso, apesar de reduzido, meu espaço se resume a uma única estrutura, que funciona como uma espinha dorsal em torno da qual toda a casa, do quarto ao espaço de refeições, se desdobra e acontece”, conta Bazani.

Menos pragmático, Nildo José, autor do Living Voador, resolveu contar uma história diferente. “Minha proposta não era fazer um ambiente apenas arquitetônico, mas também com forte apelo artístico. Queria sair da mesmice e apresentar algo novo. De certa forma, acredito que esse espaço surgiu em contraponto ao meu projeto apresentado na Casa Cor”, considera.

Inspirado pelo tema da mostra, João Martins escolheu o triângulo, considerado a forma perfeita, para expressar a personalidade de sua personagem: uma cantora amputada. “Procurei trabalhar os elementos geométricos para sugerir movimento, dinamismo. Uma condição que ela pode muito bem viver em seu cotidiano”, conta.

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Também estreante em uma mostra do gênero, o paulistano Hugo Sigaud recebeu dos organizadores a missão de conceber um espaço para palestras que durante a semana de design vão acontecer por lá. “Meu objetivo foi acomodar o maior número de pessoas da forma mais descontraída possível. Tem todo tipo de assentos, de bancos a tapetes. Incluindo rolos de mangueira.”

A liberdade de morar em qualquer cidade do mundo, a qualquer momento, foi o fio condutor do ambiente proposto por Rafael Zalc e Mona Singal. Uma diversidade cultural expressa por janelas que enquadram as mais variadas paisagens. Mas também pela realidade virtual, presente no espaço, que possibilita ao morador se enxergar dentro de diferentes casas no mundo. “É mais uma janela que se abre”, resume Zalc.

Zeca Wittner/Estadão
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