Nestes projetos, a cabeceira é o que dita o estilo do quarto

Natália Mazzoni - O Estado de S.Paulo

Mais que um detalhe, a peça acrescenta conforto e garante personalidade

Na casa do arquiteto Tito Ficarelli, a antiga porta virou cabeceira para a cama

Na casa do arquiteto Tito Ficarelli, a antiga porta virou cabeceira para a cama Foto: Zeca Wittner/Estadão

No quarto do arquiteto Tito Ficarelli, do escritório Arkitito, uma velha porta de madeira que iria para o lixo é usada como cabeceira. A madeira, com acabamento bruto, caiu bem no ambiente com blocos de construção aparente e cores vibrantes nos acessórios. “É legal brincar com essa peça se você tem uma cama tipo box. A cabeceira não tem altura obrigatória, qualquer peça pode funcionar”, diz ele. No quarto de Ficarelli, a cabeceira não é presa na parede, fica apenas encostada, levemente inclinada, estratégia usada para que fique mais confortável encostar ao se sentar na cama. “Isso serve também para esconder fios. Não é preciso fazer obra para passar a parte elétrica.” 

Comprada em uma loja de móveis usados, a cabeceira de madeira entalhada do quarto da designer de interiores Helena Kallas, do Mandril Arquitetura, ganhou a companhia de elementos de estilo contemporâneo, como a parede de cimento queimado e o criado-mudo colorido. Tudo para que o desenho da peça não deixasse o ambiente pesado. “Comprei a cama inteira, mas usei só a cabeceira, que fica apoiada em um suporte. Posso tirar e trocar facilmente, quando quiser. É, com certeza, o principal elemento da decoração do quarto”, conta. Em outro projeto, ela garimpou uma grade de metal antiga, que só precisou ser pintada de branco e fixada na parede de tijolos aparentes para fazer bonito atrás da cama. 

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Em alguns casos, porém, a ideia é que a cabeceira passe quase despercebida. Em um quarto assinado pelo escritório Sesso & Dalanezi, a parede decorada com quadros e néon chama mais atenção do que a peça discreta, de madeira. “É preciso pensar se a cabeceira é coadjuvante na ambientação. Se sim, ela tem de apenas cumprir o papel básico de ser um anteparo da cama, algo para que seja mais agradável sentar, sem encostar na parede gelada. O resto fica por conta da decoração. Quando a ideia é fazer com que essa peça seja mais atuante, escolha um modelo imponente, talvez algo revestido de tecido, de um estilo marcante, ou até mesmo de um tamanho maior”, aconselha a arquiteta Débora Dalanezi.

Foi em busca de um elemento central para a decoração, que as arquitetas Juliana Bianchi e Amanda Lima optaram por instalar uma cabeceira revestida de tecido verde em uma suíte decorada com tons claros. “O papel de parede também ajuda a construir o ambiente tranquilo que estávamos buscando para a área de dormir”, comenta Juliana. 

No projeto da arquiteta Duda Senna, a cabeceira de madeira tem papel importante na decoração não por seu material, mas por criar unidade entre as áreas de dormir, de estar e de trabalhar. “Como é um quarto grande, a peça que forma a cabeceira percorre todo o espaço, mudando de função a cada canto, fazendo com que tudo seja uma coisa só ao olhar. É uma estratégia que funciona quando se tem a possibilidade de fazer a marcenaria sob medida”, diz Duda.

Na área de trabalho do quarto projetado pelo SP Estúdio, a cabeceira cumpre também a função de deixar o espaço acolhedor. “Já que a moradora trocou o criado-mudo por uma escrivaninha, instalamos uma fita de LED atrás da cabeceira e usamos um tom de madeira claro, criando um ambiente mais intimista mesmo com a área de trabalho”, acredita a arquiteta Patricia de Palmo. Em outro projeto de sua autoria, a cabeceira ocupa toda a parede atrás da cama e tem um vão para apoiar objetos de coração, como pequenos quadros, e livros. “Essa estratégia vale quando o quarto é bem grande. É uma maneira de ocupar a parede, deixando menos superfícies lisas, o que pode deixar o cômodo um pouco frio esteticamente”, aconselha.

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Com tantas opções de cabeceiras disponíveis, para a arquiteta Bárbara Vieira, do Cincocinco Arquitetura, as vantagens de escolher uma cama box é poder customizar a peça e até mudar quando for preciso ou apenas se tiver o desejo de criar outro clima. “Além desse tipo de cama ser mais fácil de arrumar, mudar a cabeceira transforma completamente o estilo do ambiente. Cor, tamanho, estilo, material, tudo implica em personalidade.”

A arquiteta Helena Kallas, do Mandril Arquitetura, usou uma grade de metal antiga para fazer a cabeceira deste quarto. A peça está parafusada na parede de tijolos aparentes

A arquiteta Helena Kallas, do Mandril Arquitetura, usou uma grade de metal antiga para fazer a cabeceira deste quarto. A peça está parafusada na parede de tijolos aparentes Foto: Divulgação

Faça a sua cabeceira

Para quem gosta de se aventurar em projetos de “faça você mesmo”, a arquiteta Mayra Lopes passa a receita de como criar a sua própria cabeceira. O primeiro passo é medir o espaço disponível, considerando que a cama deve ficar 5 cm afastada da parede. É bom medir também a distância do pé da cama até o armário – conforme o caso, você pode não conseguir abrir o guarda-roupa ou a gaveta da cômoda. A sobra da cabeceira nas laterais deve ser de 15 cm, para ajudar na arrumação do forro da cama. “O MDF é uma boa opção para o painel. Se a ideia é revestir de tecido, compre uma chapa de MDF cru, mais barata. Se for deixar a madeira aparente, escolha um tom do seu agrado”, explica. Para criar mais volume, coloque espuma entre a madeira e o tecido. “Use um grampeador profissional para forrar o painel. Depois, é só instalar, usando ganchos ou suportes específicos.”

Para que o papel de parede ganhasse mais destaque, a cama ficou sem cabeceira neste projeto do Mandril Arquitetura

Para que o papel de parede ganhasse mais destaque, a cama ficou sem cabeceira neste projeto do Mandril Arquitetura Foto: Divulgação

Estratégias de impacto

Faz parte da praticidade de ter uma cama tipo box o fato de não ser necessária uma cabeceira. “Isso é o mais legal da cama box, você pode ou não ter cabeceira. Se quiser, é uma peça que não exige ergonomia, vale usar qualquer coisa, e, quando enjoar, é só tirar”, diz o arquiteto Tito Ficarelli. Mas, mesmo sem a cabeceira, é possível usar o espaço atrás da cama para incrementar a decoração do quarto. Papel ou tecido revestindo toda a parede ou apenas uma faixa do piso ao teto cria impacto. Vale também usar um adesivo em forma de cabeceira ou ainda montar uma composição com quadros e objetos. “Como o quarto é um lugar bastante pessoal, gosto da ideia de fazer uma montagem com fotografias e objetos de família para essa parede”, diz a arquiteta Duda Senna.