Made in São Paulo

Marcelo Lima - O Estado de São Paulo

Estúdio de design ítalo-alemão passa 3 meses na cidade, onde executa coleção de móveis a convite da Firma Casa

Os designers do Hillsideout: Nat Wilms e Andrea Zambelli

Os designers do Hillsideout: Nat Wilms e Andrea Zambelli Foto: divulgação

Um feixe de luz emerge de um emaranhado de sarrafos projetando na parede a imagem de uma flor solitária e anônima. Destas que insistem em brotar nos cantos mais inesperados. "Sim, concordo que o lustre sugira arranha-céus. Só não concordo em relação à flor. São Paulo é cheia de flores. É só olhar com cuidado", declara a designer Nat Wilms, ao lado do marido Andrea Zambelli, sócia-fundadora do estúdio ítalo-alemão Hillsideout. Coletivo que acaba de participar da primeira residência artística patrocinada pela galeria de design Firma Casa, da empresária Sônia Diniz. Um projeto que pretende convidar profissionais de todo mundo para viver e produzir em São Paulo. No caso do Hillsideout foram seis meses na cidade e um saldo ainda incerto de móveis. "Garanto que estarão na Firma dia 20 de outubro. Agora o número exato de peças ainda não podemos precisar” afirma Zambelli, que acompanhado de Nat, falou ao Casa sobre a experiência.

Como foi viver e trabalhar em São Paulo? 

Andrea Zambelli: Estivemos aqui em 2014, quando participamos da feira MADE. Desta vez, passamos três meses, vivendo em dois bairros muito interessantes, apesar de muito distintos: Higienópolis e depois Vila Madalena, para ficarmos mais próximos da marcenaria onde trabalhamos. Eu, me ocupando mais da prospecção de materiais e da produção das peças. Nat se dividindo entre a oficina e expedições pela cidade à cata de referências e registros, da manhã à noite. São Paulo muda muito ao longo do dia.

Lustre que mistura sarrafos de madeira e acrílico, conta com projetor de imagens 

Lustre que mistura sarrafos de madeira e acrílico, conta com projetor de imagens  Foto: divulgação

Como vocês trabalham? Dividem funções? 

Nat Wilms: Criamos de forma conjunta, mas a partir de habilidades específicas. O Andrea é restaurador profissional. Seu trabalho consiste em mesclar antigas técnicas de manipulação da madeira com materiais e procedimentos contemporâneas. Além de impecáveis trabalhos de marchetaria, ele executa encaixes perfeitos, com rara utilização de pregos. No meu caso, acredito que minha formação em escultura e cinema, me direciona mais para a questão da memória, que procuro captar por meio da fotografia, do vídeo, da escrita. A partir destes registros me proponho a criar narrativas capazes de dar vida aos objetos que produzimos. 

De que forma os móveis produzidos por aqui se conectam à cidade? 

AZ: Antes de mais nada pela utilização de madeiras nativas, com cores incríveis, como o roxinho e a imbuia. Elas são mais duras, dão mais trabalho, mas o resultado é fantástico.

NW: Por meio de referências a espigões como o edifício Martinelli, à cultura do grafite, mas, sobretudo por meio de suas contradições: ora bela, ora feia; ora rica, ora pobre. Não por acaso o nome da coleção é “Just contrast” (Apenas contraste).

Aparador construído a partir de lâminas de madeira e de acrílico

Aparador construído a partir de lâminas de madeira e de acrílico Foto: divulgação

Detalhe de uma das criações do estúdio, intercalando lâminas de acrílico e de madeira 

Detalhe de uma das criações do estúdio, intercalando lâminas de acrílico e de madeira  Foto: divulgação