Iluminação valoriza a decoração e pode garantir a tão deseja sensação de acolhimento em casa

Marina Pauliquevis - O Estado de S.Paulo

Veja dicas de especialistas para melhorar a luminosidade nos ambientes domésticos sem recorrer a obras

Camila Benegas e Paula Motta, do escritório Casa2 Arquitetos, montaram circuitos com spots e fios, da Arquitetura da Luz, nesta sala de 67 m² onde só havia três pontos de luz

Camila Benegas e Paula Motta, do escritório Casa2 Arquitetos, montaram circuitos com spots e fios, da Arquitetura da Luz, nesta sala de 67 m² onde só havia três pontos de luz Foto: Zeca Wittner/Estadão

A iluminação correta pode mudar todo o clima de um ambiente de casa e até mesmo melhorar sua funcionalidade, mas nem sempre as condições disponíveis no imóvel favorecem o uso adequado da luz sem que se recorra a uma obra. Em prédios mais antigos, não é raro que os apartamentos tenham poucos ou apenas um ponto de luz em cômodos amplos, por exemplo. É aqui que os profissionais de arquitetura têm de lançar mão de soluções espertas para melhorar a luminosidade. 

A estratégia pode envolver a criação de uma luminária específica para o espaço, a adaptação no modo de uso de determinados produtos e a utilização de modo muito particular de elementos facilmente encontrados no mercado – de redes de material de construção a lojas especializadas em iluminação, não faltam opções.

Os trilhos são uma delas. Versáteis, vão do banheiro à cozinha, passando por sala e quarto. “É uma peça que funciona bem em ambientes despojados. No mesmo trilho dá para usar diferentes lâmpadas, gerais ou focadas”, diz Ana Ogasawara, gerente de compras da Yamamura.

A arquiteta Patricia Cillo, do escritório Figoli-Ravecca, montou uma estrutura na sala de um apartamento na zona sul de São Paulo usando perfilado elétrico, ou eletrocalha. “Em todo o apartamento, não havia forro para instalar pontos específicos de luz, então, criei esse desenho com spots que podem ter o facho de luz mudado de direção conforme a necessidade dos moradores”, diz. 

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Para integrar a estrutura metálica à decoração, a arquiteta usou tinta spray para pintá-la de preto. Passado um período de observação de como funcionariam as luzes do trilho, os moradores até já pensam em ampliar o número inicial de spots, seis. O projeto, no entanto, não dispensou luzes complementares. “Um abajur, uma luminária de chão muda tudo no ambiente. Deixa o cômodo mais acolhedor e funcional, como acontece com as luminárias de leitura de um home office ou no criado-mudo”, explica Patricia. 

É unanimidade: ter apenas a iluminação no teto não contribui para criar o bem-estar necessário em casa. “A luz de abajur é a que chamamos de horizontal. Ela preenche o ambiente, é mais agradável, todo mundo fica bonito com ela. Uma casa só com luz no teto é triste”, afirma Alessandra Friedman, diretora da La Lampe.

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A seguir, veja dicas de especialistas para iluminar cada ambiente, com soluções que podem ser copiadas em casa. E, como diz Alessandra, “iluminação é o modo mais fácil de mudar um ambiente: é só apagar e acender”.

A arquiteta Patricia Cillo, do escritório Figolli-Ravecca, suou perfilado elétrico e spots da Andra para formar o trilho que ilumina esta sala - a eletrocalha foi pinta de preto com tinta spray. A luminária de chão da Decorlight tem papel acessório

A arquiteta Patricia Cillo, do escritório Figolli-Ravecca, suou perfilado elétrico e spots da Andra para formar o trilho que ilumina esta sala - a eletrocalha foi pinta de preto com tinta spray. A luminária de chão da Decorlight tem papel acessório Foto: Zeca Wittner/Estadão

Sala mais acolhedora

Não há regra definitiva sobre como deve ser a iluminação de um ambiente, os hábitos dos moradores pesam muito no projeto – se gostam de receber visitas, se querem relaxar vendo TV ou se usam o cômodo para mais de uma atividade. Mas uma ponto é pacífico: a luz indireta acolhe. Ela pode ser obtida com uma luminária que jogue a luz para cima. “Do teto ela se espalha pelo cômodo. Isso funciona bem para salas e quartos”, diz Ana Ogasawara, da Yamamura. Com a TV ligada, a luz principal é dispensável, aconselha Alessandra Friedman, da La Lampe. “Basta uma luz mais suave, como a de um abajur, perto do aparelho. Isso ajuda a eliminar a fadiga e também na circulação pelo ambiente”, diz. “Deixe a luz principal acesa, talvez em um trilho, para quando estiver com convidados.” Em vez de rebaixar o teto com gesso para embutir a iluminação, Paula Motta e Camila Benegas, do escritório Casa2 Arquitetos, contornaram a falta de pontos de luz em um apartamento em Higienópolis criando circuitos com spots ligados a fios. “Criamos mais um elemento de arquitetura sem obra: só precisamos de uma escada e de um bom eletricista”, diz Paula.

Nesta cozinha a arquiteta Ana Sawaia nem cogitou rebaixar o piso para embutir a iluminação para não perder altura do pé-direito. A saída foi instalar um trilho, da Reka, que combina spots e um pendente, sobre a parte da bancada usada nas refeições

Nesta cozinha a arquiteta Ana Sawaia nem cogitou rebaixar o piso para embutir a iluminação para não perder altura do pé-direito. A saída foi instalar um trilho, da Reka, que combina spots e um pendente, sobre a parte da bancada usada nas refeições Foto: Zeca Wittner/Estadão

Cozinha a pleno vapor

“Quem gosta de cozinhar sabe quanto é importante uma boa iluminação na cozinha, principalmente na bancada onde os alimentos são preparados”, afirma a arquiteta Ana Sawaia. E, como esse é o caso dela, não houve descuido neste projeto na zona sul de São Paulo. Além de um trilho que combina spots e pendente, ela instalou uma arandela na bancada de trabalho. “Antes da reforma, o espaço tinha dois paflons que não supriam a necessidade de luz. Como seria inviável rebaixar o pé-direito, optei pelo trilho.” Assim, os três spots do teto formam a iluminação geral e o pendente fica sobre a parte da bancada usada para as refeições.

Alessandra Friedman, da La Lampe, aconselha ainda o uso de luzes auxiliares, como pontos na coifa, fitas de LED no armário ou uma lâmpada em prateleira que possa ser acesa na tomada mesmo. Em uma cozinha com projeto de Patricia Cillo, do escritório Figoli-Ravecca, fitas de LED sob os armários funcionam como balizadores – acesos, dispensam o uso da luz principal quando se está só de passagem pelo espaço.

O escritório de arquitetura Forma011 gosta de buscar soluções de iluminação exclusivas para cada projeto. Neste quarto, como o morador não queria um abajur e o teto não tinha forro para embutir a fiação, a arquiteta Julia Varon montou uma luminária com condulete, fio, lâmpada de filamento de carbono e a junção de dois soquetes comprados na Etna

O escritório de arquitetura Forma011 gosta de buscar soluções de iluminação exclusivas para cada projeto. Neste quarto, como o morador não queria um abajur e o teto não tinha forro para embutir a fiação, a arquiteta Julia Varon montou uma luminária com condulete, fio, lâmpada de filamento de carbono e a junção de dois soquetes comprados na Etna Foto: Zeca Wittner/Estadão

Perfeito para o descanso

O quarto pede iluminação mais suave. Se possível, invista em lâmpadas dimerizáveis para controlar a intensidade da luz. O ponto principal, no teto, pode ter luz indireta com o uso de luminárias que esparramem a luz para cima. “No quarto é essencial ter um abajur. Só tome cuidado com a altura em que vai ficar a lâmpada para que seja confortável quando você estiver na cama”, diz Alessandra Friedman. A arquiteta Julia Varon montou ela mesma durante a reforma de um apartamento uma luminária para um morador que não queria um abajur no criado-mudo. Usando condulete e fio, ela criou uma peça exclusiva, que deixa a luz suspensa. “Usamos uma lâmpada de filamento exposto, que não é para leitura, mas tem uma luz agradável e ainda é bonita.”

O banheiro com projeto da arquiteta Patricia Cillo, do escritório Figolli-Ravecca recebeu fitas de LED em cima e embaixo do armário com espelho. "Além de decorativas, ficaram funcionais, pois ajudam na hora de fazer a maquiagem ou a barba", diz. E a iluminação ainda destaca o revestimento com relevo da Castelatto

O banheiro com projeto da arquiteta Patricia Cillo, do escritório Figolli-Ravecca recebeu fitas de LED em cima e embaixo do armário com espelho. "Além de decorativas, ficaram funcionais, pois ajudam na hora de fazer a maquiagem ou a barba", diz. E a iluminação ainda destaca o revestimento com relevo da Castelatto Foto: Zeca Wittner/Estadão

Banheiro funcional

Além do ponto principal no teto, é importante contar com uma luz frontal no espelho que vai ajudar na hora de fazer a maquiagem ou a barba sem criar sombras no rosto. Alessandra Friedman, da La Lampe, diz que paflon de acrílico é uma opção interessante para o espaço porque ajuda a espalhar bem a luz. “Tome cuidado para direcionar nenhum foco para o espelho.” As fitas de LED, de rápida instalação, já que podem ser apenas adesivadas à superfície, funcionam bem no espaço como luz auxiliar, como no banheiro com projeto do escritório Figoli-Ravecca. “Usamos em cima e embaixo do armário espelhado; além de decorativas, ficaram bem funcionais”, diz a arquiteta Patricia Cillo. E a iluminação extra ainda destacou o revestimento com relevo da Castelatto.

Luz branca x luz amarela

É fato que a iluminação pode transformar um ambiente e é correto também considerar que essa mudança pode ser para pior se um cuidado básico não for tomado: a opção por luz branca ou amarela afeta diretamente o resultado do projeto e a sensação que se busca criar no espaço. “Há uma ideia errada de que a luz branca ilumina mais que a amarela”, diz Ana Ogasawara, da Yamamura. “Em casa é recomendável usar luz amarela; a luz branca deixa o corpo desnorteado”, afirma Alessandra Friedman, da La Lampe. Assim, o quarto, por exemplo, pede uma tonalidade amarelada. Mas em outros ambientes a luz branca é bem-vinda, como no escritório. “Ela é mais eficiente para trabalhar”, diz Alessandra. A temperatura de cor, medida em Kelvin, está indicada na embalagem: quanto mais baixa, mais amarela. Lâmpadas na faixa de 2.700 K a 3.000 K são indicadas para uso residencial.

Só agora vem a certificação

Com o fim da comercialização das incandescentes no Brasil, em junho, ficou mais difícil comprar lâmpadas. Se antes a preocupação era apenas com a potência, agora é preciso considerar fatores como a tonalidade da luz, a temperatura de cor e o índice de reprodução de cor, além da vida útil do produto, muito maior que a das incandescentes. Essas informações constam da embalagem do produto, que somente agora vai passar a ter a certificação do Inmetro. Em fevereiro venceu o prazo para que fabricantes e importadores atendessem aos requisitos mínimos de qualidade e, a partir de outubro, eles terão de fornecer produtos com o selo do Inmetro. “O consumidor já pode passar a dar preferência às lâmpadas LED com o selo na embalagem, que indica que parâmetros de qualidade foram avaliados”, diz Leonardo Rocha, assistente da Diretoria de Avaliação da Conformidade do instituto. A certificação vale para lâmpadas de LED residenciais e não inclui as fitas.

Na hora da compra

Segundo o Inmetro, a lâmpada de LED tem vida útil que pode chegar a 25 vezes mais que as antigas incandescentes e quatro vezes mais que as fluorescentes. O custo também é maior. Na hora da compra, atenção à embalagem: quanto maior a temperatura de cor, medida em Kelvin (K), mais branca é a luz, como referência, uma lâmpada com 2.700 K, mais amarelada, é usada em quartos; potência não significa luminosidade, observe os dados de fluxo luminoso e eficiência luminosa, quanto maior, melhor.

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