Em visita a São Paulo, curadora internacional comenta o design brasileiro

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Marva Griffin, curadora do Salão Satélite, de Milão, viaja para visitar e proferir palestras na semana de design paulistana

O sofá Under Construction apresentado pela primeiar vez no Salão Satélite

O sofá Under Construction apresentado pela primeiar vez no Salão Satélite Foto: divulgação

Marva Griffin acredita no poder transformador do design. Laureada em 2014 com um Compasso D’Oro, a mais alta condecoração do design italiano, por sua atuação à frente do Salão Satélite – mostra dedicada a jovens profissionais que acontece todos os anos paralelamente ao Salão do Móvel de Milão –, ela roda o mundo à caça de novos talentos. “Estou muito interessada em conhecer de perto a cena paulistana”, declarou, pouco antes de partir de Milão para conferir in loco a 5.ª edição do DW!, a convite da Docol e do Centro Universitário Belas Artes. No programa, além de visitas aos points do festival, uma palestra dedicada aos estudantes e uma mesa redonda aberta a todos os interessados. “Compartilhar é uma das dimensões do design”, declarou em entrevista ao Casa.

De Nathalia Jacobucci, a cadeira Line apresentada no espaço da Belas Artes no Salão Satélite de Milão deste ano

De Nathalia Jacobucci, a cadeira Line apresentada no espaço da Belas Artes no Salão Satélite de Milão deste ano Foto: divulgação

Muitos consideram que o que se tem visto nas feiras internacionais de design, com pequenas variações, é mais do mesmo. Nesse contexto, qual a importância do Salão Satélite?

De fato, aparentemente, tudo já foi desenhado. Mas tudo também muda o tempo todo. Pode não fazer sentido desenhar o que já existe, mas desenhar objetos sempre será uma tarefa indispensável. Não me refiro a modismos, claro, mas a objetos que sejam, de fato, capazes de melhorar a vida das pessoas. Novas necessidades, que pedem novas respostas, nunca vão parar de surgir. E, assim sendo, penso que não existe ninguém melhor do que o jovem, com sua curiosidade e desprendimento para detectá-las. Daí a importância de nossa mostra.

A curadora do Salão Satélite de Milão, Marva Griffin 

A curadora do Salão Satélite de Milão, Marva Griffin  Foto: divulgação

Edições anteriores do Satélite contaram com a participação de designers brasileiros então iniciantes como Pedro Paulo Franco e Sergio Matos. A seu ver, o que caracteriza o nosso design?

Acredito que, cada um, a seu modo, manifesta uma nítida ligação com a natureza rica e exuberante do país. Seja por meio de tecidos, das fibras vegetais, dos pigmentos e, principalmente, da madeira. Um material nobre, magnificamente trabalhado por gerações de designers brasileiros desde os anos 50 e que, aos olhos do mundo, se confunde com a identidade do design produzido no Brasil. 

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Que conselho daria a um jovem designer que busca sua inserção no mercado global?

Além de frequentar uma boa escola, recomendo um profundo mergulho interior. Para ser bem sucedido, é fundamental saber o que quer fazer. Trabalhar peças únicas ou se dedicar à produção de objetos em série é uma decisão pessoal, mas hoje é uma questão que se impõe. E é bom saber que, em geral, as oportunidades costumam se abrir para quem trabalha com foco.

De Sergio Matos, a poltrona Balaio, também lançada no Salão Satélite

De Sergio Matos, a poltrona Balaio, também lançada no Salão Satélite Foto: divulgação