Reconhecida marca holandesa de design traz exposição a São Paulo

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Diretor do grupo de design de vanguarda Droog Design Suki de Boer reafirma caráter contestador da empresa e diz que intenção é criar conceitos

O diretor da Droog Design, Suki de Boeur

O diretor da Droog Design, Suki de Boeur Foto: divulgação

Fundada em 1993 pelo designer de produto Gijs Bakker e pelo historiador de arte e atual responsável pela marca, Renny Ramakers, a Droog Design alcançou notoriedade imediata no Salão do Móvel de Milão daquele ano. Tudo graças a uma seleção inusitada de objetos – como um armário formado por gavetas empilhadas unidas por um elástico – em sua maioria feitos com material descartável ou refugos industriais. 

Siga o Casa no Instagram e use a hashtag #casaestadao

De lá para cá, muito mudou. Mas o espírito contestador da casa permanece intacto. “Somos lembrados muito pelos móveis de nossa primeira fase. Mas é bom que se diga que a Droog não se propõe apenas a produzir design. Queremos gerar conceitos, seja ao desenhar um parafuso ou toda uma cidade”, diz o indonésio Suki De Boer, um dos diretores da marca, que durante a feira Made, na semana passada, trouxe a São Paulo a mostra From Screw to the City, que aborda nesta entrevista ao Casa

Qual o objetivo da mostra?

Acredito que posicionar a Droog como uma empresa interessada em captar todas as dimensões do projeto, desde um parafuso até toda uma cidade. Dobradiças, porcas, pregos, suportes e outros hardwares que compõe nosso projeto Build Me, de 2015, não são apenas componentes, também agregam valor, caráter e um discurso mais rico a móveis e objetos. Mas não só isso. A mostra traz ainda pregos que reduzem o risco de você martelar o dedo, dobradiças falsas e parafusos que sorriem. Enfim, todo um arsenal à disposição do designer.

Estante da exposição From the screw to the city

Estante da exposição From the screw to the city Foto: divulgação

Como essas considerações alcançam a cidade?

Nossa intenção foi mostrar que pequenos detalhes podem transformar os grandes. No caso, partimos do parafuso para abordar a diversidade urbana. Em 2011, desenvolvemos o projeto Open House, em um subúrbio de Nova York, construindo peças como carrinhos de cachorro-quente capazes de oferecer ao morador a possibilidade de complementar sua renda. Visitamos as pessoas e perguntamos: do que, de fato, você precisa para crescer? Concluímos que, na maioria das vezes, nós designers não temos a menor ideia das necessidades das delas.

Mesa construída com componentes desenhados pelo Droog

Mesa construída com componentes desenhados pelo Droog Foto: divulgação

Qual sua impressão sobre as peças da Made?

Em geral, boa. Me surpreendi apenas com a presença da madeira e do cobre. Depois, confesso que achei a maioria dos produtos excessivamente acabados, como se isso fosse uma prioridade. Uma abordagem mais crua às vezes também produz excelentes resultados.

Gaveteiro com puxadores de silicone

Gaveteiro com puxadores de silicone Foto: divulgação