Autor de livro sobre Jayme C. Fonseca Rodrigues diz que arquiteto era 'criador de atmosferas'

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Livro em colaboração com Juliana Suzuki destaca o trabalho do profissional na criação de móveis e design de interiores

Mesa reeditada pela Etel

Mesa reeditada pela Etel Foto: Divulgação

Mais que arquiteto, designer ou decorador, a melhor definição para a carreira de Jayme Campello Fonseca Rodrigues (1905–1946) é a de criador de atmosferas. Assim se refere a ele Hugo Segawa, autor do livro Jayme C. Fonseca Rodrigues – Arquiteto, com a colaboração de Juliana Suzuki. Outra característica singular de seu trabalho, a atuação em diferentes escalas, do desenho de móveis à urbanização, fica patente na reedição de quatro de seus móveis pela Etel Interiores. “Seu mobiliário representa bem a transição entre a corrente que seguia as tradições francesas para o movimento modernista”, comenta Lissa Carmona, sócia e diretora da marca. “Ele é um daqueles raros profissionais que praticavam o chamado exercício de desenho integral”, complementa Juliana que, com Hugo, falou ao Casa sobre os lançamentos.

Por que Fonseca Rodrigues pode ser considerado um arquiteto “ensemblier”?

Juliana Suzuki: O termo, de origem francesa, distingue o profissional que busca conciliar em seu trabalho arquitetura, mobiliário e decoração. Jayme é um arquiteto “ensemblier” pois atuou em todas essas frentes. Suas residências revelam que as definições de mobiliário, por exemplo, surgiam com a elaboração do projeto arquitetônico. 

Interior de casa com projeto do arquiteto

Interior de casa com projeto do arquiteto Foto: Divulgação

Jayme atuou em período intenso da história nacional, que vai do término da 2ª Guerra à Era Vargas. Como isso se manifestou em sua obra?

Hugo Segawa: Durante seu período de atuação, de 1930 a 1946, o governo brasileiro investiu muito em infraestrutura, o que lhe proporcionou inúmeros contratos. Incluindo um plano de loteamento de casas na Mooca e um conjunto residencial na Vila Madalena, que só não se realizou por causa de sua morte. Sua obra reflete o futuro que o poder público e a iniciativa privada delineavam para o Brasil.

Cadeira redonda, um dos quatro móveis desenhados pelo arquiteto e reeditados pela Etel

Cadeira redonda, um dos quatro móveis desenhados pelo arquiteto e reeditados pela Etel Foto: Divulgação

Quais as principais contribuições do arquiteto para a arquitetura e o design nacional?

JS: Seu trabalho se destaca pela racionalidade e rigor, associados a apurado senso estético. Merecem atenção os ambientes que criou para sua residência e para a de sua irmã, entre 1935 e 1937. No design de móveis, suas criações art déco, estilo então em alta na Europa e nos Estados Unidos, evidenciam preciosismo de detalhes, emprego de madeiras nobres e soluções de uma sofisticação incomum mesmo para os dias atuais, como puxadores de gaveta de cristal de rocha.

Interior de casa com projeto do arquiteto

Interior de casa com projeto do arquiteto Foto: Divulgação