Às vésperas do verão, conheça três projetos de piscina

Bárbara Mangieri - Especial para O Estado

Aspecto natural e integração com a paisagem orientam projetos em residências urbanas e de veraneio

A piscina do paisagista Gilberto Elkis vista do setor gourmet da casa, que fica no Alto da Boa Vista

A piscina do paisagista Gilberto Elkis vista do setor gourmet da casa, que fica no Alto da Boa Vista Foto: Zeca Wittner/Estadão

Com a aproximação do verão, não há quem não se imagine dentro de uma piscina refrescante, ao abrigo das altas temperaturas. Afinal, seja para se exercitar ou para desfrutar de momentos de relaxamento na companhia da família e dos amigos, nos dias de calor é ao redor dela que tudo acontece. Engana-se, no entanto, quem atribui à piscina apenas um papel utilitário ou recreativo no contexto doméstico.

Além de proporcionar momentos de descontração, um bom projeto, sobretudo se bem integrado ao seu entorno, valoriza qualquer imóvel. A piscina pode ser vista tanto do setor gourmet da casa, quanto do social. Por isso optei por bordas tipo fundo infinito em todo o perímetro. A ideia é que ela tivesse também uma função contemplativa”, afirma o paisagista Gilberto Elkis, autor deste projeto residencial no bairro do Alto da Boa Vista.

“A pedra escura acentua o reflexo na lâmina de água e a diferencia de uma piscina convencional. A textura do material proporciona uma aproximação com o meio ambiente que o material industrial não alcança”, conta o paisagista, adepto declarado de um estilo de projeto, hoje bastante em alta, que coloca em evidência revestimentos mais naturais.

Como as rochas vulcânicas que ele empregou em São Paulo. As pastilhas de colorido concentrado que revestem uma piscina de desenho sinuoso criada por Conrado Ceravolo, em Trancoso, Bahia. Ou ainda as pedras de quartzo que preenchem o fundo do quase lago criado por Ricardo Caporossi, em Jaguariúna, no interior de São Paulo. Uma piscina nada convencional, onde, entre um mergulho e outro, é possível desfrutar da companhia de uma família inteira de carpas.

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No meio da mata

A piscina natural, projetada por Ricardo Caporossi, é a que mais coloca o homem em contato com a natureza. Todo o material usado vem da região de Jaguariúna, onde o projeto foi feito, em respeito ao ecossistema local.

A piscina natural, projetada por Ricardo Caporossi, é a que mais coloca o homem em contato com a natureza. Todo o material usado vem da região de Jaguariúna, onde o projeto foi feito, em respeito ao ecossistema local. Foto: Zeca Wittner/Estadão

Não se deixe enganar. Este não é um lago qualquer, é uma piscina natural. Menos profunda do que um lago artificial comum, a piscina natural – ou biológica, como é chamada na Europa – é a que mais coloca o homem em contato com a natureza.

Ela também tem um forte componente contemplativo – mas não tenha receio de nadar só por causa da presença dos peixes.

“Eles são essenciais para manter a limpeza da água, comem o musgo e os mosquitos”, explica Ricardo Caporossi, da Genesis Ecossistemas, autor desse projeto em Jaguariúna, no interior de São Paulo.

Essa, aliás, é uma das principais vantagens da piscina natural: a necessidade de manutenção é muito baixa. Basta trocar o filtro do mecanismo que bombeia a água da fonte uma vez por mês. O projeto também não precisa ser implantado apenas em casas maiores. “A maior parte dos nossos projetos são em residenciais e condomínios fechados”, diz Caporossi.

Os peixes mais comuns são as carpas que são tranquilos e fáceis de cuidar. Quanto às pedras, as lisas têm preferência, para não machucar as pessoas. “Em síntese, fazemos a piscina para o peixe e o homem nadarem”, pontua.

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Borda infinita

Piscina em casa em Trancoso (BA) com projeto do escritório Conrado Ceravolo Arquitetura

Piscina em casa em Trancoso (BA) com projeto do escritório Conrado Ceravolo Arquitetura Foto: Tarso Figueira/Divulgação

Na hora de construir a piscina o mais importante é encontrar a melhor locação. O ponto exato capaz de oferecer os melhores ângulos de visualização dela e de seu entorno”, comenta o arquiteto João Frederico Conrado, da Conrado Ceravolo Arquitetura. 

Como exemplo, Conrado cita esta casa em Trancoso, Bahia, na qual a área da piscina parece conversar com o imóvel e o terreno ao seu redor por meio de seu desenho sinuoso e uso intensivo de materiais da região, como piso de cimento queimado, madeiras e plantas nativas.

Praticamente toda a circulação da casa funciona no entorno da piscina. “Ali os moradores podem colocar espreguiçadeiras e tomar sol”, explica Conrado. A pastilha de cerâmica azul anil também ajuda a dar a sensação de lugar paradisíaco, além de conferir perenidade ao projeto. “A cerâmica não lasca com tanta facilidade quanto as pastilhas de vidro, o que vai dispensar manutenção por um bom tempo”.

O destaque do projeto, porém, é o efeito “sem fim”. “A ideia é que, saindo da casa, o morador olhe para o horizonte, veja a piscina que não acaba e, no fundo, o campo de golfe do condomínio”, diz. Por ser um lote em declive, a piscina tem função de contenção do terreno.

O arquiteto aproveitou, então, para fazer a borda infinita, que valoriza o verde e integra o ambiente com as edificações. “ Como o recurso depende de um mecanismo que bombeia a água que cai de volta para a piscina, também é mais fácil mantê-la sem folhas ou insetos, que são barrados pelos filtros”, diz Conrado.