Arquiteto brasileiro revisita estilo clássico em apartamento de paulistanos em Nova York

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Em prédio dos anos 40 recentemente modernizado, Dado Catello Branco manteve ambientes integrados e optou por móveis e revestimentos em tons neutros

No living, um grande sofá em 'L' da Flexform, telas coloridas de Eric Cahan e carrinho de chá Rauph Lauren 

No living, um grande sofá em 'L' da Flexform, telas coloridas de Eric Cahan e carrinho de chá Rauph Lauren  Foto: Fran Parente/Divulgação

Estamos em Manhattan. Não, por certo, naquela Nova York dos lofts, feita de grandes espaços pontuados por móveis extravagantes. Mas em um apartamento de 120 m² decorado por Dado Castello Branco para proporcionar a um casal de paulistanos, em frequentes temporadas na cidade, a luxuosa sensação de se sentir em casa. Ainda que em meio a toda efervescência da Big Apple.

Situado em um edifício de década de 1940 do Upper East Side, a poucas quadras do Central Park, ele foi entregue a seus proprietários em 2015, após um longo processo de retrofit – termo utilizado para designar a modernização de construções consideradas ultrapassadas ou fora das normas para os padrões atuais. A partir de então, a reforma conduzida pelo arquiteto, entre projeto e execução, consumiu oito meses.

Nenhuma modificação mais radical foi necessária. A entrada continua se dando pelo hall de distribuição, de onde, à esquerda se tem acesso ao living e, à direita, às duas suítes e ao lavabo. Como no passado, a iluminação continua, na maior parte do tempo, sendo feita por abajures, embora hoje tudo nele seja automatizado: cortinas black out, som, climatização.

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“Com obras de arte de peso e móveis de alguns dos melhores fornecedores, em termos de funcionamento ele é extremamente prático. Como, aliás, meus clientes faziam questão”, conta Castello Branco, que não viu nenhum inconveniente em integrar a cozinha à área social, como ocorre hoje em nove entre dez projetos. No mais, tudo por lá parece estar exatamente onde deveria estar.

Os estofados, acinzentados, interagindo perfeitamente com a poltrona vintage de pés palito e com o carrinho de chá de linhas art déco. A bancada contínua, que separa o living da cozinha, construída em dois níveis, funcionando em um dos extremos como bar com banquetas – seguida pela mesa de refeições. O revestimento de lã, em todas as paredes, unificando o desenho do apartamento.

“Eles têm uma filha e três netos e adoram receber, tanto quanto cozinhar. De maneira que, de uma forma ou de outra, tudo acaba acontecendo em torno da cozinha”, comenta o arquiteto. Daí, segundo ele, a preocupação em integrar o ambiente à rotina do living. O laminado plástico empregado nas portas dos armários da cozinha, por exemplo, reproduz o tom das paredes. 

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“Me agradou muito a ideia de revisitar o estilo clássico neste projeto. Estudar com cuidado as proporções, trabalhar com nuances de cor, estudar o posicionamento de cada quadro. Nesse sentido, considero este apartamento bastante sofisticado. Não uma sofisticação banal, que nasce do luxo puro e simples. Mas da preocupação com cada detalhe”, conclui o arquiteto.

Fran Parente/Divulgação
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