Paredes eliminadas e decoração minimalista abrem espaço para instalação de adega em apartamento

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Aficionado por vinho, o casal - uma brasileira e um suíço - fez questão que o espaço dedicado à coleção de rótulos ficasse à vista de todos

No projeto do escritório CR2 Arquitetura, o amplo living com adega ao fundo - as arquitetas derrubaram todas as divisórias do espaço

No projeto do escritório CR2 Arquitetura, o amplo living com adega ao fundo - as arquitetas derrubaram todas as divisórias do espaço Foto: Alessandro Guimarães/Divulgação

Segundo o Anuário do Vinho de 2013, o consumo brasileiro de vinhos é de 2,2 litros por pessoa, por ano. Pode parecer pouco se comparado aos quase 46 litros ano da França, o maior consumidor mundial, ou mesmo à nossa vizinha Argentina, com cerca de 24 litros. Ainda assim, o consumo brasileiro cresceu 30% entre 2007 e 2010, alavancando o interesse por tudo o que se relaciona ao consumo da bebida em casa. Incluindo seu armazenamento em adegas domésticas.

“Já estamos acostumadas a atender a esse tipo de solicitação. O que nunca nos havia acontecido, no entanto, é o ambiente tomar tamanha dimensão e importância em um projeto”, conta a arquiteta Clara Reynaldo, do escritório CR2 Arquitetura, que, com a sócia Cecilia Reichstul, acaba de concluir a reforma deste apartamento, de 230 m², no Campo Belo, zona sul de São Paulo, que teve como norte a instalação de uma adega com capacidade para 400 garrafas.

Um ambiente com quase 4 m², revestido de madeira freijó, com temperatura variável entre 14 e 16 graus Celsius e executado pela EDR Cristal, empresa especializada em adegas, que a instalou a partir das indicações das arquitetas. “Trata-se de um projeto com variáveis muito específicas. A iluminação interna, por exemplo, tem de ser planejada para evitar claridade e calor em excesso, daí a iluminação feita com LEDs na parte de trás das prateleiras”, comenta Clara.

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“Meus clientes queriam que ela ficasse no coração da casa. Para tanto, foram demolidas todas as paredes da sala e da cozinha e ficamos apenas com a caixa do elevador e o hall de entrada. Eles faziam questão que o ambiente ficasse à vista de todos”, pontua Cecilia. “Criamos uma caixa em torno do elevador onde posicionamos a adega e também armários que se abrem para a cozinha e para o corredor, integrando o espaço aos outros ambientes”, explica.

Além da paixão por vinhos, o perfil cosmopolita do casal de proprietários – ela brasileira, ele suíço – foi outro importante referencial para as arquitetas. “Eles já moraram em muitos lugares do mundo, onde se habituaram a receber amigos. Cozinhar e beber para eles continua sendo um dos programas preferidos da família – sim, deles e de suas duas filhas pequenas –, de forma que a integração entre cozinha e área social foi uma prioridade”, conta Clara.

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“Eles queriam morar de um jeito descomplicado, uma planta aberta, sem muita frescura”, afirma. A opção por um estilo de vida mais despojado, sem tantas compartimentações, nem excessos, determinou também as linhas mestras do projeto de interiores: limpo, funcional, quase sem ornamentação. “A laje, que descobrimos durante a reforma estava tão bonita que não tivemos dúvidas de mantê-la aparente. Tem tudo a ver com a atmosfera minimalista da decoração”, considera Cecilia.

Mas se, por determinação dos proprietários, a descontração deveria reinar quase absoluta nas áreas social e de serviço, para as demais dependências, o casal tinha outros planos. “O programa pedia uma área íntima com quartos e escritório mais isolados, mais restritos aos membros da família. Em relação a isso, aliás, eles são bem conservadores”, conclui a arquiteta.

 

Na hora de montar a sua

Primeiro defina o que você quer ou precisa: de um simples armário, com ou sem refrigeração, passando por uma sala inteira adaptada ou por uma adega climatizada ou refrigerada sob medida, a adega ideal vai depender, fundamentalmente, da quantidade de garrafas que se pretenda armazenar. Poucas garrafas pode ser acondicionadas em um modelo tipo armário. Já uma quantidade maior, pede um ambiente próprio, com prateleiras e climatização adequadas.

*A temperatura na adega não deve nunca ultrapassar 18ºC. Manter esta temperatura é importante porque, quando há variação brusca, a bebida pode perder suas propriedades. Em ambos os casos, ou seja, nas adegas com ou sem refrigeração, o correto é manter as garrafas na temperatura de 15ºC a 18ºC para os tintos, 10ºC a 12ºC para os brancos e cerca de 8ºC para os espumantes.

*Na hora de escolher o local onde ela vai ser posicionada, é essencial que o ambiente não receba incidência direta de luz solar e de calor, que interferem no envelhecimento do vinho. Outro fator a ser evitado é a trepidação.

*Ao optar por um ambiente próprio para a instalação, repare que piso, paredes e teto devem estar bem conservados, sem rachaduras, goteiras ou infiltrações. O piso deve ainda ser de alta resistência, assim como de fácil manutenção.

* A madeira, com destaque para o freijó, é o acabamento mais indicado para revestir as paredes e executar prateleiras e suportes. O aço inox também vem sendo bastante utilizado.

* A exposição prolongada à luz pode ser danosa para a preservação do vinho. Assim, as adegas devem contar com o mínimo de luz possível, que somente deve ser usada quando necessário. Sancas com lâmpadas embutidas podem iluminar indiretamente o ambiente, mas, sempre que possível, deve-se aproveitar a luz natural ou optar por lâmpadas frias, como as fluorescentes e os LEDs.

*Para assegurar boas condições de conservação, a umidade da adega deve estar entre 70% e 80%. Abaixo disso, a rolha pode ressecar, fazendo com que o oxigênio passe com facilidade, oxidando o vinho. Nesse sentido, as garrafas devem ficar na posição horizontal, para a bebida entrar em contato com a rolha.