Você exercita seu cérebro? Médica dá dicas para a saúde da mente

André Carlos Zorzi - O Estado de S.Paulo

Pesquisa mostra que 22,8% das pessoas com mais de 55 anos relatam nunca desafiar o cérebro

Manter a mente ativa pode ser uma boa maneira de chegar à terceira idade com uma boa saúde mental. (Imagem ilustrativa)

Manter a mente ativa pode ser uma boa maneira de chegar à terceira idade com uma boa saúde mental. (Imagem ilustrativa) Foto: Pixabay / @sylviebliss

Quantas vezes você exercita a sua mente por semana? Ler um livro, tocar um instrumento musical ou fazer palavras cruzadas são algumas das atividades que podem te ajudar a cuidar da saúde da mente.

Uma pesquisa* recente mostrou que 22,8% das pessoas com mais de 55 anos no Brasil relatam nunca realizar atividades que desafiam o cérebro, 24,4% disseram exercitá-lo entre uma e duas vezes por semana, 20,5% de três a quatro, 14,2% de cinco a seis, e somente 18,1% todos os dias.

O E+ conversou com a médica geriatra Maisa Kairalla, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia-Seção São Paulo (SBGG-SP) a respeito dos resultados abaixo do ideal quando o assunto é a saúde da mente na velhice.

Saúde mental e o envelhecimento. "À medida que envelhecemos, há uma diminuição de nossas habilidades cognitivas, que são as que compreendem a capacidade de pensar, refletir, adquirir conhecimentos, armazenar memórias e outras funções do nosso cérebro", explica.

Maisa destaca que a saúde da mente está ligada tanto à qualidade quanto à expectativa de vida. Porém, nem sempre os fatores estão em sintonia: "Pode ser que um idoso viva mais anos, porém, com menos qualidade de vida. Nesse processo, fatores ligados aos nossos hábitos de vida podem ser determinantes para conquistar qualidade de vida e longevidade".

Gráfico com os dados da pesquisa.

Gráfico com os dados da pesquisa. Foto: Reprodução de pesquisa sobre envelhecimento realizada pela Bayer em outubro de 2017

Cultura. "Pode-se dizer que há, sim, aspectos culturais ligados a esse 'baixo interesse' por manter a mente ativa. Na verdade, as pessoas costumam passar a vida focadas em tantas prioridades, como passar de ano na escola, conquistar um bom emprego ou colocação profissional, viajar, e tantos outros fatores que a mente - nosso órgão sempre ativo - pode acabar ficando para escanteio", analisa a geriatra.

Ela destaca que o hábito que deve ser cultivado desde a juventude. Mas, se você não tem o costume de desafiar a mente, não se preocupe, pois nunca é tarde demais: "Sempre é tempo de começar a praticar, mesmo na velhice. O importante é manter a mente ativa."

Aplicativo de navegação via satélite.

Aplicativo de navegação via satélite. Foto: Nir Elias / Reuters

Tecnologia. Será que usar um aplicativo de mapas com sistema de GPS, como o Waze ou o Google Maps, pode ser prejudicial quando o assunto é exercitar o cérebro?

"[Os aplicativos] podem sim ter interferência no que cabe a manter um cérebro ativo. Essas ferramentas, embora possam auxiliar, acabam pensando por nós. Na verdade, não apenas os guias de rua, mas todo advento da internet, que, se não usado com sabedoria, será um convite a manter a mente ociosa, visto que se tem todo o tipo de informação à mão", explica.

Mas não se desespere: tudo depende da forma como se é usado. Para um idoso, por exemplo, um smartphone pode se tornar a possibilidade de aprender algo novo, fator positivo para a saúde cerebral, além de outros, como a possibilidade de se divertir com jogos que te façam pensar, e até aumentar suas interações sociais.

Dicas. "É importante cultivarmos desde a nossa juventude hábitos que possibilitem manter nossa mente ativa, como uma maneira de conquistarmos o que chamamos de 'reserva cognitiva', que será de grande valia para chegarmos bem à velhice. Construirmos essa reserva ao longo da vida contribui não apenas para longevidade, mas para a qualidade de vida", ressalta.

Confira a seguir 12 dicas indicadas pela dra. Maisa para você melhorar suas habilidades cerebrais e cognitivas, podendo chegar bem à velhice:

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*A pesquisa foi feita pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia-Seção São Paulo e a Bayer. Ela levou em conta 2 mil entrevistados com mais de 55 anos, que responderam a 30 perguntas de múltipla escolha sobre envelhecimento em outubro de 2017.