Vai torcer? Cuidado com a mistura de álcool e medicamentos

- O Estado de S.Paulo

Muito mais do que uma leve displicência, a prática pode ocasionar sérios problemas de saúde

 Não é incomum ouvir relatos de pessoas que fazem uso de algum tipo de medicamento e, mesmo assim, não dispensam aquela cervejinha com os amigos, ainda mais em dia de jogos. Mas todo cuidado é pouco. Muito mais do que uma leve displicência, a prática pode ocasionar sérios problemas de saúde.

"A medicina tem evoluído muito e os medicamentos estão cada vez mais seguros, mas a interação com o álcool pode sobrecarregar o fígado, onde a maioria dos remédios e as bebidas são metabolizadas", explica Marta Deguti, hepatologista do Centro de Referência em Gastroenterologia do Hospital 9 de Julho. 

Dependendo do medicamento utilizado, o quadro pode ser ainda mais grave. Tratamentos para combater depressão e ansiedade podem, ao invés de tratar a enfermidade, potencializar a condição psíquica da pessoa, como deixá-la mais deprimida ou propensa ao suicídio. "A literatura médica relata, inclusive, que há maior risco de insuficiência respiratória", observa a médica.

Algumas das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) como pressão alta e problemas cardíacos podem ter o efeito do remédio potencializado, intoxicando o organismo. O mesmo ocorre em pessoas com diagnóstico de glaucoma.

No caso de diabetes, essa interação pode levar a complicações agudas como a hiperglicemia e ao coma diabético em caso de ingestão excessiva de álcool, principalmente se a pessoa for insulinodependente, ou seja, não produzir no pâncreas o hormônio que metaboliza a glicose que entra no corpo após a ingestão de alimentos e de bebidas alcoólicas. 

O consumo exagerado de álcool também pode provocar impotência sexual nos homens. Pior ainda quando se mistura a bebida com medicamento contra a disfunção erétil, uma prática que tem se mostrado comum no País. "A droga responsável pela ereção, neste caso, é vasoconstritora, isto é, ela estreita os vasos sanguíneos. A bebida alcoólica potencializa o efeito do medicamento e pode acabar lesionando os tecidos", alerta a hepatologista. 

Por isso, é importante o acompanhamento médico para entender o efeito da interação dos medicamentos com o álcool e evitar surpresas desagradáveis e problemas graves de saúde.

Consultoria: Hospital Nove de Julho