Sobrepeso e magreza podem ser sinais de desnutrição infantil

Ananda Portela* - O Estado de S.Paulo

Maus hábitos e variedade alimentar inadequada podem provocar problemas graves de saúde

Os hábitos alimentares adquiridos na infância são determinantes para a definição da alimentação na vida adulta. 

Os hábitos alimentares adquiridos na infância são determinantes para a definição da alimentação na vida adulta.  Foto: vikvarga/Pixabay

A desnutrição nada mais é do que a ingestão incorreta de nutrientes importantes que colaboram no desenvolvimento intelectual e corporal de uma criança. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), 7% das crianças brasileiras menores de cinco anos apresentam desnutrição, enquanto 4,1% das crianças de cinco a nove anos sofrem do mesmo problema. Quanto ao excesso de peso, um terço das crianças de cinco a nove anos sofrem com o problema.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o excesso de peso - e não só a magreza - também é sinal de desnutrição. “Primeiro, temos que desmistificar que quando a criança é ‘fortinha’, ‘fofinha’, é bem nutrida. Tanto o sobrepeso quanto a magreza são sinais de que a criança pode estar desnutrida”, afirma Joanna Lima, nutricionista da Nova Nutrii, especializada em nutrição clínica.

O desmame precoce, uma dieta carente em proteínas, vitaminas e minerais e a higiene precária dos alimentos são as principais causas da desnutrição. A manutenção dessas atitudes pode provocar problemas graves ao longo da vida de uma pessoa, como comprometimento do desenvolvimento físico e mental, dificuldade na calcificação dos ossos e deficiência na aprendizagem, por exemplo. No entanto, esses problemas podem ser combatidos no início da vida com um ingrediente muito importante: o leite materno.

Nos seis primeiros meses de vida do bebê, os médicos indicam apenas o leite materno como fonte exclusiva de nutrientes essenciais ao crescimento. “A amamentação é fundamental para o desenvolvimento físico, emocional e cognitivo da criança. A composição do leite materno é capaz de fornecer todos os nutrientes necessários para o crescimento e desenvolvimento do bebê”, explica a nutricionista Aricia Motta, membro da Academia Brasileira de Saúde.

Os hábitos alimentares adquiridos na infância são determinantes para a definição da alimentação na vida adulta. “A escolha dos alimentos, a frequência das refeições, a quantidade consumida, o modo de preparo e a higiene dedicada nesse processo são fundamentais”, completa Joanna Lima. Para que as crianças cresçam de maneira saudável, os alimentos coloridos e saudáveis são a melhor opção, além da introdução de pequenos lanches ao longo do dia. Confira cinco dicas abaixo para melhorar a alimentação das crianças: 

A ingestão de alimentos ricos em açúcar e gorduras, principalmente, auxiliam no ganho de peso. Além disso, algumas crianças já nascem com tendência a apresentar obesidade. “É muito importante a mamãe procurar orientação de um profissional capacitado para que a gestação seja dentro do planejado em relação ao ganho de peso estipulado”, atenta Joanna. O abuso da ingestão de carboidratos durante a gravidez pode fazer com que a mãe adquira diabetes gestacional, que pode afetar a vida do bebê dentro e fora do útero.

Os sintomas tanto da magreza excessiva quanto da obesidade têm certa semelhança: diarreia frequente, pele apática, cansaço, tristeza, falta de apetite, queda de cabelo, dificuldade de concentração, irritabilidade. Quando esses sintomas forem diagnosticados em casa, é muito importante que um profissional seja consultado.

O tratamento se dá a partir de uma dieta balanceada combinada a alguns exercícios indicados pelo especialista. Em algumas ocasiões, a suplementação é indicada, uma vez ela que auxilia na inserção de nutrientes que a criança não aceita, seja por conta da alimentação ou por problemas de absorção. Mas lembre-se: só um profissional especialista pode indicar um suplemento alimentar ou definir uma dieta!

 

*Estagiária sob supervisão de Charlise Morais