Setembro Amarelo: 'Ouça, ampare, proteja', diz Lima Duarte sobre pessoas com depressão

Redação - O Estado de S.Paulo

Assista a vídeo com mensagem do ator sobre a campanha de conscientização da prevenção do suicídio

Lima Duarte

Lima Duarte Foto: Estadão

O ator Lima Duarte falou sobre a importância do Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio que ocorre neste mês em um depoimento em vídeo a pedido da organização não-governamental (ONG) Espaço Ser.

Nele, o ator ressalta dados da Organização Mundial de Saúde (OMS): "Você sabia que a cada 45 minutos uma pessoa tira a própria vida? Você sabia que no mundo a cada 40 segundos acontece um suicídio?"

"Chato ouvir isso, não? Pior ainda, é viver essa realidade. Infelizmente, num mundo cada dia mais e mais famílias sofrem essa tragédia. Está na hora de a sociedade parar de fugir a esse assunto", prossegue.

"Seja solidário. Principalmente com as pessoas que sofrem de depressão ou têm distúrbios emocionais. Escute, ouça, ampare, proteja", diz Lima Duarte.

Assista à íntegra do vídeo abaixo:

Setembro Amarelo

Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio. É neste mês que ações em diferentes esferas sociais buscam promover a saúde mental e dar destaque a centros que oferecem ajuda a quem precisa.

O mês foi escolhido em razão do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, celebrado todo ano em 10 de setembro. A data é organizada pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio e tem a Organização Mundial da Saúde (OMS) como co-patrocinadora. O objetivo do dia é conscientizar as pessoas ao redor do mundo que o suicídio pode ser evitado.

Em ação desde 2015, o Setembro Amarelo foi criado pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Durante o mês, monumentos em diferentes cidades também adotam a cor amarela em suas fachadas para dar visibilidade à causa. A cor amarela, segundo o site do CVV, representa a vida, a luz e o sol, simbolismo que reflete a proposta da campanha de preservar a vida.

"Tem crescido o número de pessoas que aderem à campanha e a gente tem tentado fazer mais coisas que envolvam a proposta do Setembro Amarelo", diz Adriana Rizzo, voluntária do CVV, sobre o impacto da campanha ao longo desse tempo.

Prevenção ao suicídio

Segundo a OMS, mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais e, portanto, podem ser evitados se as causas forem tratadas corretamente. No Brasil, 32 brasileiros tiram a própria vida por dia, o equivalente a uma pessoa a cada 45 minutos. No mundo, ocorre um suicídio a cada 40 segundos. Por isso, ações preventivas são fundamentais para reverter essa situação.

O CVV aposta na educação e na conversa aberta sobre suicídio. "É preciso perder o medo de se falar sobre o assunto. O caminho é quebrar tabus e compartilhar informações", defende o movimento em seu site.

Segundo o psiquiatra Celso Lopes de Souza, educador e fundador do Programa Semente, já está mais do que comprovado que falar sobre suicídio não agrava a situação. "Muito pelo contrário, pode ajudar a tratar as pessoas que tenham essa intenção", afirma.

"Às vezes, tem momentos que a pessoa fica triste, passa por dificuldade e não consegue se curar sozinha. Sabendo que tem apoio da família ou dos amigos, já começa a buscar um caminho", diz Adriana. A voluntária indica que incentivar as pessoas que precisam de ajuda é outra forma de prevenir o suicídio. "Às vezes, a pessoa acha que está acontecendo só com ela, não conversa, não se informa e acaba ficando isolada, acha que não tem saída nem solução. À medida que fala, ela se interessa de alguma maneira e também ajuda umas as outras", afirma.

Souza diferencia os indivíduos que têm pensamentos de morte dos que possuem ideação suicida. "O pensamento de morte é mais comum. A pessoa pensa 'eu poderia morrer' ou 'eu queria morrer'. A ideação do suicídio é mais grave, em que a pessoa pensa 'eu quero me matar'", explica. Ele indica que aqueles com ideação suicida vivem três 'is': sentem que a dor é impossível, insuportável e interminável.

O suicídio, segundo o CVV, é um ato de comunicação. "Quem se mata, na realidade tenta se livrar da dor, do sofrimento, que de tão imenso, parece insuportável", diz a organização. Ao falar abertamente sobre o assunto, a pessoa com ideação suicida e quem estiver ao redor dela pode perceber os sinais e saber que existem serviços de ajuda.

Segundo a voluntária do CVV, isolamento e deixar de fazer algo de que gostava muito são alguns dos sinais que indicam que uma pessoa precisa de ajuda e pode estar com ideação suicida. Outros exemplos são: descuido com aparência, piora do desempenho na escola ou no trabalho, alterações no sono e no apetite, frases como "preferia estar morto" ou "quero desaparecer".

Busque ajuda

No Brasil, o CVV oferece atendimento voluntário e gratuito 24 horas por dia a quem está com pensamentos suicidas ou enfrenta outros problemas.

"Mesmo que você não tenha certeza de que precisa de nossa ajuda, não tenha receios em entrar em contato com a gente. Um de nossos voluntários estará à sua disposição", explica a equipe do site.

A organização, uma das mais antigas do País, atua no apoio emocional e na prevenção do suicídio por meio do telefone 188 e também por chat, e-mail e pessoalmente. Confira as opções aqui.

O que não dizer para uma pessoa que pensa em suicídio? 

Frases como "pense positivo" ou "sua vida é melhor do que a de muita gente" podem ter efeito devastador para quem está em sofrimento.

O E+ conversou com a psicóloga Elaine Di Sarno, especialista em Avaliação Psicológica e Neuropsicológica pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (IPq-HC) e separou alguns exemplos de frases que você deve evitar, explicando os motivos para tal. Clique aqui para conferir.