Será que suas informações estão seguras nos hospitais?

Luiza Pollo - O Estado de S.Paulo

Após vazamento de exames da ex-primeira-dama Marisa Letícia, especialista tranquiliza pacientes

  

   Foto: Pixabay

A privacidade das informações médicas dos pacientes é assunto sério em hospitais e laboratórios. Após o vazamento de exames da ex-primeira-dama Marisa Letícia, fica a pergunta: será que seus dados confidenciais estão seguros?

A resposta, em geral, é sim. O especialista em gestão documental Marcelo Araújo, da eBox Digital, empresa especializada na integração da guarda de documentos físicos e digitais, explica que não há motivo para tanta preocupação. “Hoje isso é muito bem cuidado. Temos muita tecnologia envolvida nos hospitais”, afirma.

Em algumas instituições, há guarda de prontuários médicos em galpões monitorados 24 horas por dia. Além disso, sistemas de arquivamento online devem ser protegidos por senhas. O ponto frágil na proteção dos dados seria o manuseio dessas informações pelos profissionais. “É preciso ter uma política clara de acesso às informações entre os colaboradores”, defende o especialista. Uma boa forma de garantir a segurança é ter uma maneira de identificar quem acessou cada informação - isso se chama rastreabilidade.

Ainda segundo Araújo, o paciente não pode pedir que suas informações médicas, como prontuários e exames, sejam apagadas. Isso porque pode ser necessário acessá-las no futuro. “Mas cabe ao hospital protegê-las. Ele não pode de forma nenhuma divulgá-las. Por isso, o sistema de segurança chega a ser até mais sério do que o de uma instituição financeira, em alguns casos.”

Se o paciente tiver provas de que suas informações vazaram, ele pode abrir um processo por danos morais, afirma Renata Vilhena Silva, advogada especializada em saúde. Ela alerta, no entanto, que cada caso deve ser avaliado individualmente. “Se a reclamação for contra o hospital, deve ser feita na Justiça. Se for contra um profissional, o paciente deve reclamar ao órgão responsável - o Conselho Federal de Medicina, no caso dos médicos”, exemplifica.

Os hospitais procurados pelo E+ não quiseram divulgar suas formas de arquivamento e proteção de informações dos pacientes.

Caso Marisa Letícia. Exames da ex-primeira-dama Marisa Letícia, internada a princípio por causa de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), foram compartilhados na redes sociais na última semana. O Conselho Regional de Medicina instaurou uma sindicância para apurar o vazamento, e o Hospital Assunção, em São Bernardo do Campo, também instaurou sindicância e afastou profissionais envolvidos no atendimento. 

Procurado pelo E+, a assessoria de imprensa do Assunção afirmou, em nota: "O hospital esclarece que tão logo tomou conhecimento do evento, imediatamente instaurou sindicância interna para apuração dos fatos, tendo suspendido e afastado os envolvidos na investigação até a sua conclusão."

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