Sem cuidados, corredores iniciantes podem sofrer com lesões

Felipe Neves - O Estado de S.Paulo

Empolgação pode fazer com que praticante julgue ter condicionamento físico ainda não alcançado

Comprar um tênis novo, providenciar a vestimenta fitness, escolher uma garrafa estilizada e atualizar a playlist do celular podem parecer os primeiros passos mais óbvios para quem quer espantar o sedentarismo e começar a correr. Com a mesma rapidez e intensidade da empolgação inicial de se exercitar, no entanto, um mal pode acometer quem resolve levantar do sofá para as ruas sem se preparar: a lesão.

 

Falta de paciência e ausência de orientação estão entre os principais problemas que fazem com que corredores iniciantes tenham problemas com o corpo antes mesmo de adquirir frequência com a atividade física. “As pessoas se motivam muito para iniciar uma atividade. A empolgação às vezes pode fazer com que o praticante julgue ter um condicionamento físico superior ao que já tem”, alerta a mestre em Educação Física Katia Brandina, em entrevista ao Programa Rota Saudável da Rádio Estadão.

Empolgação pode fazer com que praticante julgue ter condicionamento físico ainda não alcançado

Empolgação pode fazer com que praticante julgue ter condicionamento físico ainda não alcançado Foto: Jacson Querubin / Creative Commons

 

Antes de tentar atravessar a cidade ou dar dezenas de voltas na pista do parque, o corredor precisa se atentar principalmente a dois fatores: velocidade e duração do exercício. A adaptação precisa ocorrer gradualmente e o praticante tem de aprender a controlar o ritmo sozinho. “Assim ele terá a garantia de que o corpo irá se adaptar de forma correta para garantir os resultados esperados”, explica Katia.

 

Marco Antonio Lourenço, 50, começou a praticar corridas urbanas há três anos, logo após se recuperar de uma cirurgia de hérnia de disco. Correndo sozinho, o administrador aprendeu a respeitar os limites do corpo. “Comecei com caminhada, aos poucos. Hoje corro de duas a três vezes por semana em distâncias mais curtas. Aos sábados e domingos percorro por volta de 20km. Uma vez por mês faço provas maiores, mas ainda não encarei maratonas.”

 

Dores também fazem parte do cotidiano dos atletas, profissionais ou não. Em demasia, no entanto, podem significar excesso de exercício. “Muitas dores durante a atividade indicam que o planejamento deve ser repensado, porque ainda não está adaptado ao condicionamento daquele corredor”, indica a ortopedista.

 

Tênis adequado. Outro ponto importante na preparação são os calçados. Ao contrário do que muita gente pensa, não há marca mais indicada. “O próprio aparelho locomotor tem a capacidade de se ajustar ao calçado. Por isso conseguimos correr com modelos diferentes ou até mesmo sem nenhum. A questão é se adaptar. Assim, a corrida será mais segura”, diz Katia. A troca dos calçados também requer atenção. Marco Antonio, por exemplo, costuma mudar os modelos que utiliza em média a cada 900 quilômetros de corrida percorridos.

Em uma parte improvável dos tênis pode estar,  ainda, o segredo para uma corrida mais confortável. A forma com que o corredor entrelaça os cadarços do calçado pode ajudar a reduzir a pressão nos pés. Amarrar os cordões na diagonal, por exemplo, em vez de dispô-los no tradicional formato de “X”, diminui o aperto na parte da frente do tênis, evitando que os dedos sangrem.