Saiba como fazer doação de plasma para ajudar em pesquisas contra novo coronavírus

Camila Tuchlinski - O Estado de S.Paulo

Atriz Fernanda Paes Leme, que está curada da covid-19, pretende entrar para lista de doadores

Institutos de pesquisa avaliam efeitos de anticorpo de pacientes curados após infecção em quadros graves da doença.

Institutos de pesquisa avaliam efeitos de anticorpo de pacientes curados após infecção em quadros graves da doença. Foto: Reuters/ Lucas Landau

 
Existem muitas frentes de pesquisas no mundo inteiro na busca pela cura ou imunização das pessoas contra o novo coronavírus. Alguns estudos científicos estão apostando na transferência de plasma de pessoas curadas da covid-19 para pacientes em estágios graves da doença.

Nesta terça-feira, 14, Fernanda Paes Leme disse que procurou o Hospital Albert Einstein para oferecer a doação de plasma. A atriz foi diagnosticada com coronavírus em 16 de março e está completamente saudável agora. Ela participou do casamento da irmã de Gabriela Pugliesi, no sul da Bahia, e que teria infectado diversas personalidades brasileiras.

Aqueles que se contaminaram por covid-19 desenvolveram anticorpos no seu plasma que podem ser úteis para ajudar na recuperação de pessoas com formas mais graves da doença.

A chamada transferência passiva de imunidade, ou seja, técnica de transferir plasma de pessoas já curadas para doentes está sendo avaliada por institutos de pesquisas.

A FDA, órgão governamental que regula os medicamentos nos Estados Unidos, já havia emitido as diretrizes para a utilização dessa técnica em quadros graves no dia 24 de março. No Brasil, essas pesquisas não necessitam da aprovação da Anvisa para serem realizadas, mas sim de comitês de ética em pesquisa do Conselho Federal de Medicina. 

O hematologista Evandro Fagundes,  do Grupo Oncoclínicas, ressalta a importância da participação de pessoas que já venceram o coronavírus em pesquisas desse tipo. "Eu diria que o importante é o paciente curado participar de uma pesquisa como essa. Somente a pesquisa poderá esclarecer se a doação de plasma do paciente convalescente de covid-19 poderá ajudar outros pacientes que estejam sofrendo consequências clínicas graves da doença", avalia.

De acordo com o hematologista Breno Gusmão, do Comitê da Abrale - Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia, os requisitos para ser doador de plasma são os mesmos para quem costuma doar sangue. “Para fazer a doação de plasma, você passa pelos critérios habituais e é uma doação segura. O sangue será colocado em uma bolsa coletora. Depois, tem um processo de separação das células do plasma, por centrifugação”, explica.

O médico alerta que, para quem foi diagnosticado com coronavírus e quiser doar depois de curado, é preciso tomar alguns cuidados. “Quando é para o covid-19, se propõe que as pessoas que passaram por ele, depois de 14 dias sem sintomas, podem fazer a doação. Esses pacientes criaram imunidade já para a covid-19. E, na hora de doar o sangue, o plasma, que estará rico em anticorpos contra a covid-19, é separado. Essa é a teoria do uso do plasma em pacientes com covid-19”, conclui.

Critérios para quem quer fazer doação de plasma

Para fazer a doação de plasma, é preciso ter em mente que a coleta é exatamente igual ao processo sanguíneo. É preciso estar saudável e seguir os seguintes passos:

- Estar alimentado. Evite alimentos gordurosos nas três horas que antecedem a doação de sangue.

- Caso seja após o almoço, aguardar duas horas.

- Ter dormido pelo menos seis horas nas últimas 24 horas.

- Pessoas com idade entre 60 e 69 anos só poderão doar sangue se já o tiverem feito antes dos 60 anos.

- A frequência máxima é de quatro doações de sangue anuais para o homem e de três doações de sangue anuais para as mulheres.

- O intervalo mínimo entre uma doação de sangue e outra é de dois meses para os homens e de três meses para as mulheres.

Onde pessoas curadas da covid-19 podem fazer a doação de plasma

Alguns institutos de medicina e pesquisa estão pedindo para que os curados do coronavírus possam fazer as doações de sangue para a separação do plasma. Em Campinas, a Universidade Estadual (Unicamp), a Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo, e os hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês seguem com os estudos.

Em Ribeirão Preto, no interior paulista, o Hemocentro da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) busca doadores. Eles pedem para que a pessoa tenha mais de 50 quilos e, no caso das mulheres, nunca ter engravidado. Antes da doação, haverá uma avaliação. Mais informações podem ser obtidas por telefone no número 0800-979-6049, via WhatsApp (16) 99399-1259 ou por e-mail no endereço doador@hemocentro.fmrp.usp.br.

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