Saiba como driblar os sintomas da TPM na quarentena durante pandemia do novo coronavírus

Camila Tuchlinski - O Estado de S.Paulo

Oscilação hormonal e ansiedade atrelada ao isolamento social podem potencializar sofrimento das mulheres

Isolamento social pode contribuir para potencializar ansiedade gerada por TPM.

Isolamento social pode contribuir para potencializar ansiedade gerada por TPM. Foto: Pixabay

 

Cólicas, fraqueza e dores de cabeça. Uma vontade incontrolável de comer doces e, em alguns casos, tem de ser chocolate. Fora as oscilações de humor, de tristeza a raiva. Todas essas situações podem ser comuns na vida de uma mulher durante a Tensão Pré-Menstrual. E não é diferente na vida da pedagoga Adriana Pelege. 

“Sempre tive sintomas da TPM desde novinha. Sempre tive cólica e na minha adolescência chorava muito. Percebo que, conforme vai passando o tempo, as fases da vida, os sintomas vão se intensificando”, conta. A funcionária pública está em quarentena por causa da pandemia do novo coronavírus e, justamente, no período menstrual. “Estou na TPM agora. A gente já fica emotiva por causa da situação toda que está acontecendo, eu já sou emotiva. E acho que a TPM faz aflorar mais ainda. Eu já chorei muito. A gente fica muito deprimida. Tento não ver mais muito TV, senão fico muito pra baixo, né? Então, procuro escutar uma música E curtir meus cachorros, que são meus filhinhos”, conclui. 

A pedagoga Adriana Pelege, que mensalmente sofre com os sintomas da TPM.

A pedagoga Adriana Pelege, que mensalmente sofre com os sintomas da TPM. Foto: Arquivo pessoal

 

A oscilação do humor é uma das principais reclamações entre as mulheres durante a Tensão Pré-Menstrual. E isso pode se intensificar em tempos de quarentena durante a pandemia do novo coronavírus, na avaliação do ginecologista Alberto d’Auria, obstetra da Maternidade Pro Matre Paulista. “Quando a pessoa fica confinada, a tendência é que a irritabilidade aumente, além disso, estamos expostos à realidade vinda dos noticiários com excesso de informações negativas, que podem agravar o quadro da tensão pré-menstrual”, ressalta.

A ginecologista Cláudia Gomes Padilla, diretora médica do Grupo Huntington Medicina Reprodutiva, acrescenta que o isolamento social potencializa os sintomas. “Com certeza, uma vez que o momento que estamos vivendo está cercado de incertezas. Quando a mulher passa pela TPM pode viver dias de muito desconforto e mudanças bem desagradáveis devido às alterações hormonais. É muito provável que a irritabilidade, as dores de cabeça e a insônia sejam ainda maiores. Esse sentimento gera ainda mais ansiedade e estresse nas mulheres e faz com que alguns dos sintomas da TPM fiquem ainda mais intensos”, avalia.

Quais são os principais sintomas da TPM?

Os sintomas estão relacionados à retenção de líquido, resultado do hormônio progesterona que está em nível mais alto. Distensão abdominal, inchaço e dor nos seios, alterações no apetite e no humor são comuns.

As mulheres nesse período podem sentir dores de cabeça e explosões comportamentais devido ao cérebro que fica mais inchado nesse período e menos tolerante. Com relação às alterações dos níveis hormonais, o cortisol fica com nível mais baixo, resultando em compulsão alimentar. 

Durante esses dias, é possível notar mais vontade de comer doces, especialmente chocolates. Isso acontece porque, durante a TPM, o organismo feminino produz menos dopamina, conhecida como o neurotransmissor do prazer, tendo como principal função ativar os circuitos de recompensa do cérebro. A busca pelos doces é uma tentativa do organismo se recompensar.

Algumas pessoas relatam também constipação, retenção de líquido ou quantidades excessivas de gases (sensação de estar mais pesada ou pressão na região inferior do abdome), irritabilidade, cólicas, acne, dores de cabeça e nas costas, falta de concentração, depressão e insônia. 

Como passar bem pela TPM na quarentena durante pandemia do coronavírus

Passar pela Tensão Pré-Menstrual na quarentena pode ser desafiador para muitas mulheres, que já estão fragilizadas emocionalmente com a situação. Para ajudá-la a enfrentar esse período, a pedido da reportagem do E+, os ginecologistas Alberto d’Auria e Cláudia Gomes Padilla relacionaram uma série de dicas:

- Reduzir o consumo de chocolate, de café e especialmente do álcool, que aumenta a retenção de líquido. 

- Aumentar a hidratação e consumir alimentos que contém vitamina B6, magnésio e triptofano, que contém na banana, por exemplo.

- Conversar com amigos e familiares por chats online ou se houver a possibilidade de ter o acompanhamento com uma psicóloga ajudará muito a lidar com sentimentos, angústias, expectativas e medos. 

- A prática de yoga e meditação é super recomendada, pois tanto corpo quanto a mente conseguem “se desligar” e relaxar. 

- Evitar qualquer tipo de discussão, já que a intenção é evitar qualquer desgaste emocional desnecessário. 

- Exercícios físicos moderados também fazem bem, mas cuidado com as atividades intensas que podem agravar os sintomas. 

- Opções de atividades: dança ou outros exercícios denominados funcionais que podem ser feitos em casa, pois liberam endorfina (hormônio do prazer responsável pelo relaxamento do corpo) e, com isso, é possível que as cólicas diminuam, melhore o funcionamento do intestino e o humor não fique tão abalado.

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