Saber qual mania prejudica sua vida diária é primeiro passo para identificar TOC

Luisa Pinheiro - O Estado de S. Paulo

Um sinal de que há algum problema com as manias do dia a dia é a realização de rituais de forma compulsiva

   

    Foto: Reprodução/Pixabay

A preocupação exagerada com sujeira é quase sempre o exemplo dos sintomas do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). Um sinal de que há algum problema com as manias do dia a dia é a realização de rituais de forma compulsiva, como verificar várias vezes se a porta de casa está fechada ou se há vazamento de gás no fogão. 

O psiquiatra do Hospital das Clínicas da USP, Daniel Costa, explica que o transtorno se caracteriza por obsessões e compulsões. Obsessões são os pensamentos repetitivos que causam crises de ansiedade nos pacientes, como o medo de contaminação. As compulsões são os comportamentos repetitivos com o objetivo de aliviar o mal-estar provocados pelas obsessões. 

No caso da preocupação com a sujeira, a compulsão poderia ser lavar as mãos várias vezes. "Só sintoma não é suficiente para se falar em transtorno, tem que ter alguma consequência negativa na vida da pessoa", alerta Costa. 

Se alguém sente a necessidade de lavar tantas vezes as mãos e acaba com doenças dermatológicas causadas pelo uso excessivo de sabão, por exemplo, essa mania é prejudicial. A consequência negativa pode aparecer também como sofrimento, sem uma manifestação física.

A atriz Amanda Seyfried, que contracenou com Meryl Streep no filme Mamma Mia!, revelou recentemente que faz tratamento há onze anos para controlar o transtorno obsessivo-compulsivo. Em entrevista à revista americana Allure, ela disse que está tomando uma dose baixa da medicação, mas não vê sentido em parar de tomar o remédio e arriscar ter uma recaída.

"Tive uma crise de ansiedade causada pelo TOC e pensei que tinha um tumor no cérebro. Eu fiz uma ressonância magnética, e o neurologista me encaminhou a um psiquiatra. À medida que envelheço, os pensamentos compulsivos e os medos diminuíram bastante. Saber que muitos dos meus medos não são baseados na realidade realmente ajuda", contou Amanda. 

O psiquiatra Isaac Efraim afirma que a terapia é uma parte importante do tratamento para ajudar o paciente a entender que essa sensação de ameaça é uma criação da mente e uma manifestação do distúrbio. "O caso clássico de TOC é tratado com antidepressivos e, se o quadro for além do tradicional, com tranquilizantes", explica o médico.

A falta de informação sobre o transtorno é um dos principais problemas para o tratamento dos pacientes. "É muito comum a descrição de que as pessoas têm muita vergonha dos sintomas. Como pode passar pela minha cabeça o pensamento de que posso perder o controle e machucar alguém? O TOC tem esse caráter secreto", diz Daniel Costa. O psiquiatra coordena um projeto de pesquisa, vinculado ao Hospital das Clínicas, sobre o transtorno com a oferta de tratamento para voluntários. 

"Uma doença mental é algo que as pessoas colocam numa categoria diferente [das outras doenças], mas não acho que seja assim. Isso deveria ser levado a sério como qualquer outra coisa. Você não vê a doença mental: não é um cisto. Mas está lá", disse Amanda Seyfried à Allure.