Reportagem do E+ sobre hanseníase conquista prêmio de jornalismo

Redação - O Estado de S.Paulo

'Na luta contra a hanseníase, preconceito ainda é forte barreira' venceu o Prêmio NHR Brasil de Jornalismo na Categoria Especial - Estigma

Francisca, de 63 anos, teve hanseníase e mora em Curitiba, onde foi sutilmente expulsa da casa onde morava de aluguel devido ao preconceito.

Francisca, de 63 anos, teve hanseníase e mora em Curitiba, onde foi sutilmente expulsa da casa onde morava de aluguel devido ao preconceito. Foto: Sergio Vanalli/Retina Social

A reportagem do E+ Na luta contra a hanseníase, preconceito ainda é forte barreira, de autoria da jornalista Ludimila Honorato, ganhou o Prêmio NHR [Netherlands Hanseniasis Relief] Brasil de Jornalismo.

Grupo Estado foi premiado na categoria Especial – Estigma, em resultado divulgado no último domingo, 28, durante a cerimônia de abertura do 55º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. Você pode ler a publicação original completa clicando aqui.

Publicada em 31 de maio de 2019, a reportagem mostra como o preconceito e o estigma social dificultam o trabalho de combate à hanseníase, antes conhecida como lepra.

Segundo Isabelle Roger, assessora regional em Doenças Negligenciadas da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), "pessoas com condições estigmatizantes como a lepra podem ocultar ou negar sua condição e atrasar a busca por tratamento". Esse autoisolamento pode agravar a doença, aumentar o risco de complicações e de transmissão, além de dificultar o rastreamento de outros casos.

A reportagem ainda conta as histórias de Francisca Barros da Silva, de 63 anos, e de Gilberto José Barbella, de 89, que viveram nos chamados leprosários, espaços criados no Brasil a partir da década de 1920 para confinar as pessoas diagnosticadas com a doença. Barbella, por exemplo, ficou isolado da sociedade dos 14 aos 30 anos de idade.

O Brasil é o segundo país no mundo com mais casos da doença, ficando atrás da Índia. Em 2017, 29.101 novos episódios foram contabilizados no continente americano - mais de 93% deles em território brasileiro. Na reportagem premiada, há um panorama da doença no País, com a apresentação do número de novos casos registrados entre 2013 e 2017 e as regiões mais afetadas pela enfermidade.

A segunda edição do Prêmio NHR Brasil de Jornalismo teve como objetivo reconhecer as produções jornalísticas sobre a hanseníase no Brasil sob diversos aspectos, como acesso ao diagnóstico, transmissão, estratégias de superação e políticas públicas. A categoria especial sobre o estigma dialoga com a campanha Hanseníase Tem Cura, Preconceito Também, realizada pela NHR Brasil para conscientizar sobre os efeitos do estigma social e propor formas de superação do problema.