Regras alimentares devem ser as mesmas para toda a família

Tara Parker-Pope - O Estado de S.Paulo

"Todos devem ser tratados exatamente da mesma maneira: nada de 'porcarias' e nenhuma oportunidade para se sentirem distinguidos ou estigmatizados"

Qual é a melhor maneira de ajudar uma criança a perder peso sem transtorná-la, particularmente se você tem outros filhos que não estão com sobrepeso? 

"Diminui a porção dos pratos e reduzi as guloseimas no caso dos meus dois filhos. Incentivei-os a se exercitarem e a comer de modo mais saudável. E ironicamente o mais gordinho passou a comer de maneira muito mais saudável do que o mais magro. Mas um ano depois ainda tenho um filho que está mais gordo do que 90% das crianças da mesma idade e outro mais gordo do que os 25% das crianças da sua idade".

Este é um tema comum no caso das famílias, quando gêmeos biológicos criados da mesma maneira têm taxas de desenvolvimento, preferências alimentares e uma constituição diferentes. A leitora que fez a pergunta acima observou que seu filho que está com sobrepeso ingere alimentos saudáveis, mas tende a ter fome com mais frequência e seu peso está no topo quando feito o cálculo do Índice de Massa Corporal. Ao passo que o outro gosta de alimentos pouco saudáveis e que nunca engorda por causa disso.

"Frequentemente, observamos nas famílias como esta que os pais deixam que a criança mais magra coma o que desejar, incluindo 'porcarias' porque ficam felizes que ela está comendo”, disse o dr. David Ludwig, diretor da New Balance Foundation Obesity Prevention Center, no Children´s Hospital de Boston. “Por outro lado eles restringem a criança com sobrepeso. E isto cria um ambiente injusto para o filho mais gordo e sob alguns aspectos para o filho mais magro também".

Então, qual é a solução? 

A resposta pode surpreender. As regras alimentares para ambos os filhos devem ser as mesmas. 

De acordo com o Dr. Ludwig, as regras para as crianças se alimentarem de modo saudável não mudam por causa do peso da criança. (A exceção é no caso de um problema médico específico, como diabetes, sensibilidade ao glúten ou um transtorno alimentar).

Em geral, crianças saudáveis independente do peso devem ser incentivadas a comer uma variedade de alimentos saudáveis. Alimentos processados e refrigerantes devem ser vetados em casa. Todas as crianças devem sentar-se com a família à mesa para uma refeição com uma variedade de opções saudáveis. Os pais devem dar o exemplo, comendo frutas e legumes variados, experimentando novos tipos de alimentos e se alimentando com porções apropriadas. Os pais devem evitar brigar com as crianças por causa de comida. As crianças devem ser incentivadas a se manter ativas e ter uma boa noite de sono.

"Não é que você não pode ter um doce ou uma guloseima de vez em quando", diz o médico. "Leve os dois, o mais obeso e o esbelto, para comer alguma coisa gostosa de vez em quando, faça disto uma comemoração e não discrimine".

"Todos devem ser tratados exatamente da mesma maneira: nada de 'porcarias' e nenhuma oportunidade para se sentirem distinguidos ou estigmatizados", ensina o especialista. E se o filho mais obeso quiser um lanche é ótimo oferecer a ele, ou ela, lanches saudáveis. Se a criança pede uma segunda maçã ou um pouco mais de legumes e molho, permita.

Naturalmente, algumas regras alimentares em casa são apropriadas. O importante é aplicá-las de maneira justa para todos os membros da família, com base na sua idade. "É justo que os pais estabeleçam regras quanto ao horário apropriado para comer e parar", afirma o médico.

O especialista lemba ainda que, se uma criança está evitando ir para a cama, dizendo 'estou com fome', é bom dizer que a cozinha está fechada. "Mas no caso de um adolescente os pais devem controlar a qualidade dos alimentos e deixar que ele determine o quanto quer comer", ressalta. 

Tradução Augusto Calil