Psicanalistas oferecem rede de escuta gratuita aos afetados pela covid-19 no Amazonas

Camila Tuchlinski - O Estado de S.Paulo

Projeto 'Solidariedade Social - SOS Manaus' promove atendimento virtual para as vítimas da pandemia

Funcionários utilizam roupa de proteção durante enterro no cemitério Parque Manaus, em Manaus (AM)

Funcionários utilizam roupa de proteção durante enterro no cemitério Parque Manaus, em Manaus (AM) Foto: SANDRO PEREIRA/FOTO ARENA

Levar saúde mental para uma população isolada em decorrência da pandemia da covid-19 não é uma tarefa fácil. A Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, por meio da Federação Brasileira de Psicanálise, aderiu ao projeto 'Solidariedade Social - SOS Manaus', que promove atendimento virtual para a comunidade diretamente afetada pelo novo coronavírus.

Após enfrentar um colapso no sistema de saúde e um cenário com muitas mortes durante a primeira onda da doença, nos meses de abril e maio de 2020, a capital amazonense atingiu, novamente, o pico de internações e vidas perdidas em 2021.

Em janeiro, Manaus voltou a registrar recordes de internações e sepultamentos. A situação foi agravada no dia 14, quando a falta de estoque de oxigênio levou pacientes à morte por asfixia.

"Solidarizada com o dramático panorama e diante da valiosa experiência adquirida com o projeto ‘Rede SBPSP: escuta psicanalítica em tempos de crise’, promovido em 2020, a SBPSP manteve o espírito de colaboração efetiva a esta nova iniciativa e, por meio da Diretoria de Atendimento à Comunidade – DAC, aderiu ao projeto de âmbito nacional ‘Solidariedade Social - SOS Manaus: sofrimento psíquico de bebês, crianças e adolescentes’”, afirma Carmen Mion, diretora presidente da entidade. 

Sob a coordenação da psicanalista Alicia Beatriz Dorado de Lisondo e apoio da área de Infância e Adolescência da Febrapsi, foi formada uma comissão para iniciar a proposta, destinada a bebês, crianças e adolescentes em sofrimento psíquico, filhos de pais gravemente doentes, internados ou que morreram devido à covid-19. O projeto também é destinado a cuidadores, educadores, famílias acolhedoras, profissionais do Judiciário, da Saúde, por exemplo.

"O projeto foi criado com o objetivo de oferecer atendimento emergencial diante das reações de pânico, angústias e terrores que a pandemia vem provocando. São trágicas as consequências, pelo número de pessoas falecidas sem as necessárias despedidas e rituais para elaborar o luto, pelo grande número de doentes, pelo colapso no sistema de saúde e pelos bebês, crianças e adolescentes que ficaram órfãos em meio a uma crítica situação social, política, educacional, sanitária e econômica", explica Alicia de Lisondo.

O atendimento é gratuito, 100% digital e dividido em quatro eixos: gestantes e bebês de 0 a 3 anos com as famílias; crianças de 3 a 11 anos; adolescentes e jovens de 11 a 21 anos e adultos que atendam a infância, sejam familiares, em escolas, creches, abrigos, no judiciário ou no serviço de saúde.

A depender do quadro, os pacientes poderão ser encaminhados a outros serviços de atendimento psicanalítico e interdisciplinar com pediatras, fonoaudiólogos, osteopatas, psicomotricistas, enfermeiros especializados em aleitamento materno, terapeutas ocupacionais e psiquiatras voluntários.

Interessados em receber o atendimento, bem como responsáveis por bebês, crianças e adolescentes, devem entrar em contato por mensagem de texto ou de voz pelo número (53) 98104-0202. As pessoas serão encaminhadas a um psicanalista, que combinará a forma de atendimento mais apropriada.