Cardiologista aponta colesterol elevado como um dos problemas mais comuns entre os esportistas

Murilo Busolin - Especial para o Estado de S. Paulo

Atletas olímpicos brasileiros não possuem estrutura de primeiro mundo, mas ganham medalhas

A estrutura para os atletas brasileiros não é das melhores, mas mesmo assim eles garantem pódios e medalhas.

A estrutura para os atletas brasileiros não é das melhores, mas mesmo assim eles garantem pódios e medalhas. Foto: Reprodução

Uma pesquisa observacional com cem atletas olímpicos - de esportes individuais -, feita pelo médico especialista em Medicina do Esporte e Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo,  Nabil Ghorayeb,  constatou que todos apresentaram o mesmo descontrole: nível elevado de colesterol.

Apesar de evitarem os alimentos óbvios que prejudicam uma alimentação saudável, os resultados apontaram um aumento no nível de colesterol que foi surpreendente para o médico. Além de colesterol elevado, os atletas observados possuem problemas de saúde como erros alimentares, infecções parasitárias intestinais e lombrigas.

O problema é apenas um indício da falta de acompanhamento médico especializado para os atletas que disputam os Jogos Olímpicos deste ano. "Atletas com menos de 35 anos estão com o nível de colesterol altíssimo por conta do hábito brasileiro de se alimentar mal, disse Nabil.

No Brasil, somente as equipes olímpicas, que são coletivas, possuem uma estrutura de atendimento médico de primeira linha, principalmente nas modalidades de vôlei e basquete. Já os atletas olímpicos de modalidades individuais dependem da sua pontuação para um melhor atendimento e acabam optando por um atendimento médico mais acessível. "Todos os atletas olímpicos tem o convênio, mas eles mesmo têm a liberdade de escolher os médicos e acabam, em sua maioria, preferindo os médicos privados conhecidos da família ou círculo social, sem qualquer experiência esportiva. O que acaba os prejudicando de uma maneira radical", enfatiza Ghorayeb.

"Nossa qualidade esportiva é uma das melhores do mundo, nossos atletas conseguem ganhar medalhas, o que chama muito a atenção, já que não temos estrutura de primeiro mundo. Eles conseguem dar o seu melhor, mergulhar de cabeça e ganham medalhas na frente do pessoal que tem 'staff'", completa.

De acordo com o cardiologista, o atleta olímpico tem boa índole, tem uma enorme vontade de vencer, mas é tratado de uma maneira informal pela população brasileira e pelos órgãos dirigentes. Eles têm de juntar muito dinheiro para poder fazer o exames específicos, lidam com dificuldade de locomoção e hospedagem para poder realizar os exames próprios.

Para Nabil, os esportistas não tem o preparo suficiente para eliminar esses costumes. "A higiene da alimentação é um problema muito grave e infelizmente muito comum dentre os brasileiros e que assola os nossos atletas olímpicos, talvez por conta de uma questão de cultura. Tem de saber onde comem, o que comem e a maior parte dos atletas não tem essa noção".

O especialista ressalta ainda que não adianta apenas prepará-los tecnicamente e fisicamente. "Temos que preparar os atletas como seres humanos, que comem e bebem, e o que eles ingerem fora de concentração vai acabar agravando em seu corpo e, consequentemente, em suas performances durante as competições, finaliza.