Painel genômico é a nova alternativa para a perda de peso

- O Estado de S.Paulo

Exercícios são definidos a partir do mapeamento, que revela como cada pessoa metaboliza açúcares, gorduras, nutrientes e vitaminas

O painel genômico é um teste que mapeia mais de 145 marcadores genéticos em nosso organismo e possibilita conhecer como cada pessoa metaboliza açúcares, gorduras, nutrientes, vitaminas e, a partir disso é possível definir os exercícios mais indicados para cada perfil. 

"Todos estamos acostumados a ouvir sobre genética. Mais precisamente sobre doenças genéticas, que até pouco tempo atrás nos lembravam doenças raras, doenças bastante graves", lembra o cardiologista Rafael Munerato. Em entrevista ao Programa Rota Saudável, da Rádio Eldorado, o médico explicou que depois do projeto genoma, que aconteceu de 1990 até 2003, todo o nosso DNA foi mapeado. E foram encontrados pequenas alterações. Essas discretas alterações, chamadas de polimorfismo, puderam ser associadas a doenças extremamente frequentes e algumas  outras condições do nosso dia a dia.

"Hoje em dia usamos esse painel para saber qual é o risco que uma pessoa tem de ter o colesterol mais alto, de ter glicose mais elevada, de ter uma ou outra resposta a alguns itens da nutrição e aos exercícios", revelou.

Teste mapeia mais de 145 marcadores genéticos no organismo humano

Teste mapeia mais de 145 marcadores genéticos no organismo humano Foto: Maggie Bartlett/NYT

Quando utilizamos o painel genômico para sugerir alimentação e exercícios adequados a cada perfil e, dessa forma, alcançar mais efetivamente os resultados desejados, temos a medicina personalizada.  "Todos os dados que estávamos acostumados a lidar são dados de estudos populacionais, então a medicina que a gente acostumou a fazer até hoje é uma medicina populacional em que as orientações são muito semelhantes a vários pacientes, inclusive em relação à nutrição e atividade física", lembra o cardiologista.

"O interessante deste painel genético é que ele avalia estes quase 150 itens individualizando as nossas respostas físicas a itens de nutrição e de exercício", argumenta Munerato. "É importante observar que há pessoas que tem uma propensão genética à ter uma resposta à gordura diferente da outra, à carboidratos, à vitaminas e estoques vitamínicos, propensão a buscar alimentos com mais frequência. Esse painel ajuda a ter essa abordagem mais personalizada", diz.

Ter o DNA mapeado é simples e indolor. Basta fornecer uma amostra de saliva, nem é preciso tirar sangue. Mas,  o teste pode 'doer no bolso'. O preço para ter o mapeamento genético ainda é alto por aqui. Varia entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil. O cardiologista justifica: "o preço é elevado mas já caiu demais, em 2000 2003 um painel genético ficava em mais de R$ 1 milhão. Com o tempo e a demanda deve baixar ainda mais, porque hoje os mecanismos de mapear são automatizados".