O estímulo do leite materno

ANA GABRIELA VEROTTI - O Estado de S.Paulo

No Dia Mundial da Amamentação, confira dicas e benefícios que a prática traz para mães e bebês

Em 1º de agosto comemora-se o Dia Mundial da Amamentação, prática essencial para a alimentação e o desenvolvimento dos bebês. O leite materno é considerado um alimento completo e é recomendado como única forma de alimentação dos recém-nascidos nos seis primeiros meses de vida. Algumas dúvidas, no entanto podem surgir quando o assunto é amamentar.

“Nós orientamos que as mães não ultrapassem 4 horas entre uma mamada e outra, porque o bebê pode ter hipoglicemia”, comenta Márcia Kuriki Borges, supervisora da equipe de enfermagem da maternidade do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim. “Se a última mamada do bebê foi às 6h, por exemplo, a mãe tem que amamentá-lo de novo até, no máximo, às 10h, mesmo que precise acordá-lo”, ela diz, para casos em que o bebê é mais sonolento.

Márcia explica que com o passar dos dias, o próprio bebê vai fazendo seu horário: “a orientação é de que a mãe faça livre demanda, ou seja, ofereça a mama quantas vezes o bebê quiser.” Ela só não pode servir de chupeta: “a mãe tem que estimular o bebê fazendo massagem nas costas, cócegas nos pés, ou até tirando a roupa dele para que ele fique desperto e mame", afirma.

A supervisora também explica que há uma maneira correta de o bebê segurar a mama. "O bebê tem que abocanhar a aréola, então tem que estar com a boca bem aberta. Se ele pegar só o bico, ele vai  mastigar o mamilo, e o atrito formará pequenas bolhas que podem rachar o bico. O bico racha porque o bebê não faz a boa pega", esclarece. A solução desse problema é corrigir a pega do bebê, monitorando a mamada. "Bebê que pega errado não consegue mamar uma quantidade suficiente de leite. Não existe leite fraco, leite que não é bom”, completa.

Há também maneiras corretas de segurar o bebê: em uma delas, a nuca dele fica na região do cotovelo da mãe e a barriga dele fica junto à da mãe, enquanto o braço que fica para baixo fica na lateral do corpo da mãe. Também é possível amamentar na posição invertida: o bebê fica lateralizado, sua barriga fica na lateral do corpo da mãe e o braço do mesmo lado segura o corpo do bebê. A mão da mãe apoia a nuca do recém-nascido, e o antebraço o segura. 

Quanto ao que se pode ou não ingerir, o recomendado é que as mães mantenham a boa alimentação feita durante a gravidez, reforçando a ingestão hídrica. "Pode comer e beber tudo, menos bebida alcoólica, medicação. É importante beber bastante líquido e até doces estão liberados de vez em quando", comenta Márcia.

De fácil digestão, o leite materno não sobrecarrega o estômago nem o intestino do recém-nascido, além de protegê-lo contra a maioria das doenças, por transmitir os anticorpos da mãe. "O colostro ajuda a amadurecer o sistema imunológico do bebê, e todo o exercício que ele faz quando está mamando exercita a musculatura da face", declara Márcia. Esta musculatura é responsável pela mastigação, fala e respiração do bebê, e o aleitamento materno promove a boa formação de músculos que fazem parte da boca, língua, lábios, bochecha e céu da boca, além da estrutura óssea crânio facial. “A amamentação ensina o bebê a respirar corretamente, pelo nariz, e não pela boca”, adiciona. A má formação dos órgãos da fala pode acarretar problemas ortodônticos, mordida aberta e fala tardia, que podem ser revertidos com acompanhamento fonoaudiológico.

Os benefícios não se limitam apenas aos recém-nascidos: "mães que amamentam diminuem a chance de ter câncer e mama, e nos primeiros dias, quando o bebê começa a mamar, há também estímulo para a liberação da ocitocina e da prolactina", informa Márcia. A ocitocina é o hormônio responsável por ajudar a ejetar o leite e a regredir o tamanho do útero da mãe, diminuindo o sangramento do pós-parto. Já a prolactina é responsável pela produção do leite. “Amamentar também desprende muita caloria, o que ajuda as mães a perderem peso”, completa.

Para mães que produzem muito leite, é possível armazenar e doar a quantidade em excesso para bancos de leite públicos: "hospitais como o Interlagos e o Leonor Mendes de Barros aceitam doações. A mãe entra em contato, o hospital vai até a casa dela fazer uma entrevista e colher alguns exames, e se tudo estiver bem, já começa a doação". O leite deve ser mantido dentro do freezer até que seja coletado pelos bancos de leite, quando então será pasteurizado e utilizado para amamentar bebês prematuros na UTI neonatal.