Moderação garante sucesso em tratamentos estéticos

- O Estado de S.Paulo

Dermatologista alerta para cuidados na hora de escolher e realizar procedimentos

Encontrar profissionais aptos a realizar peelings, preenchimentos, tratamentos a laser e aplicações de botox, nunca foi tão fácil. E isso se traduz na grande quantidade de procedimentos não-cirúrgicos feitos no Brasil em 2013: foram 653.121 operações do tipo. O país ocupa a vice-liderança no ranking, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps, na sigla em inglês), e só fica atrás dos Estados Unidos. Entretanto, os tratamentos, apesar de menos invasivos do que os cirúrgicos, requerem preocupação semelhante.

O paciente deve esperar, no mínimo, seis meses para a próxima aplicação de botox

O paciente deve esperar, no mínimo, seis meses para a próxima aplicação de botox Foto: Dr. Braun/Creative Commons

Em entrevista ao programa Rota Saudável, da Rádio Estadão, a dermatologista Samantha Enande alerta: apesar da ansiedade para os tratamentos estéticos, o paciente precisa procurar um bom profissional. Ele deve avaliar e indicar a melhor opção para tratar a pele, a idade certa e até a época do ano precisa ser levada em conta. “Todos querem fazer tudo. Mas tem que ter muito cuidado, porque não é para todo mundo”, alerta.

No verão, ela recomenda deixar os peelings de lado, devido à hiper-sensibilidade gerada no local. “O peeling é um procedimento que vai descamar a célula envelhecida”, explica. Há três graus: um mais leve, apenas para dar brilho à pele; um mediano, recomendado para manchas e acne; e, por último, um profundo, cujo objetivo é o rejuvenescimento, portanto indicado para idade mais avançada. Não podem receber sol. “Quem estiver pensando em fazer um peeling para rejuvenescer, vai descascar, descamar e ficar vermelho. Deve fazê-lo no inverno.” O peeling leve ou intermediário pode ser feito em outra época do ano, mas o uso do filtro solar é obrigatório todos os dias, várias vezes ao dia. Para pele sensível, mais avermelhada ou que tem muitos vasos sanguíneos aparentes perto do nariz, o peeling vai ser fator de irritação. “Pele de pessoas orientais ou morenas é mais difícil para trabalhar. Então a gente tem peeling específico para cada cor de pigmento de pele e para cada idade”, diz Samantha.

E os lasers? Esses aparelhos de alta energia são direcionados a uma cor específica. “A pele do bronzeado está cheia de pigmento estimulado, então o laser é para a pele bem branquinha. Tem laser que vai atrás de pigmento vermelho, que é usado nas estrias vermelhas ou em alguns vasinhos. Mas aquela pele também tem que estar com uma cor muito mais clara do que aquilo que ele vai tratar”, reforça Samantha. Portanto, peles escuras ou bronzeadas não podem ser alvo do tratamento, pois sofrerão queimaduras. Assim como o peeling profundo, o laser não combina com sol.

Outro tratamento popular é a aplicação da toxina botulínica - ou botox. Seus resultados duram mais ou menos três meses, e após esse período as rugas voltam. Apesar disso, o paciente deve resistir à tentação de fazer uma aplicação em seguida e esperar, no mínimo, seis meses para a próxima. “Tem que ter calma, para a gente não encontrar rostos deformados”, brinca. O importante é não exagerar.

Na mesma linha, vai o preenchimento. “Alguns duram um ano, outros um ano e meio, nove meses. O médico precisa saber quando foi o último. É bacana o paciente saber qual o nome comercial do produto utilizado, porque tem produtos que não combinam”, comenta. Conflito entre substâncias podem causar reações indesejáveis, como bolinhas visíveis e palpáveis. “São procedimentos que tem de estar bem esclarecidos: o que está colocando, respeitar um prazo e colocar um volume pequeno. Esperar o corpo aceitar, moldar.” Entre uma aplicação e outra, Samantha recomenda intervalo de um mês para avaliar a necessidade de mais aplicações. “Chegou naquele ponto que ficou bom, pare. Entre o ótimo e o horrível é uma distância minúscula. Tem que tomar cuidado, porque dá vontade de fazer mais. O médico tem que conscientizar o paciente de que o ‘mais’ não é o melhor. O melhor é quando ele fica bem.”