Maiores desafios para diabéticos são dieta restritiva e preço dos alimentos, diz pesquisa

Redação - O Estado de S.Paulo

Maioria dos pacientes acredita que controla corretamente a doença, que não tem cura, mas 25% admitem não seguir a dieta recomendada

Diabete não tem cura, mas tem controle, que inclui medicações e principalmente ter alimentação saudável. 

Diabete não tem cura, mas tem controle, que inclui medicações e principalmente ter alimentação saudável.  Foto: REUTERS/Radu Sigheti

O diabete atinge cada vez mais brasileiros - dados do Ministério da Saúde indicam que 8,9% da população tem a doença - e o mais comum é o tipo 2, no qual o corpo não processa corretamente a insulina ou não produz insulina suficiente. A doença não tem cura, mas tem controle - com medicação e principalmente com uma alimentação e hábitos de vida saudáveis.

Uma pesquisa da Minds4 Health encomendada pela Sanofi e divulgada nesta terça-feira, 25, entrevistou mais de 500 pessoas com a doença, entre homens e mulheres, e aferiu que 80% das pessoas entrevistadas acreditam que estão controlando a enfermidade corretamente, mas um quarto delas não segue a dieta recomendada e um terço não pratica exercícios físicos.

Além disso, 13% dos entrevistados admitiram que não vão ao médico regularmente - isso porque acreditam que a medicação, tanto oral como a insulina injetada, e a alimentação correta já são suficientes. A endocrinologista Denise Reis Franco, diretora coordenadora do Departamento de Educação da Associação Diabetes Brasil, alerta sobre a importância do acompanhamento médico.

"Os pacientes devem ser acompanhados regularmente para controlar o nível glicêmico, fazer exames. Na maioria das vezes, os pacientes se consultam com o clínico geral ou cardiologista. O ideal seria um endocrinologista, mas nem sempre essa especialidade está disponível. A diabete é uma doença crônica, tem necessidade de controle por muito tempo, é necessária uma adesão total das terapias. E se você puder associar esse tratamento com uma equipe multiprofissional, sem dúvidas os benefícios serão maiores", explica.

O acompanhamento médico é essencial assim como manter hábitos de vida saudáveis - o que nem todos os pacientes conseguem cumprir. Na pesquisa, três em cada dez pacientes disseram que não conseguem seguir o tratamento à risca. A maioria dos entrevistados (60%) alega que a principal barreira está na dieta restritiva, enquanto 21,7% culpam o preço dos alimentos e 5,7%, o preço dos medicamentos. Controlar a ansiedade também é uma questão apontada por 5,6% dos pacientes.

Por outro lado, sete em cada dez entrevistados disseram ter consciência das consequências de não tratarem corretamente a doença. Denise diz que algumas das complicações mais comuns da diabete, se não for controlada, são a cegueira, insuficiência renal, maiores chances de  enfartar e de ter um acidente vascular cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame. De acordo com a pesquisa, os problemas de visão, como a cegueira, são os mais preocupantes (42%).

"O importante é destacar que, apesar de não ter cura, hoje a gente tem cada vez mais opções de tratamento. O mais difícil é ter de fazer mudanças e não ter recursos, e hoje a gente tem recursos para controle. São terapias novas, injetáveis e orais, medicamentos acessíveis", ressalta Denise.