Leia o rótulo

Felipe Resk - O Estado de S.Paulo

Confira dicas para decifrar as informações confusas de embalagens de alimentos

O rótulo nutricional é o caminho mais fácil para comparar alimentos e fazer escolhas saudáveis, o que reduz o risco de doenças como obesidade, diabetes, câncer e hipertensão. O problema é que - com tantos números, termos estranhos, percentuais e asteriscos - entender a tabela impressa nas embalagens se torna, muitas vezes, uma tarefa para lá de complicada. Como fazer, então, para transformar todas aquelas informações em algo verdadeiramente útil?

Um passo importante, dizem especialistas, é abandonar uma prática bastante comum, mas pouco eficiente. “De nada adianta só passar a vista nas calorias e desconhecer qual é a fonte daquela energia”, comenta Gabriel Biancardi, nutrólogo do Hospital Nove de Julho. Na verdade, as calorias correspondem ao valor energético, ou seja, a quantidade de energia que o alimento oferece ao corpo. O nutrólogo explica que esse valor é calculado a partir da soma de todos os nutrientes. “Se o alimento tiver baixo teor calórico mas toda a energia vier de açúcar, ele vai ser pouco nutritivo”, justifica Biancardi. 
Além disso, é bom ter muita atenção na leitura das embalagens para não cair em “pegadinhas”. Quem alerta é o professor de direito do consumidor do Mackenzie de Campinas, Bruno Boris. “Muitas vezes a tabela nutricional de produtos diet, por exemplo, pode ser feita de maneira a induzir o consumidor ao erro, informando o valor calórico referente a uma porção menor do que a tradicional e, assim, dando a impressão de que se trata de um produto de baixo valor calórico, o que não é verdade”, diz. 
Segundo o professor, os rótulos são regulamentados pela Anvisa e existem certas informações que devem constar obrigatoriamente, como a presença de glúten, lactose ou fenilalanina na composição, além dos ingredientes utilizados, peso líquido, identificação de origem do alimento, prazo de validade e tabela nutricional. Entretanto, a lei genérica do Código de Defesa do Consumidor indica apenas que as informações sejam “corretas, claras e precisas”, sem entrar em maiores detalhes. Ainda assim, no caso de confusão ou desinformação nos rótulos, o consumidor tem o recurso de questionar o fabricante. “Por lei, desde que não se trate de uma fórmula ou segredo industrial, as empresas têm de prestar as informações requeridas pelo consumidor”, explica o professor. 
A tabela nutricional deve informar a quantidade de carboidrato (açúcar), proteína e lipídio (gordura), itens que formam o grupo dos macronutrientes. Todos são necessários para o bom funcionamento do corpo, mas o consumo precisa ser balanceado. E como saber o limite de cada? “Uma boa dica é olhar o Valor Diário no rótulo do produto”, diz Biancardi.
Na tabela, o Valor Diário é indicado pela sigla “% VD” e mostra, em percentual, o quanto uma porção de alimento contribui para o total de nutrientes que devem ser ingeridos diariamente. Em uma hipótese, se estiver indicado no rótulo “Proteína - 5%”, é preciso, então, consumir cerca de 20 vezes esse valor ao longo do dia. 
Para evitar cair em pegadinhas, Biancardi faz um alerta: “Os valores informados levam em conta apenas uma porção do alimento”. Isso significa que a quantidade de nutriente informada nem sempre considera um alimento inteiro, mas uma parte dele. Para se ter ideia, em um pacote de biscoito essa porção corresponde, em média, a apenas três unidades do produto. 
Outro ponto importante é que o rótulo apresenta informações padrão de consumo diário, mas cada pessoa deve seguir uma dieta específica, adequada às próprias necessidades nutricionais. Por isso, é indicado procurar auxílio profissional de nutricionistas e nutrólogos sempre que for fazer uma mudança de alimentação.