Ingestão de fibras ajuda a prevenir o câncer do intestino

- O Estado de S.Paulo

Segundo estimativas mundiais, o câncer colorretal é o terceiro tipo mais comum entre os homens e o segundo nas mulheres; chances de cura superam 60% quando feito o tratamento correto

Entre as medidas que auxiliam na prevenção do câncer de intestino estão a ingestão de fibras (de 25 a 30 gramas por dia), frutas e verduras (2 xícaras e meia por dia) e o baixo consumo de gordura, principalmente de origem animal, como carne vermelha e queijos

Entre as medidas que auxiliam na prevenção do câncer de intestino estão a ingestão de fibras (de 25 a 30 gramas por dia), frutas e verduras (2 xícaras e meia por dia) e o baixo consumo de gordura, principalmente de origem animal, como carne vermelha e queijos Foto: Miriam/ Creative Commons

 

De acordo com informações do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer colorretal é o terceiro mais incidente no Brasil, excluindo-se o câncer de pele não melanoma. Muito mais comum do que as pessoas imaginam, o câncer de intestino, como também é chamado, pode ser prevenido. Fábio Guilherme Campos, coloproctologista do Hospital 9 de Julho e presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), destaca a importância da realização do exame de colonoscopia para a prevenção da doença e cita alguns hábitos que ajudam a evitá-la. 

 

O especialista explica que, entre as medidas que auxiliam na prevenção do câncer de intestino estão a ingestão de fibras (de 25 a 30 gramas por dia), frutas e verduras (2 xícaras e meia por dia) e o baixo consumo de gordura, principalmente de origem animal, como carne vermelha e queijos. "A realização da colonoscopia a partir dos 50 anos, para quem não tem histórico familiar da doença, e a partir dos 40 para quem tem casos na família também é muito importante", afirma Campos. 

 

O Inca estimou, em 2014, o registro de 33 mil novos casos da doença. Ela fica atrás somente do câncer de próstata, com 69 mil novos registros, e do câncer de mama, com 57 mil. "Por isso, é importante que as pessoas saibam que esse tipo de tumor é passível de prevenção", diz o médico.

 

São considerados fatores de risco para o câncer de intestino: idade acima de 50 anos; dieta com alto teor de gordura e baixo teor de fibras; obesidade; sedentarismo; e tabagismo. Algumas doenças inflamatórias crônicas do sistema digestivo, como a doença de Crohn e a colite ulcerativa, também estão relacionadas ao câncer de intestino. Pessoas que possuem histórico da doença ou de pólipos intestinais na família precisam ficar mais atentas e procurar um coloproctologista. 

 

Exame. A colonoscopia é o exame indicado para a prevenção do câncer de intestino. Ela consiste na introdução de um tubo flexível no intestino que permite visualizar o órgão por dentro. Este exame também é tratamento, pois viabiliza a retirada de pólipos (tumores benignos) que sejam eventualmente encontrados. Essa ação é importante porque o tumor maligno se origina desses pólipos. 

 

O câncer colorretal geralmente não apresenta sintomas em estágio inicial. Por isso, é ainda mais importante o controle médico por meio da colonoscopia. A periodicidade do exame é definida pelo médico a partir do que for encontrado na realização da primeira colonoscopia. "O câncer de intestino, quando diagnosticado precocemente, tem cura. É preciso convencer as pessoas a fazer o exame, que é altamente efetivo", afirma Campos.

 

Quando não detectado inicialmente, o câncer de intestino pode causar perda de sangue nas fezes, dor abdominal, massa abdominal palpável, alteração do ritmo intestinal, emagrecimento e anemia não explicados por outras causas.

 

Uma vez detectada a doença, a recomendação mais comum é retirar o tumor. "O melhor tratamento é definido pelo médico de acordo com a situação e estadiamento do paciente. Existem casos em que a cirurgia pode ser considerada paliativa ou mesmo inviável, principalmente quando o tumor está muito avançado. De forma complementar, alguns pacientes podem ainda necessitar da quimioterapia e da radioterapia", explica o médico.

Entretanto, a maioria dos doentes serão operados e a chance de cura depende do estadiamento no momento da cirurgia. "É possível curar definitivamente mais de 60% dos pacientes. Mais ainda, o câncer do intestino pode ser operado por videolaparoscopia e também por cirurgia robótica, com grandes vantagens e benefícios", avalia o coloproctologista, que lembra ainda que o diagnóstico precoce pode fazer uma grande diferença nas chances de cura. 

Consultoria: Hospital 9 de Julho