Felipe Titto teve miocardite, inflamação facilmente confundida com ataque cardíaco

Luiza Pollo - O Estado de S.Paulo

Sintomas são parecidos, mas causas são distintas e consequências mais brandas; entenda as diferenças

O ator Felipe Titto, de 30 anos, afirma ter um estilo de vida saudável. Por isso, ficou surpreso com o diagnóstico inicial de enfarte

O ator Felipe Titto, de 30 anos, afirma ter um estilo de vida saudável. Por isso, ficou surpreso com o diagnóstico inicial de enfarte Foto: Reprodução/Instagram Felipe Titto

O ator Felipe Titto, de 30 anos, foi internado em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no domingo, 22, após sofrer fortes dores no peito e formigamento no braço esquerdo. Em posts no SnapChat e no Facebook, Titto afirmou que foi diagnosticado com enfarte do miocárdio - ataque cardíaco - e, ao mesmo tempo, relatou que está com suspeita de dengue há alguns dias. No entanto, a assessoria de imprensa do ator confirmou, nesta segunda-feira, 23, que ele teve uma inflamação no miocárdio, camada muscular do coração. A dengue ainda será investigada, mas o ator passa bem e já está em casa.

Roberto Cury, cardiologista do Alta Excelência Diagnóstica, explica que a dengue não causa um enfarte, mas pode, assim como outras viroses ou infecções causadas por bactérias, ter como consequência uma inflamação do miocárdio ou do pericárdio - tecido que reveste o coração. E o diagnóstico é facilmente confundido.

“O enfarte é uma obstrução das artérias coronárias”, explica Cury. “Tem que sair correndo para fazer o cateterismo. Mas, muitas vezes, o quadro de miocardite ou pericardite pode simular o de um enfarte, com dor no peito irradiando para o lado esquerdo”, completa. Foi exatamente o que aconteceu com Titto. 

Veja o vídeo postado por ele nas redes sociais na noite de domingo, 22:

O cardiologista diz, ainda, que mesmo o eletrocardiograma dos pacientes com a inflamação pode ser muito parecido com o de alguém que teve enfarte. No entanto, a miocardite e a pericardite têm consequências bem mais brandas. “É bem menos grave, mas há uma porcentagem de casos que podem se desenvolver para uma doença cardíaca”, afirma Cury. Além disso, o médico explica que o quadro é mais comum em adultos jovens, ao contrário do ataque cardíaco, que geralmente ocorre em pessoas mais velhas.

Enfarte em jovens. Apesar de ser mais comum entre adultos a partir dos 40 anos, o ataque cardíaco também pode ocorrer em pessoas mais jovens. Marly Uellendahl, cardiologista do Delboni Medicina Diagnóstica, explica que a percepção comum de que o episódio seja mais grave nesses casos tem fundo de verdade. “Quanto mais velha a pessoa, a tendência é de que a circulação colateral - ‘raminhos’ que vão nutrir o coração - esteja mais desenvolvida. Por isso, é verdade que no jovem o enfarte pode ser mais grave. No entanto, o risco de complicações no idoso é maior.”

A assessoria de imprensa de Titto explica que o ator ficou surpreso quando foi diagnosticado com enfarte, já que ele afirma que não fuma, não bebe, não usa drogas e nem anabolizantes. Além desses fatores, no entanto, a médica alerta que obesidade, dieta rica em gordura, estresse e mesmo tendência pessoal à formação de coágulos são fatores que podem contribuir para que uma pessoa jovem sofra um ataque cardíaco.

Prevenção. Uellendahl alerta que, a partir dos 20 anos de idade, é necessário fazer uma série de exames anualmente para acompanhar e evitar fatores que possam contribuir para um enfarte. Os eletrocardiogramas em repouso e de esforço, o ecocardiograma, além de diversos exames químicos indicados pelo cardiologista (como Glicose, PCR, colesterol, entre outros) e o coagulograma são essenciais, segundo a cardiologista.

Para pacientes com mais de 40 anos, com sintomas e histórico familiar, também é indicada a angiotomografia de artéria coronária, mas isso vai depender de resultados de exames prévios e dos sintomas do paciente - com avaliação do cardiologista. Caso o paciente seja assintomático mas tiver histórico na família, ele pode realizar também o exame de score de cálcio a cada 4 anos para avaliar o risco cardiovascular.

Dores fortes no peito, principalmente as que irradiam para o lado esquerdo do corpo, devem ser interpretadas sempre como sinal de alerta e o paciente deve ser levado imediatamente ao hospital.