Fazer exercício em casa pode ser perigoso; saiba quais cuidados devem ser tomados

Luiza Pollo - O Estado de S.Paulo

Postura, condicionamento e outros fatores precisam ser observados por profissionais 

A instrutoria de pilates Cassey Ho tem mais de 3,5 milhões de inscritos em seu canal, o Blogilates

A instrutoria de pilates Cassey Ho tem mais de 3,5 milhões de inscritos em seu canal, o Blogilates Foto: Reprodução/YouTube Blogilates

Sem precisar enfrentar a chuva, o trânsito e nem as conversas sobre whey protein, a ideia de comprar alguns halteres, um tapete de pilates e encontrar uma série de exercícios gratuita a poucos cliques de distância pode parecer tentadora. 

Instrutores no YouTube chegam aos milhões de seguidores, como a americana Cassey Ho, que criou o estilo POP Pilates. Com mais de 3,5 milhões de inscritos em seu canal, o Blogilates, ela cria calendários mensais com sequências de exercícios que podem ser feitos com um único item: um tapete de pilates. Quem acompanha o canal só precisa clicar na playlist daquela data, com os exercícios focados em uma parte do corpo - que muda a cada dia da semana - e malhar ao ritmo de músicas pop. 

Apesar de a instrutora ser certificada e insistir para o espectador prestar atenção na postura, corrigir a coluna e fazer uma pausa caso o músculo ‘x’ ou ‘y’ esteja doendo, Jorge Stenhilber,  presidente do Conselho Federal de Educação Física, alerta que apenas um profissional presente consegue perceber se a postura está perfeita. “As pessoas não têm condições de identificar qual intensidade e peso devem ser aplicados e, principalmente, se o exercício está sendo feito da maneira correta. Não dá para saber se você está sobrecarregando um lado ou outro, uma musculatura, uma articulação”, alerta.

O especialista afirma que as consequências de um exercício mal feito podem ser graves e, o pior, perceptíveis só no futuro. “Você pode sofrer consequências 20, 30 anos depois, principalmente na coluna. Posso não perceber que estou com um problema nas vértebras e daqui alguns anos sofrer muito por isso.”

A solução seria praticar uma modalidade mais leve, como a caminhada. Mas, para quem quer resultados mais rápidos, fica difícil fugir da musculação. Nesse caso, Stenhilber afirma que a melhor saída é fazer uma avaliação física com um profissional, conversar com ele sobre o treino mais adequado e deixá-lo acompanhar as primeiras sessões. “O ideal é sempre ter um profissional de Educação Física. Mas, se não for possível, que se faça pelo menos esse acompanhamento inicial.” Ele também explica que é aconselhável fazer uma reavaliação do treino periodicamente.

Além disso, é ideal procurar sites ou canais de instrutores formados e certificados. Além de Cassey Ho, outro exemplo é a sequência de exercícios de 7 minutos publicada pelo New York Times. “Ainda há risco, mas pelo menos o profissional saberá dar instruções precisas de como se posicionar, manter a postura correta e executar o exercício”, afirma o especialista.