Envelhecimento é interrompido aos 105 anos, diz estudo

Adele Lapertosa - ANSA

Pesquisa apontou ainda que os níveis de mortalidade são levemente mais baixos para as gerações mais jovens

As chances de alguém com 100 anos chegar ao próximo aniversário são de 60%, segundo relatório.

As chances de alguém com 100 anos chegar ao próximo aniversário são de 60%, segundo relatório. Foto: geralt/Pixabay

O limite biológico à longevidade humana é um mistério, se é que ele existe. Mas, de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade de Roma La Sapienza e publicada pela revista Science nesta quinta-feira, 28, uma vez que se chega aos 105 anos de idade, o envelhecimento é interrompido, já que o risco de morte é constante para os próximos anos.

Isso significa que, depois dessa idade, é praticamente impossível dizer qual será a duração da vida das pessoas. "Se existe um limite biológico para a vida humana, ainda não foi verificado", disse à ANSA a coordenadora do estudo, Elisabetta Barbi, do Departamento de Estatística da Sapienza.

A análise foi feita entre 2012 e 2015, com base em dados de 3.886 pessoas na faixa dos 105 anos, no mínimo. Com isso, os pesquisadores descobriram como a idade influencia no risco de óbito, mas que, em determinado momento (após os 105 anos), essa chance estaciona.

"Por exemplo, com 50 anos, o risco de morrer no próximo ano é três vezes maior do que quando se tem 30. E, quando chegamos nos 60 ou 70 anos, as chances de falecer dobram a cada oito anos. Se você for sortudo o suficiente para viver 100 anos, suas chances de chegar ao próximo aniversário são de 60%", diz o relatório.

Outro dado obtido com a pesquisa é que "para as gerações de nascimento mais jovens, os níveis de mortalidade são levemente mais baixos", falou Elisabetta. Um estudo similar sobre o perigo de óbito em idades mais extremas foi realizado com outras espécies de animais, como insetos, o que faz pensar que exista uma explicação do ponto de vista evolutivo para a interrupção da velhice.

A descoberta do limite para o envelhecimento, segundo Elisabetta, "não somente dá uma resposta clara e certa sobre as taxas de mortalidade, como é crucial para a compreensão dos mecanismos na base da longevidade humana e para o desenvolvimento futuro das teorias de envelhecimento".

Para ela, é a primeira "confirmação do papel desempenhado pela sobrevivência seletiva, ou seja, o fato de que sobrevivem os indivíduos menos frágeis ou vulneráveis às enfermidades ou à morte".