Efeitos da amamentação no Q.I. só duram até os 16 anos, diz estudo

Redação - O Estado de S.Paulo

Estudos anteriores haviam sugerido que crianças cuja alimentação é baseada na amamentação têm capacidades cognitivas mais elevadas, mas nova pesquisa mostra que efeito não é duradouro

Amamentação não influencia tanto no Q.I. quanto se imagianava, aponta novo estudo.

Amamentação não influencia tanto no Q.I. quanto se imagianava, aponta novo estudo. Foto: REUTERS/Juan Carlos Ulate

Alguns estudos sugerem que pessoas cuja alimentação nos primeiros anos de vida foi baseada na amamentação têm um Q.I. mais alto – porém um novo estudo, feito de maneira mais rigorosa e levando em conta aspectos familiares e socioeconômicos, descobriu que esse efeito é muito menos intenso do que se imaginava, e que só dura até os 16 anos.

O estudo, publicado na PLOS Medicine, foi realizado com 13.557 crianças recém-nascidas, separadas entre bebês que eram mais ou menos amamentados. Mães e filhos foram acompanhadas durante seis visitas pediátricas durante o primeiro ano de vida para verificar os hábitos de amamentação.

Aos 16 anos, as crianças foram testadas para medir a memória verbal e não-verbal, reconhecimento de palavras, funções de execução, orientação visual-espacial, rapidez no processamento de informações e habilidades motoras.

Os pesquisadores concluíram que não houve diferença de pontuação entre os dois grupos, exceto que as crianças alimentadas com amamentação tiveram um desempenho um pouco melhor na função verbal.

"Se você que amamentar na esperança de aumentar o nível das funções cognitivas, você pode observar alguns avanços nos primeiros anos, mas o efeito vai reduzindo substancialmente ao longo da adolescência. Outros fatores, como ordem de nascimento e educação influnciam mais", explicou o autor líder da pesquisa, Seungmi Yang, um professor assistente de epidemiologia na McGill University, em Montreal, Canadá, ao The New York Times.