Dor crônica atinge um terço da população

Luiza Pollo - O Estado de S.Paulo

Condição precisa ser tratada com medicamentos

  

   Foto: Reprodução/Pixabay

Dor é sempre sinal de que tem algo errado. De um pequeno corte a algo mais sério, como um tumor, a sensação que incomoda serve para alertar que alguma coisa no nosso corpo não vai bem. A chamada dor aguda “é uma resposta normal aos estímulos que temos no dia a dia e vai embora assim que se resolve o que a originou”, explica João Marcos Rizzo, anestesiologista especialista em dor do Instituto Hodie de Porto Alegre. 

No entanto, por diversos motivos, a dor pode persistir por períodos mais longos do que o esperado. O engenheiro Lécio Reis, 49, descobriu um tumor no pulmão no ano passado. Apesar de o câncer ter sido controlado, o tumor não foi retirado e a dor persiste. “É extremamente intensa. Para um pouco nas sessões de quimioterapia, mas volta com uma força enorme.”

Depois de três meses, segundo Rizzo, a dor aguda repetitiva pode ser chamada de dor crônica. Nesses casos, o sistema nervoso central do paciente sofre uma hipersensibilização aos estímulos e fica mais resistente a mecanismos que inibem a dor. 

“Diferente da aguda, que faz o paciente procurar um médico, a dor crônica afasta do convívio social. A pessoa perde a credibilidade”, explica o especialista. Segundo ele, mesmo o médico pode ignorar o problema quando não encontra a causa da dor.

Além da falta de credibilidade, muitos pacientes precisam lidar com o próprio preconceito em relação aos analgésicos opióides usados no tratamento, por medo do vício. “Eu era uma pessoa extremamente resistente a estes medicamentos, mas hoje percebo que estão aí para ajudar”, afirma Lécio.

A baixa taxa de prescrição desses remédios diminui a atenção do governo para a distribuição gratuita ou outras políticas no Sistema Único de Saúde, de acordo com Rizzo. “Por exemplo:  estamos aguardando parecer do Ministério da Saúde sobre a revisão do documento que padroniza o tratamento da dor crônica na rede pública – o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT)”.

Para chamar atenção para o problema, o dia 17 de outubro é considerado o Dia Mundial de Combate a Dor. O objetivo é conscientizar pacientes, médicos e autoridades sobre a dor crônica e melhorar a qualidade de vida daqueles que sofrem com a condição.

Essa também é a esperança de Lécio. Hoje, com o uso de medicamentos, o paciente consegue controlar a dor e espera contribuir para o debate sobre o tema. “Às vezes parece que a dor vai te dominar de uma forma que você vai precisar entregar os pontos e não vai ter mais jeito. Mas, independente da gravidade do seu problema ou da intensidade da sua dor, não deixe-a te dominar”.