Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez: saiba como cuidar da sua audição

Camila Tuchlinski - O Estado de S.Paulo

Perda ou diminuição da capacidade de ouvir pode ser causada por série de fatores

Saiba possíveis formas de prevenção contra a surdez e como detectar se está com a audição comprometida

Saiba possíveis formas de prevenção contra a surdez e como detectar se está com a audição comprometida Foto: Pixabay/williamsje1

A perda auditiva é uma das deficiências mais comuns na população brasileira. Em 10 de novembro, o País comemora o Dia de Prevenção e Combate à Surdez para conscientizar as pessoas sobre a importância de manter cuidados diários com a audição.

De acordo com o Ministério da Saúde, a deficiência auditiva ou diminuição da capacidade de ouvir pode ser causada por uma série de fatores: otites mal curadas ou de repetição; uso de remédios ototóxicos - prejudiciais à audição; problemas no tímpano, tumores, envelhecimento, frequentar ou trabalhar em locais barulhentos; uso contínuo de fones de ouvido em volume alto; hereditariedade, entre outros fatores. 

"Sempre que sentirem uma diminuição na audição ou zumbido, que pode ser o primeiro sinal de perda auditiva, as pessoas devem buscar a orientação de um médico otorrinolaringologista", explica a fonoaudióloga Marcella Vidal, da Telex Soluções Auditivas.

Apesar do distúrbio ser frequente em idosos devido à degeneração das células sensoriais da audição ou do nervo auditivo, a perda auditiva também pode atingir crianças, adolescentes e adultos; e isso já vem ocorrendo em escala cada vez maior por causa dos estímulos sonoros que nos rodeia.

A reportagem do Estadão enviou uma série de perguntas ao médico Eduardo Bogaz, otorrinolaringologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, sobre prevenção à surdez e como cuidar da saúde auditiva.

 

Como é possível prevenir a surdez?

O sistema auditivo sofre influência de fatores internos e externos. Cuidados relacionados à atenuação do estresse oxidativo, que leva a uma deterioração precoce de células e funções do organismo, como não fumar, controlar pressão arterial, glicemia e colesterol e não ingerir bebidas alcoólicas excessivamente contribuem para que uma pessoa geneticamente predisposta a ter uma perda auditiva induzida pela idade, o tenha de forma mais amena ou lenta, na análise de Eduardo Bogaz. 

“Vale lembrar que todas as pessoas, após certa idade (cerca de 40 anos) podem ter um declínio auditivo que faz parte do processo de senilidade e que pode ocorrer de forma mais ou menos rápida dependendo do estado de saúde e hábitos ao longo da vida”, acrescenta o médico.

Em relação aos fatores externos, o principal é o cuidado com a quantidade de exposição a ruídos ao longo da vida laboral ou mesmo social, lembrando que certas exposições, como excessos no uso de fones de ouvido, podem prejudicar a audição.

 

De que maneira a surdez afeta o dia a dia das pessoas?

A surdez afeta desde a infância até a terceira idade. “Em crianças em desenvolvimento, a perda auditiva antes dos dois anos de idade pode inviabilizar a aquisição de código linguístico oral, o que gera uma sequela importante do desenvolvimento humano para toda a vida. Quadros mais amenos ou em crianças mais velhas podem gerar grandes dificuldades de aprendizagem”, ressalta o otorrinolaringologista. 

No adulto em idade ativa, a perda auditiva pode gerar dificuldades de socialização ou desempenho laboral e no idoso afastamento e isolamento social e familiar, depressão.

 

O grau de surdez pode ser agravado com o passar da idade?

 Sim, a senilidade que são as alterações degenerativas que ocorrem no organismo humano mais acentuadamente após os 40 anos também afetam as células auditivas podendo levar a perda auditiva mais ou menos intensa dependendo de fatores genéticos, cuidados com a saúde geral citados acima e exposição a ruído excessivo ao longo da vida.

 

Como os pais podem perceber alguma dificuldade de escuta das crianças?

A perda auditiva pode gerar na criança muito jovem atrasos no desenvolvimento de fala, apesar de não ser a única causa, e na criança mais velha dificuldades na aprendizagem - também uma entre outras causas. 

Os pais podem perceber sinais em situações do cotidiano, como chamar e a criança não responder, ter dificuldade para atender um telefone ou escutar sons em volume muito alto.

 

Quais profissionais procurar ao receber o diagnóstico de perda auditiva?

 O tratamento da perda auditiva depende muito da intensidade do quadro clínico e idade do paciente. O médico otorrino sempre é quem faz o diagnóstico dentro do contexto de saúde geral do paciente e avalia outras comorbidades, e os profissionais de fonoaudiologia e audiologia, tão importantes quanto, auxiliam no diagnóstico e reabilitação do paciente tanto do ponto de vista auditivo quanto de aperfeiçoamento da linguagem oral. 

Outros profissionais como psicólogos e outras especialidades médicas podem ser necessários na reabilitação completa do indivíduo.

 

Como prevenir a surdez?

É possível adotar medidas de precaução para evitar a perda de audição precoce. A fonoaudióloga Marcella Vidal, da Telex, que é especialista em audiologia, dá algumas dicas:

• Em casa, modere o som da TV e de aparelhos sonoros (em volume de até 60 decibéis);

• Não ligue a TV, rádio, máquina de lavar, liquidificador e outros eletrônicos ao mesmo tempo;

• Evite o som muito alto no carro e circule com os vidros fechados para evitar os ruídos externos;

• Não deixe seus ouvidos se acostumam ao som alto: nem em casa, no carro, no trabalho. Preste atenção e proteja-se;

• Cuidado com a música alta nas academias. O barulho pode chegar a 110 decibéis. Proteger a audição também é cuidar do corpo;

• Evite permanecer por longos períodos em ambientes fechados com música alta ou ruídos em excesso;

• Em festas, shows ou micaretas, fique longe das caixas de som. Se houver zumbido nos ouvidos é sinal de alerta que deve ser investigado;

• Use protetores auditivos em você e, principalmente, nas crianças, quando estiver em locais muito barulhentos;

• Dê um descanso aos ouvidos. Mantenha-se em silêncio sempre que possível, principalmente depois de dias agitados. A prática traz uma série de benefícios, inclusive para a audição;

• Crianças, adolescentes e adultos que usam fones de ouvido com frequência correm maior risco de perda auditiva, principalmente ao ouvirem música em volume elevado e por horas seguidas. O limite máximo é de 85 decibéis por 45 minutos;

• Cuidado com objetos pontiagudos ou cotonetes na região da orelha. Eles podem empurrar a cera para o tímpano e até perfurar a membrana timpânica, afetando a audição;

• Cuidado com gripes, otites e sinusites mal curadas. Infecções frequentes ou que não foram devidamente tratadas podem causar danos à audição;

• Cuidado com medicamentos que podem causar danos à audição, como anti-inflamatórios e até aspirina, que tomados em excesso podem levar à perda auditiva;

• No ambiente de trabalho, não esqueça de utilizar protetores auriculares sempre que exposto a ruídos elevados;

• Atenção se você anda de motocicleta, principalmente as de média e altas cilindradas, pois emitem ruídos em torno ou acima de 95 decibéis, o que é prejudicial à audição;

• Quem tem mãe e/ou pai com problemas auditivos deve procurar um especialista com antecedência. Em muitos casos, a perda de audição é fator genético;

• Faça o teste da orelhinha no bebê logo após o seu nascimento, mas avalie novamente a audição na época da alfabetização. Criança que não ouve bem tem dificuldades na aprendizagem.