Dia Mundial de Combate ao AVC: saiba como prevenir e identificar sintomas da doença

Priscila Mengue - O Estado de S. Paulo

Problema atinge principalmente idosos com pressão alta, diabetes e sedentarismo; associação médica realiza atividades de prevenção no metrô de SP neste sábado, 29

Hipertensão é a principal causa de AVC

Hipertensão é a principal causa de AVC Foto: Reuters

Cerca de 17 milhões de pessoas sofrem um Acidente Vascular Cerebral (AVC) anualmente. Desse totoal, 6,5 milhões não resistem às sequelas do problema. O número parece alarmante, mas, segundo especialistas, pequenas mudanças na rotina, como a prática de exercícios físicos e a adoção de hábitos saudáveis, podem prevenir o aparecimento do problema neurológico, popularmente chamado de derrame. Para alertar a população sobre esse quadro, foi criado o Dia Mundial de Combate ao AVC, que ocorre sempre no dia 29 de outubro. 

O AVC é dividido em dois subtipos, o isquêmico e o hemorrágico. O primeiro caso é o mais comum e se refere à obstrução ou redução brusca do fluxo sanguíneo de uma artéria cerebral. O outro é o mais grave, sendo causado pela ruptura espontânea de um vaso dentro ou ao redor do cérebro, com o vazamento de sangue no organismo. Ambos podem ocorrer em qualquer hora do dia, inclusive durante o sono.

De acordo com a vice-presidente da Associação Brasil AVC (ABAVC), Carla Moro, a causa mais comum do problema é a hipertensão arterial sistêmica, também chamada de pressão alta, além do diabetes, do sedentarismo, da obesidade e da fibrilação arterial, que é um tipo de arritmia cardíaca. Outra influência pode ser o uso de pílulas contraceptivas: "Alguns anticoncepcionais podem causar o que a gente chama de estado pré-trombótico, aumentando a chance de fazer trombose, que nada mais é do que a eclosão de um vaso”, explica.

Segundo a especialista, o problema atinge principalmente idosos com mais de 65 anos, mas, em 10% dos casos, afeta também pessoas com menos de 45 anos. 

Identificação e tratamento. Os três sinais mais comuns do AVC são a mudança no sorriso, que se torna assimétrico, a perda de força em um dos braços e a dificuldade na fala, que pode se tornar enrolada. "Na identificação, o caminho certo é reconhecer os sinais e sintomas e, depois que existe essa suspeita, chamar a ambulância e levar a pessoa para um hospital de referência no tratamento do AVC", explica Carla Moro. 

Se a suspeita se confirmar, a médica alerta que é preciso iniciar rapidamente o tratamento das sequelas após o paciente ser avaliado por um fonoaudiólogo, um terapeuta ocupacional, um fisioterapeuta e um profissional da área de psicologia e neuropsicologia, que vai verificar se a pessoa consegue manter um raciocínio lógico. Além disso, é importante, também, identificar e tratar a causa do problema. "A maioria das pessoas acometidas por um AVC que tem a oportunidade de acesso a um plano de reabilitação adequado consegue uma recuperação parcial ou total”, explica.

Programação em São Paulo. Para ajudar na conscientização, a Academia Brasileira de Neurologia e a Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares realizam atividades em São Paulo, no Distrito Federal e outros 15 estados brasileiros durante o Dia Mundial de Combate ao AVC neste sábado, 29.

Na capital paulista, das 8h às 16h, médicos e estudantes de medicina aplicarão questionários informativos para frequentadores das estações Sé, Barra Funda, República e Tatuapé do metrô, além do Parque da Água Branca, na zona oeste. A programação completa está disponível em http://www.sbdcv.org.br/.