Conheça os principais cuidados ao se colocar piercings íntimos

Pedro Prata* - O Estado de S.Paulo

Piercings na região dos genitais, mamilos e língua exigem muita atenção com a assepsia para não haver infecções

Piercings podem causar infecções, sangramentos e feridas caso não sejam tratados corretamente

Piercings podem causar infecções, sangramentos e feridas caso não sejam tratados corretamente Foto: Pixabay / @rzlbrz007700

Os piercings íntimos, colocados na região dos genitais, nos mamilos e na língua, apresentam mais riscos de complicações por causa da anatomia dessas partes do corpo. Especialistas entrevistados pelo E+ disseram quais são os cuidados extras que se deve tomar após aplicar um piercing desse tipo.

Os genitais são órgãos extremamente irrigados por sangue. Por isso, a ginecologista Iara Moreno, membro da Federação Brasileira das Associações de Obstetrícia e Ginecologia, afirma que há risco maior de um sangramento que não seja o natural da própria perfuração. “A região da vulva é extremamente vascularizada, particularmente na região próxima aos pequenos lábios, então você pode ter um sangramento ou até, em alguns casos, uma hemorragia”.

Em contrapartida, a body piercer Adriana Angélica Vieira, profissional do Estúdio Escola Lenk Tattoo, em Santo André, diz que o principal fator de complicações não é a área do corpo onde o piercing é aplicado, mas sim as condições do estabelecimento e do profissional que fizeram o procedimento.

“Se o piercing for feito de forma correta, com o conhecimento anatômico da região que você está trabalhando, com conhecimento das características biológicas, se o profissional souber do histórico médico do cliente (se tem pressão alta, diabetes, risco de queloide), tudo isso influencia no modo como você vai aplicar o piercing”.

Os genitais ainda possuem outro agravante que é o risco de infecções. Esses órgãos possuem grande quantidade de bactérias e a perfuração poderia facilitar a entrada de microorganismos no corpo. “Pela própria área genital, existe a possibilidade maior de infecção. Por exemplo, se a pessoa teve uma relação sexual e machucou um pouquinho, pode haver colonização bacteriana”, explica o urologista Flávio Trigo, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo.

“Ao colocar um piercing, você quebra a barreira de proteção da mucosa, que é uma barreira importantíssima. Então existe, sim, a possibilidade de infecções”, completa Iara.

A ginecologista ainda aponta que muitas mulheres possuem quadros de alergia genital e, por isso, o material do piercing é mais um aspecto importante para se levar em conta ao perfurar. Materiais como titânio, ouro e aço cirúrgico tem menor probabilidade de causar alergias.

Quanto a piercings no mamilo, o risco do profissional perfurar alguma estrutura importante é muito baixo. Contudo, a diretora da Sociedade Brasileira de Mastologia, Mônica Travassos, explica a necessidade de uma boa assepsia após a aplicação.

“A mama é uma glândula sudorípara modificada. Isso quer dizer que ela produz suor. Se a mama é isso e faz com que haja um líquido normalmente, se você tem um piercing ali que você não faça uma assepsia ideal, você tem uma chance aumentada de infeccionar”.

Mônica ainda falou sobre mulheres grávidas que queiram aplicar piercing no mamilo. A recomendação médica é que não se coloque durante a gravidez porque os seios ficam inchados e há maior risco de infecção. Por outro lado, no caso das mulheres que já têm o acessório e ficam grávidas, não é necessário retirar o piercing. “Espera-se que a mulher que tem o piercing no bico do seio e engravida, já esteja acostumada a se preocupar com assepsia”. Após o nascimento da criança, a mulher deve retirar o piercing para dar de mamar e, após fazer a assepsia, pode colocar novamente.

Adriana conta que o estúdio onde trabalha capacita pessoas que queiram se tornar body piercers. Ela diz que a técnica de colocação de piercings corporais avançou muito e, atualmente, há preocupação maior com questões de higiene e saúde. Porém, como a profissão ainda não é regulamentada, é preciso se informar sobre o histórico do profissional e as condições sanitárias do estabelecimento para evitar problemas.

Ela observa que cerca de 10% de todos os piercings aplicados em seu estúdio apresentam alguma complicação. No entanto, disse que todos esses casos ocorrem por causa de alguma falha nos cuidados pós-perfuração por parte do próprio cliente. Por isso, faz-se necessário prestar atenção aos cuidados de higiene e saúde que o body piercer aconselha após a perfuração. O E+ preparou uma galeria com as principais recomendações para quem possui piercings íntimos:

 

*Estagiário sob supervisão de Charlise Morais