Conheça os benefícios de levar seu pet para o trabalho

Jéssica Lopez - Especial para o Estadão

É possível ter boa performance profissional e ter seu amiguinho por perto num ambiente limpo e seguro? Com poucas adaptações e muita vontade é possível, sim

Silvio e Stella com seus cães Cacau e Jamón

Silvio e Stella com seus cães Cacau e Jamón Foto: Arquivo pessoal

Adotar um cão ou gato é sempre uma ótima ideia. Ter a companhia de um bichinho em casa, no parque, com crianças é sempre uma oportunidade muito bonita e deixa a vida mais leve. Mas, e quando bate a preocupação em ter de trabalhar e deixar seu cachorro ou gato em casa? Saiba que existem formas de ter boa performance no trabalho, manter a concentração nas atividades e ter seu pet ali pertinho, olhando e interagindo no ambiente corporativo?

Foi na tentativa de responder essas questões que Silvio Sallowicz, CEO da Duo & Ecco, empresa no seguimento de viagens de incentivo e capacitação, abraçou a ideia e quis fazer da sua companhia um lugar pet friendly. “A ideia surgiu quando eu ganhei uma cachorrinha de um amigo, só que eu percebi que ela ficava muito triste, já que ela ficava em casa e eu só chegava a noite. Eu pensei: bom, como o prédio onde fica o escritório permite a entrada de cachorro e gato, acabei levando ela para o trabalho”, diz Silvio, que está com a pequena Cacau, uma cachorra da raça buldogue francês há três anos. Segundo ele, ela vai para o escritório todos os dias.

Silvio relata que a presença de Cacau mudou o clima das pessoas no escritório, ficou uma empresa mais humana, com mais empatia. De acordo com um estudo da Universidade Commonwealth da Virginia, nos Estados Unidos, funcionários que levam seus cães para o trabalho têm menores níveis de hormônios ligados ao estresse. Isso faz com que colaboradores trabalhem mais felizes. “Hoje você percebe os funcionários brincando com a Cacau. Como eu levei ela, a gente liberou para os outros colaboradores levarem seus cachorros. Já chegou a ter dias lá com três, quatro cachorros no ambiente de trabalho”, afirma Sallowicz.

 

Silvio segurando a Cacau no colo

Silvio segurando a Cacau no colo Foto: Arquivo pessoal

 

O CEO da Duo & Ecco afirma ainda que a presença de animais de estimação ajuda a manter o ambiente mais descontraído, menos tenso e, em alguns casos, ajuda no processo criativo para produção de trabalhos: “A gente tem um departamento na empresa de criação. De logos, de arte. Às vezes eles travam e pra sair uma boa ideia, geralmente eles pegam a Cacau, colocam a coleira e dão um passeio com ela, uma volta no quarteirão e voltam com as ideias oxigenadas”, afirma Silvio.

Animada com a ideia de também levar seu cachorro para o trabalho, Stella Guatelli, coordenadora de Incentivo e Turismo da Duo & Ecco foi a primeira a plantar a semente em Silvio sobre a empresa em que trabalham ser amiga dos animais. Ela é tutora de Jamón, que também é um buldogue francês, de cinco anos. “O Jamón está com a gente desde 2018. Eu e o meu marido temos uma rotina de trabalho, nós não trabalhamos em casa desde antes da pandemia. O meu cachorro ficava com a minha sogra e eu comecei a insistir com o Silvio pra começar a trazer ele e não precisar deixá-lo numa escolinha ou com a minha sogra. Comecei a trabalhar isso na cabeça dele até que um dia eu consegui convencê-lo de trazer o Jamón, inclusive consegui convencê-lo de ter um cachorro também e a Cacau, que é a cachorra dele, é da mesma raça do Jamón”, lembrou Stella.

Tornar-se uma empresa amiga dos cães rendeu bons desafios, como a ação para ajudar cachorros de uma instituição de abrigo para animais abandonados. “Em 2018, promovemos um desafio interno, dividimos a agência em grupos e cada um tinha um tema. Um dos temas era promover uma ação beneficente. E um grupo teve essa ideia de promover uma ação pra ajudar uma instituição de cachorros e a gente foi aperfeiçoando esse plano,” continuou a coordenadora de incentivo e turismo.

Stella acrescenta que todos arrecadaram comida e rações para  caridade. Promoveram um dia com todos os cachorros dos colaboradores na festa. Fizeram brincadeiras, costuraram cobertores, bandanas. “A gente colocava lacinhos, uma rendinha. Transformamos uma ideia num evento beneficente pra ajudar uma instituição e a partir desse evento a gente tornou parte da rotina à vinda dos cachorros na agência”, continuou.

 

Stella Guatelli com Jamón no seu colo e Cacau dormindo abaixo

Stella Guatelli com Jamón no seu colo e Cacau dormindo abaixo Foto: Arquivo pessoal

 

Para Silvio e Stella adaptar uma empresa para ser pet friendly não tem custos muito grandes nem precisa de grandes reformas ou construções, o que é necessário é vontade. Entretanto, alguns cuidados pontuais precisam ser observados: “tem algumas regras que precisam ter. Não pode cachorro muito grande, o tutor é responsável por cuidar do cão durante a estadia dele na empresa com água e comida, precisa ser castrado e vacinado, mas a gente percebe que todos os colaboradores acabam ajudando a cuidar”, acrescenta Silvio.

Além de ajudar na produtividade e no alívio do estresse, a presença dos pets no ambiente de trabalho auxilia na socialização das pessoas, aumenta a concentração e o raciocínio, melhora a imagem da empresa e atrai talentos. Silvio relata que na entrevista com novos colaboradores já percebe se gostam ou não de cães. “A Cacau que os recebe na porta e a gente já vê a reação das pessoas”, pontuou Silvio.

Stella afirma que ter cães nas empresas pode incentivar a adoção responsável e afasta a ideia de que um ambiente com animais não pode ser limpo e arrumado. “Eu acho importante o cachorro (no ambiente de trabalho). Ele vem pra trazer leveza. Então, as pessoas podiam começar a enxergar isso. Ele traz alegria, o cachorro é um bicho extremamente inocente, dócil. Que tá ali pra te fazer essa troca de amor puro. E as pessoas poderiam enxergar mais isso. O ambiente com amor fica muito mais feliz.”

A coordenadora de incentivo e turismo da empresa relembra que estar perto de cães e gatos também faz parte de preservar e respeitar a natureza: “tem sempre alguém que fala: ‘você já abraçou uma árvore hoje?’ Mas eu também diria: ‘você já abraçou seu cachorro hoje?’ Porque quando a gente abraça eles, muda tudo.”