Conheça melhor o seu corpo antes de praticar exercícios físicos

- O Estado de S.Paulo

Segundo especialista, exercitar-se em parques ao ar livre, sem acompanhamento médico, pode ser um perigo à sua vida

Exercícios podem ser perigosos?

Exercícios podem ser perigosos? Foto: Pixabay

O médico especialista em Medicina do Esporte e Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo,  Nabil Ghorayeb, apresentou alguns dados alarmantes sobre a morte de praticantes de exercícios físicos em 2016. Segundo ele, a média anual é de 29 mortes mas, durante uma pesquisa de rotina ele constatou que apenas nos primeiros cinco meses deste ano 20 esportistas morreram no Brasil, sendo quatro apenas em Campinas, cinco na capital de São Paulo e um no Rio de Janeiro.

Os dados para a pesquisa foram apurados pelo próprio Nabil através de uma rede de relacionamento com esportistas em todo o País, ou seja, cada vez que alguém passa mal em um evento ou treino, ele é informado.

De acordo com a Lei Federal nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, o Estado tem o obrigação de garantir a saúde da população, formulando e executando políticas públicas que visam ações capazes de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde.

Em meio a isso, surgiu a portaria nº 2.488/11 da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) do Ministério da Saúde, que prevê a formação de academias públicas no Brasil, desde o ano de sua publicação em 2011. Por ser uma portaria, não tem poder de lei, mas foi criada para ajudar os municípios, que são verdadeiros responsáveis no dever da promoção da saúde.

"Desde a criação de todas essas leis, foram instaladas cerca de 3 mil academias ao ar livre por todas as cidades do País, mas sem o mínimo de suporte  para a pessoa que deseja ter um estilo de vida mais saudável", afirma o cardiologista.

O médico afirma que os dados apresentam uma falta de critérios e informações por parte das pessoas que procuram se exercitar nesses parques ao ar livre.  "O problema é que não basta entregar a academia para o público e exigir a presença de um profissional de educação física, se ele não tiver o mínimo de treinamento em salvamento e o principal: ter um desfibrilador e saber usá-lo em casos de ressuscitação".

Alerta. A ausência de uma equipe ou mesmo de uma pessoa treinada para socorrer vítimas em caso de paradas cardíacas ou problemas parecidos acaba tornando a prática de exercícios físicos sem supervisão médica, uma espécie de perigo para a vida das pessoas que decidem se exercitar sem ao menos fazer uma consulta médica.

Ghorayeb enfatiza: "O brasileiro tem o costume de procurar melhorar a sua saúde por conta própria, tem essa vontade de melhorar seu bem-estar, mas é preciso antes passar por uma consulta médica, ainda mais a partir dos 40 anos".

Segundo o médico, o profissional de educação física que estiver presente no parque, necessita acompanhar os praticantes um a um, informando a maneira correta de utilizar os aparelhos e a quantidade de vezes que os praticantes necessitam repetir durante o treino ao ar livre.

"Você deve conhecer seu próprio corpo antes de tomar a postura de realizar atividades, o corpo humano é complexo. A recomendação da sociedade médica é de uma avaliação médica e um eletrocardiograma como requisitos mínimos para uma pessoa se aventurar na prática de exercícios físicos", finalizou o especialista.