Como ensinar felicidade aos filhos

Lauren Knight - O Estado de S.Paulo

Podemos inspirar criativamente cultivando o humor, a curiosidade e a mentalidade aberta em casa

Oliver feliz

Oliver feliz Foto: Lauren Knight

Quando penso no que quero para meus filhos enquanto eles crescem, penso no tipo de pessoa que eu gostaria que eles se tornassem: adultos bondosos, ponderados e gratos, que riem com frequência e sentem paixão pela vida. Espero que eles se cerquem de tudo que lhes traga alegria, que encontrem uma carreira que amam e que criem relações significativas com pessoas que gostem deles tanto quanto eu. Sobretudo, quero que eles sejam felizes.

Como pais, é nossa função guiar nossos filhos em muitas áreas. Nós os treinamos para usar o banheiro, os ensinamos boas maneiras e asseio pessoal, os ensinamos a ler, o que fazer numa emergência, como cruzar a rua em segurança. Poderíamos ensiná-los a como tocar um instrumento musical ou praticar um esporte que amávamos quando estávamos crescendo. Mas será que podemos ensiná-los a serem felizes?

Mike Ferry, um veterano professor no ensino médio, pai de quatro filhos e autor de Teaching Happiness and Innovation (Como ensinar felicidade e inovação, em tradução livre), sustenta que sim. Ao contrário do que muitos acreditam, o sucesso nem sempre traz felicidade, mas pesquisas mostram que o inverso é verdadeiro - pessoas mais felizes são mais propensas a serem bem-sucedidas na escola, no trabalho e nas suas vidas pessoais. Ferry define felicidade como "uma perspectiva de vida otimista, comunal e disciplinada".

Quanto mais felizes somos, mais bem sucedidos nos tornamos. E Ferry explica que, graças à plasticidade de nossos cérebros, felicidade e inovação podem ser ensinadas, nutridas e praticadas. Ele chega a dizer o que Shawn Achor, autor de The Hapinness Advantage (A vantagem da felicidade) expressou: que quando estamos num estado de espírito positivo, "nossos cérebros se tornam mais engajados, criativos, motivados, enérgicos, resilientes e produtivos no trabalho."

Ocorre que podemos ensinar nossos filhos a serem felizes encorajando certos hábitos.

Emir e sua felicidade

Emir e sua felicidade Foto: Lauren Knight

O primeiro é a gratidão. Ensinar filhos a serem gratos num mundo de superabundância pode parecer uma tarefa assustadora. É fácil ser sugado para a mentalidade de consumo da sociedade; as crianças estão constantemente inundadas pela ideia de que mais é melhor e que elas precisam da próxima engenhoca ou brinquedo novo e depois do seguinte.

Mas a importância de dizer não aos filhos para instilar uma atitude de gratidão não deve ser exagerada. Ajude-os a focarem em serem gratos pelo que já têm e não pelo que querem ter em seguida. Outra maneira de ensinar isto é adquirir o hábito de observar um "momento de gratidão" a cada dia. Isto pode ser ao despertar ou quando a família se reúne em torno da mesa de refeições. Tirar um momento para refletir e depois dar um giro para as pessoas à mesa se alternarem compartilhando uma coisa pela qual são gratas. Para os filhos mais velhos, encoraje-os a manter um diário de gratidão. Praticar a gratidão diariamente pode reconectar o cérebro para reconhecer a apreciação em vez de afundar nas decepções. E nós ficaremos mais felizes.

A gentileza é outra habilidade que podemos ensinar aos nossos filhos para ajudá-los a encontrar uma maior felicidade. Ferry salienta pesquisas que mostraram uma relação entre a dopamina química cerebral do "estar bem" com a gentileza. Agir com gentileza aumenta o fluxo de dopamina no cérebro da pessoa gentil, fazendo-a se sentir feliz.

Podemos encorajar a gentileza nos filhos principalmente pelo exemplo em nossas casas. Ser gentil, especialmente durante discordâncias, e exaltar até os menores atos de gentileza. Ensinar tolerância, ressaltar oportunidades de retribuir a comunidade e se colocar como voluntária como família, se possível.

Casas felizes também podem inspirar mentes criativas. Nossos cérebros, e os de nossos filhos, são mais receptivos a informações novas quando estamos relativamente tranquilos, felizes e engajados, segundo Ferry. Isto significa que a felicidade é crucial para o aprendizado e o pensamento crítico. Podemos inspirar criativamente cultivando o humor, a curiosidade e a mentalidade aberta em casa.

O encorajamento de ideias criativas dos filhos pode vir na forma de sua inclusão em decisões familiares (como planejamento de férias ou o projeto dos quartos de dormir). Também se podem jogar jogos que envolvam questões abertas para inspirá-los a pensar criticamente. 

Ajuda também conceder tempo suficiente para os filhos fazerem brincadeiras não estruturadas. O livro de Ferry contém uma lista maravilhosamente detalhada de sugestões e exemplos.

Devemos celebrar também as pessoas não convencionais em nossas vidas falando sobre como algumas das pessoas mais não convencionais do mundo tiveram grande impacto (pensem em Mahatma Gandhi, Albert Einstein, Nelson Mandela e Thomas Edison).

A felicidade não é uma coisa que cai do céu e no colo de nossos filhos. Ela é um estado de espírito maravilhosamente complexo que pode ser fortalecido pela prática. E estou pronta a apostar que todos nós queremos que nossos filhos experimentem a felicidade e a alegria de viver.

Lauren Knight é escritora e mãe em tempo integral que mantém o blog CrumbBums.com.

Tradução de Celso Paciornik