Como cuidar da saúde mental das mulheres com câncer de mama?

Camila Tuchlinski - O Estado de S.Paulo

Pacientes precisam se reencontrar com a feminilidade, que vai além de seios, cabelos e longos cílios

A feminilidade vai além dos seios, cabelos e cílios longos.

A feminilidade vai além dos seios, cabelos e cílios longos. Foto: Pixabay

No Brasil, 28,1% dos casos de câncer são de mama, um porcentual mais elevado do que a média mundial, que chega a 25%. Quanto antes for detectado, maior a chance de cura. Apesar dos inúmeros avanços no tratamento do tumor, a notícia de um diagnóstico positivo ainda assusta muitas mulheres. O caminho trilhado durante o tratamento pode ser um fardo pesado demais para carregar. E a mente precisa estar saudável para não padecer com o problema.

Sessões de quimioterapia poderão provocar a queda de cabelo, irritação da pele e a perda da energia. Ao mesmo tempo, como manter a autoestima? A terapia pode ser um caminho. "Na clínica, a mulher é convidada a refletir sobre o lugar da sua feminilidade: para além de seios, cabelos e cílios longos, o que é ser mulher? Essa resposta, sempre individual e única, levará a essa mulher a possibilidade de se reconhecer e se amar, na saúde e na doença", explica a psicanalista Debora Damasceno, coordenadora da Escola de Psicanálise de São Paulo.

Outubro é o mês de conscientização sobre o câncer de mama.

Outubro é o mês de conscientização sobre o câncer de mama. Foto: Pixabay

Pudores e crenças podem atrapalhar a mulher na realização do autoexame. "Entender que a doença não é fruto de nenhum mal pensamento e de nenhuma má ação, mas uma contingência que vai acometer um certo número de pessoas, se responsabilizar pelo próprio tratamento e se comprometer com o cuidado de si são, por assim dizer, as competências que queremos desenvolver durante o processo de tratamento. E também depois, no período da cura", reflete a psicanalista.

A importância do autoexame e da realização de diagnósticos clínicos são temas recorrentes durante o Outubro Rosa. Apesar da campanha intensa que ocorre neste ano, existe a necessidade de se discutir também um assunto considerado tabu: a vida sexual das pacientes que têm câncer de mama.

"Depois do tratamento vem a vida e suas angústias. É um mecanismo normal da nossa mente construir como medos futuros situações dolorosas do passado. Na terapia, a percepção temporal é reestabelecida junto com o reconhecimento da própria capacidade de superação da doença e condições insatisfatórias da vida cotidiana", conclui Débora.