Cirurgia estética a um clique de distância

Janet Morrissey - The New York Times

Site que oferece uma maneira mais fácil e mais eficiente para conectar médicos a novos pacientes que procuram a cirurgia plástica

Dr. Gary Breslow, à direita, co-fundador do Zwivel, e Scott Kera, seu chefe operacional

Dr. Gary Breslow, à direita, co-fundador do Zwivel, e Scott Kera, seu chefe operacional Foto: An Rong Xu/The New York Times

O mundo da cirurgia estética - sejam injeções de Botox para as rugas, implantes nos seios ou um face-lift total - dificilmente seria uma candidata natural para o interesse de empresários de startups.

Mas ela não se limita mais a personalidades e socialites ricas: nos últimos anos, chegou às massas graças a programas de TV como "Botched" e "Extreme Makeover", além de anúncios que promovem os mais recentes produtos cosméticos que desafiam a idade.

Como resultado, há mais gente interessada, que vai de médico em médico para obter informações em consultas que podem custar até 500 dólares cada.

Foi por isso que o Dr. Gary Breslow, cirurgião plástico em Paramus, Nova Jersey, e o amigo de longa data, Craig Abramowitz, criaram o Zwivel, um site que oferece uma maneira mais fácil e mais eficiente para conectar médicos a novos pacientes que procuram a cirurgia plástica.

O Zwivel não é apenas uma plataforma de busca do tipo "encontre um médico", nem um site de telemedicina como o HealthTap, em que os profissionais dão aconselhamento a pacientes através de chats online.

Assim como o Match.com possibilita que estranhos pesquisem e avaliem parceiros em potencial, o Zwivel faz com que pacientes e médicos se conectem e respondam perguntas antes do agendamento de uma cirurgia.

O site permite que os pacientes verifiquem as credenciais dos médicos, enviem fotos ou vídeos de si mesmos para profissionais determinados e consigam respostas às perguntas sobre procedimentos estéticos e preços, tudo de graça.

Existem agora cerca de 1.400 médicos e mais de 28 mil pacientes registrados no Zwivel que, ao final de 2015, seu primeiro ano de existência, contava com 800 médicos e 6.100 pacientes, disse Scott Kera, o diretor de operações.

A empresa ganha dinheiro através da cobrança de uma taxa de assinatura mensal de 495 dólares para os médicos, mas o site é gratuito para os pacientes. Também recebe um pequena parcela das empresas que financiam os tratamentos - CareCredit e Prosper Healthcare - caso os pacientes usem uma delas para financiar os procedimentos estéticos.

Nascido em New Hyde Park, Nova York, Breslow, 45 anos, formou-se na Universidade Brown, em 1993, e na Escola de Medicina da Universidade de Nova York, em 1998. Terminou a residência em cirurgia plástica no Hospital da Universidade da Pensilvânia em 2004, além de uma especialização em cirurgia microvascular reconstrutiva na NYU antes de começar sua própria clínica, em 2005. Porém, logo acabou se frustrando com o processo de consulta.

"Apenas uns 36 por cento das pessoas que vêm acabam passando por um procedimento", disse Breslow. Ele atribui essa baixa taxa ao fato de as pessoas terem pouca informação prévia sobre preços e sobre o que pode ser feito.

"O paciente severamente obeso às vezes acha que a lipoaspiração é a resposta, mas aí digo a eles que precisam é de emagrecimento. Tem também o que acha que vai pagar 200 dólares por uma cirurgia de 20 mil dólares", disse Breslow.

Ele criou o Zwivel com a ideia de que, se os pacientes tivessem uma maneira mais rápida e mais fácil de ver as credenciais dos médicos e de obter respostas às suas perguntas sobre procedimentos cirúrgicos e preços com antecedência, estariam mais bem informados e mais propensos a passar pelo procedimento quando chegarem à consulta.

Mesmo assim, iniciar o Zwivel foi um longo processo. Em 2012, com 250 mil dólares do próprio bolso, Breslow e Abramowitz contrataram duas equipes de programadores e designers de site durante mais de dois anos. Ninguém conseguiu fazer o site.

Em 2014, Kera, que anteriormente havia fundado e vendido outra startup de tecnologia, juntou-se a eles e montou uma equipe que construiu o site em seis meses.

A empresa dispensou as taxas de inscrição dos médicos em 2015, durante a construção do site. Desde a introdução do encargo, em fevereiro, recebeu 70 novos médicos. A receita do Zwivel, que totalizou 427 mil dólares desde fevereiro, deverá superar o primeiro milhão este ano, 4 milhões de dólares em 2018 e 15 milhões de dólares em 2020, disse Breslow.

Breslow e Abramowitz levantaram 3 milhões de dólares em financiamento com amigos e familiares em 2015 e mais 2 milhões de dólares em 2016.

O Zwivel faz sua propaganda em convenções e inserções em canais nacionais de TV, como Bravo, Lifetime e E, além de anúncios no iHeartRadio, mas muitos pacientes o encontram através de pesquisas na web.

Quando Amber Ingerman decidiu fazer uma cirurgia de implante nos seios em 2015, contatou 12 médicos e passou por cinco consultas formais nos consultórios. Ela acabou pagando cerca de 500 dólares pelas consultas - e mesmo assim não havia encontrado um cirurgião do qual gostasse.

"Estava me sentindo frustrada. Há 10 anos eu pensava em fazer essa cirurgia, mas não queria que qualquer um me tocasse", disse Amber, 29 anos, que mora em Fort Worth, Texas. Então, no começo de 2016, ela descobriu o Zwivel enquanto navega pela internet para obter informações sobre médicos.

Amber ficou impressionada com a resposta e as credenciais de Rod Rohrich, proeminente cirurgião plástico em Dallas, que estava no Zwivel. Ela imediatamente marcou uma consulta formal com ele e fez a cirurgia, um mês depois. "A demanda pela cirurgia estética é cerca de 20 a 30% maior que antes da recessão", disse Rohrich. Houve 15,9 milhões de procedimentos estéticos feitos nos Estados Unidos em 2015, número que era de 12,1 milhões em 2008, de acordo com a Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos.

Inicialmente, alguns médicos questionaram a necessidade de uma consulta virtual, dizendo que a consulta presencial era sua força e a melhor maneira de conseguir que o paciente aceitasse o procedimento. "A princípio, fiquei em dúvida", admitiu o Dr. Neil Zemmel, cirurgião plástico na área de Richmond, Virgínia, que foi um dos primeiros médicos a se inscrever no Zwivel, em 2015 - mas uma vez lá, acabou gostando.

Mais de 80% de seus pacientes que vêm através do Zwivel para uma consulta formal acabam passando pelo procedimento cosmético, comparado com 40 a 50% entre os outros pacientes. "Acabou se tornando uma ferramenta inestimável", disse ele.

Mesmo assim, nem todo mundo da área está convencido de que a consulta virtual é particularmente útil ou eficiente. "É difícil estipular um preço porque as fotos não são necessariamente indicativas de tudo. Um cirurgião precisa sentir sua pele e avaliar sua tonalidade e é difícil fazer isso com fotos e vídeos", disse David H. Song, presidente da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos.

Breslow, no entanto, descarta essa preocupação. "É claro você precisa ver o paciente", disse ele. "O Zwivel é como o Match.com. O encontro ainda é importante; você só quer ter uma ideia se ele vai valer a pena."

Amber, de Fort Worth, ficou tão impressionado com sua experiência com o Zwivel que já está considerando um outro procedimento com Rohrich, dessa vez, a rinoplastia. Ela chegou até a apresentar o site para sua mãe, Angel. "Conforme as pessoas vão descobrindo que podem fazer consultas online para descobrir os preços e a experiência dos médicos, acho que o Zwivel vai dominar a cirurgia cosmética e o modo no qual você chega até ela", disse.