Atividades físicas na terceira idade garantem de 10 a 15 anos a mais de vida

- O Estado de S.Paulo

Geriatra explica a relação dos exercícios e do bom envelhecimento

As atividades variam de acordo com o paciente, porque o envelhecimento é heterogêneo, ou seja, vai ser um processo diferente para cada pessoa

As atividades variam de acordo com o paciente, porque o envelhecimento é heterogêneo, ou seja, vai ser um processo diferente para cada pessoa Foto: Government of Alberta/ Creaqtive Commons

As atividades físicas são essenciais para a longevidade e, além de garantirem um maior tempo de vida, também contribuem para que o processo de envelhecimento aconteça de maneira mais saudável.  De acordo com a entrevista da geriatra Maisa Kairalla, ao programa Rota Saudável, da Rádio Estadão, um idoso saudável e ativo chega a ter 10 a 15 anos de vida a mais do que um sedentário. “As atividades garantem uma longevidade saudável, melhorando a qualidade cardiovascular, pulmonar, muscular, mental e traduz uma melhora grande da qualidade de envelhecimento”, diz.

De acordo com a especialista, o exercício deve ser orientado, com auxílio de um médico ou de um fisioterapeuta. Aqueles que nunca praticaram atividades, mas começaram com uma idade mais avançada, devem entender que existem limitações causadas pelo próprio organismo. “As limitações são articulares, de força muscular e de frequência cardíaca”, explica. 

As atividades variam de acordo com o paciente, porque o envelhecimento é heterogêneo, ou seja, vai ser um processo diferente para cada pessoa. No entanto, são indicados exercícios como alongamento, aeróbio e os que trabalham a musculatura. “Nós recomendados o equilíbrio destas três frentes de atividades físicas, desde que sejam programados e repetidas”, expõe. A hidroginástica, por exemplo, é bem indicada, porque além de suprir a parte da saúde, também cria um vínculo social, bem necessário nesta faixa etária.

O cardiologista Carlos Alberto Pastore reafirma a importância destas atividades para a longevidade, citando uma pesquisa em que aproximadamente mil corredores saudáveis e quatro mil pessoas saudáveis, mas que não corriam, foram avaliados por 14 anos. O estudo concluiu que os praticantes de exercícios corriam menos risco de morte. Aqueles que praticavam atividades leves ou moderadas, tinham 30% a menos de perigo. “Eles realmente ganharam mais tempo de vida com os exercícios”, afirma. 

No entanto, aqueles que exageravam nas atividades corriam ainda mais risco. Pastore frisa que as atividades são, de fato, essenciais. Mas é necessário dosar a quantidade. Uma pessoa que pratique muito exercício pode sofrer tantos danos quanto uma sedentária. “Dosar é muito importante, porque esses exercícios muito atenuantes podem não te trazer benefícios e sim, problemas”, esclarece.

 

Para a manutenção da saúde, é recomendado que se pratique exercícios de quatro a cinco por semana, ao redor de uma hora.  O cardiologista lembra que praticar as atividades em um dia, mas com um tempo de duração longo, também não é recomendado. “É melhor fazer poucos exercícios regularmente, do que tudo em um dia só”, finaliza.