Arrependimento estético é comum e reversão pode ser complicada

Thaíse Ramos - Especial para o Estadão

Deborah Secco já desfez preenchimento nas olheiras e na região do maxilar; Especialista explica que decisão pode não ter resultado satisfatório imediato

Atriz Deborah Secco confessou que já se arrependeu de procedimentos estéticos.

Atriz Deborah Secco confessou que já se arrependeu de procedimentos estéticos. Foto: Instagram/@dedesecco

Aos 42 anos, a atriz Deborah Secco confessou que já se arrependeu de procedimentos estéticos. Ela fez um preenchimento nas olheiras e na região do maxilar que não a agradou e que também chamou a atenção do marido, o modelo e surfista Hugo Moura. A confissão aconteceu em recente entrevista ao jornal O Globo.

"Realizei um procedimento há uns anos que deu muito errado. Sofri muito. Fiz preenchimento de olheira e maxilar. Ficou um horror, desfiz no mesmo dia. Quando cheguei em casa, o Hugo falou: 'Isso é muito preocupante. Você não gosta de quem você é'. Desde então, parei de fazer tudo. Porque fiquei 'um alien'", lembrou.

Como Deborah, muitas mulheres - boa parte incetivadas por publicidade que tomam conta das redes sociais ou por influência de outras pessoas - acabam se arrependendo de procedimentos estéticos e procuram revertê-los. Contudo, muitas delas não sabem que "voltar atrás" pode não ser fácil e há casos que não têm como revertê-los cem por cento.

Segundo o biomédico mineiro Thiago Martins, mestre em medicina estética, a região da pálpebra, por exemplo, é muito sensível e uma aplicação com ácido hialurônico na região das olheiras - apesar de todos os cuidados e produtos adequados - pode acontecer de, ao ser injetado, saltar e ficar com a aparência inchada, como se formasse bolsas abaixo dos olhos.

Ele explica que, para preencher as olheiras, o produto ideal utilizado é o ácido hialurônico, como já citado, e que para tal, o profissional precisa antes fazer assepsia e aplicar anestesia local. Em seguida, com uma agulha muito fina, injeta o produto na região da pálpebra inferior. Depois é feita uma massagem com o intuito de espalhar e acomodar a substância.

 

 

Alerta do especialista

E sobre os casos de arrependimento após se submeter à técnica, Thiago faz um alerta: "Pacientes que realizam o preenchimento de olheiras e que acabam sofrendo com alguma intercorrência acabam querendo fazer a retirada do produto com uma enzima conhecida como hialuronidase, responsável por fazer uma quebra do ácido hialurônico, revertendo seus efeitos. Mesmo assim, pode acontecer de não conseguir retirá-lo por inteiro".

A retirada do preenchimento não é algo comum, afirma o especialista. "E ele acontece também em casos como o de preenchimento de mandíbulas ou de lábios, quando o paciente acredita ter ficado além do esperado. Porém, normalmente, profissionais qualificados não fazem uso de uma quantidade excessiva do produto exatamente para evitar esse tipo de situação", destacou.

 

Uma pesquisa realizada pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps) e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, em 2021, divulgou que só no Brasil foram mais de 1,4 milhão de procedimentos.

Uma pesquisa realizada pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps) e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, em 2021, divulgou que só no Brasil foram mais de 1,4 milhão de procedimentos. Foto: Freepik

 

Expectativa excessiva pode ser a vilã

Pacientes que desejam retirar o ácido hialurônico normalmente o fazem devido à autoimagem. "As pessoas criam expectativas e uma perspectiva em cima do que será realizado. Quando o resultado fica aquém do esperado, isso pode, sim, gerar uma frustração e impacta diretamente em sua autoestima. Por isso, a importância em buscar um profissional com competência para realizar procedimentos estéticos, exatamente para evitar exageros e, principalmente, frustração em seus pacientes", fala o biomédico.

A aplicação da enzima conhecida como hialuronidase é simples, mas, de acordo com Thiago, pode acontecer de não conseguir fazer a retirada de todo ácido hialurônico, como já destacado por ele. Não existe perigo, mas a situação pode se agravar caso o paciente tenha feito uso de outras substâncias com o intuito de volumizar alguma região da face como, por exemplo, o polimerilmetacrilato (PMMA).

"Esse, sim, tem mais possibilidades de complicação por sua retirada poder ser feita apenas com procedimento cirúrgico.  Outros riscos surgem quando não é feita a assepsia da maneira correta, gerando infecções", destaca o especialista.

 

 

Recuperação de 3 a 6 meses

A recuperação para a retirada do ácido hialurônico, caso o paciente não tenha tido nenhum problema ou intercorrência, é tranquilo, afirma Thiago. Ao contrário, não. "No caso de quem sofreu algo muito sério, como uma necrose, por exemplo, a recuperação pode variar entre 3 e 6 meses, incluindo inúmeras medicações para diminuir o processo inflamatório", ressalta.

O Botox, um dos procedimentos estéticos mais populares nos últimos tempos, não pode ser utilizado para preencher olheiras.

"Ele deve ser usado no terço superior da face. Já o caso do ácido hialurônico na região, é fundamental procurar um profissional habilitado, de confiança e que tenha boas referências. É ele quem vai indicar os melhores tratamentos de forma muito individualizada. Mesmo assim, pode acontecer o estufamento ou a formação de bolsas na região. Um bom profissional é aquele que, caso ocorra esse tipo de situação, consiga fazer a retirada do produto da melhor forma possível", finaliza o biomédico.