Após quedas sucessivas, Brasil ocupa a 32ª posição entre 153 países em ranking de felicidade da ONU

Redação - O Estado de S.Paulo

Corrupção, violência e desigualdade social acentuada nos últimos quatro anos fez brasileiro se sentir cada vez menos feliz; coronavírus pode alterar resultados em 2021

Vista do bairro de Paraisópolis; desigualdade social brasileira impacta negativamente o ranking

Vista do bairro de Paraisópolis; desigualdade social brasileira impacta negativamente o ranking Foto: Tiago Queiroz/Estadão

A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou na sexta-feira, 20, o Relatório Mundial de Felicidade 2020, feito anualmente para analisar a percepção desse sentimento em 153 países. O Brasil ocupa a 32ª posição, assim como em 2019, após sucessivas quedas.

Na primeira edição do ranking, lançada em 2012, o País ocupava o 25º lugar. Nos anos seguintes, foi melhorando até alcançar o 17º posto, em 2016. De lá para cá, no entanto, a felicidade do brasileiro caiu gradativamente.

Segundo os autores do estudo, os motivos para isso foram os problemas sociais e políticos, sobretudo a falta de generosidade e a corrupção, que impactou "negativamente na sensação de bem-estar e de satisfação com a vida" da população. 

"As justificativas são variadas e ligadas à corrupção, em um cenário cujas instituições políticas são constantemente enfraquecidas por escândalos; à desigualdade social e à violência", analisam. 

O país na primeira posição pelo terceiro ano consecutivo, ou seja, "o mais feliz do mundo", é a Finlândia. Em último lugar, aparece pela primeira vez o Afeganistão.  Já a nação da América Latina que ocupa o melhor nível no ranking é a Costa Rica, em 15º lugar - quatro posições atrás do Canadá, o mais feliz do continente americano.

Como de costume, países com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) figuraram entre as primeiras posições. Mas o que chamou a atenção neste padrão foi que todos os países nórdicos (Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia) estiveram entre os dez primeiros do ranking pela segunda edição consecutiva. Os pesquisadores avaliam que a elevada confiança interpessoal e nas instituições dessas nações justifica esse cenário.

 

Mas tudo pode mudar

A psicóloga Flora Victoria, mestre em Psicologia Positiva Aplicada pela Universidade da Pensilvânia, avalia que a pandemia do novo coronavírus irá influenciar nos resultados sobre o índice de felicidade dos países no próximo ano, e cabe ao Brasil tirar de tudo isso uma lição.

"Tendo em vista essa temática da ONU sobre a reflexão para a felicidade, fica para nós brasileiros a reflexão de que ainda precisamos desenvolver nossas condições e ambientes para elevarmos nosso nível de felicidade,” afirma.

 

Metodologia

A ONU criou o relatório em parceria com a empresa americana de pesquisa de opinião Gallup. Neste ano, o tema foi "Ambientes para a Felicidade”, considerando a importância meio social, urbano e da natureza como fatores que levam a melhores condições de vida. Quem mora numa favela com esgoto a céu aberto e pouco acesso a educação, saúde e lazer, por exemplo, tende a ter percepções diferentes de quem detém privilégios sociais.

Com base nisso, a pesquisa adotou seis critérios:

- PIB per capita, em termos de paridade de poder de compra.

- Expectativa de vida saudável.

- Apoio social, medido com base na pergunta: “Se você estiver em dificuldades, você tem parentes ou amigos com os quais pode contar, quer você precise deles ou não?”

- Liberdade para fazer escolhas de vida.

- Generosidade, medida com base na pergunta: “Você doou dinheiro a alguma instituição de caridade no mês passado?”

- Percepção da corrupção.