Aplicativos prometem aumentar a qualidade do sono

Júlia Côrrea - O Estado de S.Paulo

Do monitoramento das fases do sono à oferta de melodias relaxantes, ferramentas oferecem alternativas para quem busca dormir melhor

Foto: Megan Schimann/ Creative Commons

Os especialistas da área do sono costumam alertar para os problemas trazidos pelo uso de aparelhos eletrônicos antes de dormir. Uma pesquisa coordenada por um professor de medicina da Universidade de Harvard apontou que a luz artificial das telas pode bloquear a produção de melatonina, o hormônio responsável por nos fazer adormecer. Alguns aplicativos, entretanto, podem tornar os smartphones aliados na busca por um sono de qualidade.

É o caso do Sleep Better, disponível gratuitamente para iOS e Android, que realiza um monitoramento dos hábitos noturnos e configura um despertador personalizado. Antes de dormir, o usuário deve responder algumas questões: se realizou atividades físicas ao longo do dia, se comeu tarde ou ingeriu bebidas com cafeína ou álcool. A partir disso, a ferramenta armazena as informações e acompanha os movimentos da pessoa durante a noite para então acordá-la no momento em que estiver em um período de sono leve - a fase ideal para que levante da cama com mais disposição -, dentro de um prazo estipulado. Quando acorda, o usuário pode verificar as variações do sono registradas na tela e fazer anotações sobre sonhos e pesadelos.  

 

Há ainda aplicativos que funcionam integrados, via tecnologia bluetooth, a acessórios como as smartbands. Além do monitoramento de distâncias percorridas e calorias gastas durante o dia, por meio das pulseiras inteligentes, apps como o All 4 One mostram o total de horas dormidas, o tempo em que o usuário esteve em sono profundo e em sono leve e quantas vezes ele acordou na madrugada. O neurologista Luciano Ribeiro, diretor da Associação Brasileira do Sono, considera as ferramentas que funcionam ligadas a estes acessórios mais confiáveis do que as que dependem apenas do smartphone. Isso porque, sem notar, a pessoa ou o companheiro que dorme ao lado pode acabar tirando o celular da posição adequada.

 

Segundo o especialista, tais aplicativos funcionam de modo semelhante ao actígrafo, um aparelho utilizado tradicionalmente pelos médicos para monitorar por um período determinado pacientes com dificuldades para dormir. Ribeiro não vê problemas nos aplicativos, mas questiona seu uso por longos períodos, o que pode levar a uma preocupação desnecessária. Para o médico, existem outros parâmetros para medir a qualidade do sono. "Uma pessoa com apneia pode dormir as sete ou oito horas normalmente recomendadas, mas quem garante que ela teve um sono de qualidade?", exemplifica.

Sem tantos recursos, existem também aplicativos que pretendem ajudar aqueles que, seja por ansiedade ou por alguma preocupação, demoram a pegar no sono. São diversas as opções de ferramentas que oferecem melodias relaxantes. O usuário pode escolher ouvir, por exemplo, o som do cair da chuva ou então do balançar das folhas nas árvores. Pessoas com casos de insônia frequente, contudo, não devem deixar de procurar a devida orientação médica.

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