Almoço: você está fazendo isso direito?

- O Estado de S.Paulo

"As pessoas se preocupam muito com a quantidade de calorias que vão ingerir, mas não se atentam aos grupos alimentares que compõem e trazem nutrição ao prato"

Foto: Charlie Riedel/AP

Na hora de fazer um prato saudável e equilibrado, o brasileiro enfrenta muitas dúvidas. Uma pesquisa realizada pela Alelo (empresa do setor de benefícios) em parceria com o Ibope tentou identificar os hábitos alimentares dos trabalhadores e constatou que, embora a maioria (56%) dos entrevistados considere sua alimentação saudável, 42% afirmam não se sentirem bem dispostos após o almoço.

"As pessoas se preocupam muito com a quantidade de calorias que vão ingerir, mas não se atentam aos grupos alimentares que compõem e trazem nutrição ao prato: carboidratos, gorduras e proteínas", explica a nutricionista Rosana Peri.

Mesmo assim, há preocupação em fazer uma refeição correta. As mulheres são, neste quesito, mais empenhadas que os homens. No total, 70% das pessoas que responderam à pesquisa, afirmaram buscar fazer um prato equilibrado com legumes, verduras , proteínas e carboidratos. Entre as mulheres, o índice é de 75%, ante 68% dos homens.

“Hoje o fato de comer fora de casa não é mais desculpa para descuidar da saúde e não seguir uma boa alimentação, já que os restaurantes, e até mesmo lanchonetes, estão lotados de opções saudáveis”, declara a nutricionista. “Um prato simples e clássico evita erros e deslizes, além de ser saudável. Rosana recomenda que apostar na combinação salada, arroz, feijão, proteína (carne, frango ou peixe) e verduras e legumes é sempre a melhor opção. "Para sobremesa, frutas, gelatina são boas pedidas”, completa.

Mas, na prática, não é bem assim. "É comum haver maior resistência às verduras e legumes, que são ricos em fibras. Também vemos que o brasileiro exagera no consumo de gorduras e na quantidade de proteínas, que são de digestão mais difícil. Por isso, o surgimento da indisposição após o almoço", explica.

As constatações da nutricionista são atestadas pelo estudo. Os carboidratos compõem o prato de 48% dos pesquisados. Embora 53% dos brasileiros prefiram montar o prato com opções leves e de baixa caloria, só 23% preferem alimentos naturais e saudáveis. Há que levar em consideração, ainda, que uma parcela significativa dos trabalhadores (57%) passa a maior parte de dia sentada. "A digestão já é prejudicada por uma ingestão errada de grupos alimentares. Se aliar isso ao fato de a pessoa trabalhar sentada, temos uma fórmula muito eficiente para o armazenamento de calorias no corpo", diz Rosana.

O resultado dessa combinação é sentido na prática. Os dados revelam que 40% dos trabalhadores não se sentem bem dispostos após o almoço, e que 2% deles se sentem mal dispostos depois da refeição. Já entre os 58% que afirmaram sentirem-se bem ou muito bem dispostos para trabalhar depois de comer, a maioria (81%) são praticantes de atividades físicas.

Atividade física. Verificamos que as empresas não têm incentivado a prática de atividades físicas (61% delas), embora 72% dos entrevistados afirmarem que mudariam seus hábitos para terem uma vida mais saudável ou mais qualidade de vida. "É preciso criar uma parceria entre a empresa que oferece e estimula e os colaboradores determinados a fazer essa mudança", diz Rosana.

A ideia, de acordo com a nutricionista, é fomentar os hábitos saudáveis no trabalho. "Verifique a possibilidade de trocar as máquinas de alimentos e bebidas, por exemplo, com outras de opções saudáveis. Sai o refrigerante e entra o suco, sai o salgadinho industrializado e entra o sanduíche natural", justifica.

A nutricionista dá algumas dicas que podem ser incorporadas no dia-a-dia laboral e que vão contribuir para uma digestão mais fácil. "Use a escada ao invés do elevador. Opte por tomar água em copos e não em garrafas - isso fará com que você se levante mais vezes e caminhe mais", completa.