Álcool gel e sabão podem ressecar a pele; saiba como manter a hidratação

João Pedro Malar* - O Estado de S.Paulo

Especialistas destacam que uma pele ressecada facilita a entrada de microrganismos e destacam importância de realizar hidratação

O álcool gel é capaz de retirar substâncias que formam a chamada barreira cutânea, que protege a pele

O álcool gel é capaz de retirar substâncias que formam a chamada barreira cutânea, que protege a pele Foto: Freepik / tirachardz

A higienização das mãos, com o uso do álcool gel e de água e sabão, é uma das melhores formas de evitar o contágio pelo novo coronavírus. Aumentar a quantidade de vezes que lavamos as mãos e manter um frasco de álcool gel na bolsa ou mochila viraram uma necessidade, mas o sabão e o álcool podem acabar ressecando a pele, e facilitando a entrada de microrganismos, incluindo o próprio causador da covid-19. 

Isso não significa que as pessoas devam parar de usar o álcool gel ou o sabão, mas o uso dessas substâncias gera outra necessidade: a manutenção da hidratação da pele. O processo pode ser feito dentro de casa, e é essencial para preservar a chamada barreira cutânea, que retém a água na pele.

Joyce Rodrigues, farmacêutica bioquímica e fundadora do Instituto Joyce Rodrigues, explica que essa barreira fica na superfície da pele, e impede a entrada de microrganismos, protegendo o corpo de invasores. “A pele possui camadas, e uma delas é rica em substâncias que mantém a pele hidratada. O álcool gel compromete essa função de hidratação pois retira essa barreira”, comenta a bioquímica, observando que o produto pode eliminar as substâncias responsáveis por unir as células que compõem a barreira, gerando furos nela.

“A pele perde a barreira cutânea por uso de desinfetante ou higienizador não adequado, como um sabonete com ph diferente do ph da pele, em torno de 5.5, ou produtos que contenham surfactantes agressivos, que retiram o óleo que fica entre as células da superfície da pele”, explica Fernanda Chauvin, especialista em dermatocosmética pela Universiteit Brussel e fundadora do Instituto Chauvin de Cosmiatria Aplicada, sobre os efeitos de sabonetes e outros higienizadores.

Atos diários como lavar as mãos com sabão podem gerar um ressacamento na pele, afetando a barreira cutânea

Atos diários como lavar as mãos com sabão podem gerar um ressacamento na pele, afetando a barreira cutânea Foto: Freepik

Assim, o primeiro passo para preservar a barreira cutânea é escolher um higienizador adequado: ele deve ter ph em torno de 5.5, produzir menos espuma, que é formada por surfactantes, e dar preferência a óleos higienizadores, uma tendência no mercado que surgiu na Coreia do Sul.

O ph do sabonete é geralmente indicado na própria embalagem do produto, seja com o valor ou com algumas nomenclaturas. Um sabonente neutro possui ph de 5.5 ou próximo desse valor, enquanto que um sabonete alcalino possui um ph supeior a 7. Caso essa informação não seja fornecida, há outro jeito de tentar analisar se um sabonete pode ou não ressecar a pele.

“Um bom jeito de testar se um higienizador causa ressecamento é aplicar na face e movimentar a região. Se ao fazer isso você notar que a área está seca, é porque o higienizador retirou o óleo interno da pele e, assim, causou o ressecamento”, comenta Fernanda Chauvin.

Além dos danos que podem ser causados pelo álcool gel ou por sabonetes, os produtos de limpeza também podem danificar a barreira cutânea, o que também exige um cuidado com a hidratação da pele. E os danos não ficam restritos à mãos: andar de chinelo ou descalço em casa acaba ressecando os pés e gerando rachaduras, o que favorece a contaminação, e portanto também demanda uma hidratação na área.

Como fazer a hidratação da pele?

Joyce explica que o processo de hidratação em si é simples: “Após tomar banho, é importante já passar hidratante. Ele deve ter ativos, como os que contém ceramidas, bioecolia e glicerina”.

Também é recomendado que a pessoa passe hidratante durante a noite e ao acordar. É possível também fazer hidratações mais intensas, caso haja tempo, aplicando uma grande quantidade de hidrante em uma luva ou saco e colocar na pele durante 30 minutos, o que aumenta a absorção do produto. 

O uso de hidratantes é a melhor forma de evitar o ressecamento da pele

O uso de hidratantes é a melhor forma de evitar o ressecamento da pele Foto: Freepik / jcomp

“Pessoas com dermatite ou diabetes não podem ter agressão na pele, portanto o cuidado deve ser redobrado”, destaca Joyce. Ela também ressalta que a hidratação, como o nome diz, envolve colocar água no corpo, portanto é importante que as pessoas também bebam água constantemente.

A bioquímica também recomenda produtos que contenham óleo de coco, de girassol e de rosa mosqueta, que costumam ter boas propriedades de hidratação. Já Fernanda Chauvin destaca que é possível ajudar a pele com a forma em que passamos um higienizador ou hidratante.

“É importante fazer uma massagem ascendente [de baixo para cima] no rosto, pés e mãos, e descendente no pescoço. Depois faça movimentos circulares no sentido anti horário”, explica a bioquímica.

Cuidados com a pele durante a quarentena

Além da hidratação, a pele requer outros cuidados, em especial para a sua limpeza. Nesse sentido, é possível fazer alguns procedimentos em casa que ajudam a manter a boa saúde do órgão. A primeira dica que Fernanda Chauvin dá é não usar buchas ásperas ou de vegetais mais que duas vezes por semana, e o mesmo vale para esfoliantes.

A cúrcuma é um alimento rico em antioxidantes, que ajudam a retardar o envelhecimento da pele

A cúrcuma é um alimento rico em antioxidantes, que ajudam a retardar o envelhecimento da pele Foto: Freepik / rawpixel.com

A exposição à luz de equipamentos eletrônicos também faz mal para a pele, e em excesso podem gerar manchas e danificar células, aumentando o envelhecimento precoce. Para combater esses efeitos é recomendado que sejam usados antioxidantes, encontrados em frutas vermelhas, suco de laranja, cúrcuma, oleaginosas como noz e castanha e alimentos ricos em Ômega 3.

*Estagiário sob supervisão de Charlise Morais