O yoga é uma das terapias da medicina Ayurvédica. Os estudiosos das escrituras sagradas costumam dizer que essa prática, assim como os conceitos mais amplos da medicina Ayurvédica, ressurgem no planeta quando estamos em grande colapso. Apresentam-se como uma possibilidade de nos reconectarmos com a nossa harmonia. Afinal, sem estarmos harmônicos é impossível que tratemos bem o nosso corpo, a nossa mente, as nossas relações e, consequentemente, o nosso meio ambiente, ou seja, o planeta. Em desarmonia, criamos um desequilíbrio no todo e excessos de todos os tipos.

O yoga é a proposta de voltarmos nosso foco para o que é simples, a começar pelo nosso próprio corpo. A prática nos ajuda a rever como estamos tratando esta máquina que nos é tão útil. Estamos nos nutrindo com alimentos adequados a uma manutenção saudável para nós? Ao entrar em contato com o yoga, começamos a perceber o quanto nos distanciamos da simplicidade. Não associo aqui a simplicidade à falta de cuidado, como geralmente fazemos, vinculando o simples à falta de recursos. Por meio do yoga, percebemos que simples deveria ser saber reconhecer o que realmente nos faz bem. Simples seria entendermos como funcionamos e o que deveríamos fazer ou comer para melhorar nosso estado.

Acredito que o yoga é uma das ferramentas mais simples que temos à nossa disposição hoje em dia. Além de sua eficácia, não nos obriga a fazer nenhuma mudança externa muito grande e ainda nos oferece inúmeros recursos que nos ajudam a identificar os pontos em que podemos ser melhores conosco. Dentro dos variados tipos de yogas existentes, certamente encontraremos uma com a qual mais no identificamos para nos ajudar nesse caminho.

Aprofundando um pouco no estudo dessa prática, nos deparamos com a visão hinduísta, que se divide em duas vertentes: a dos PERSONALISTAS (Vedanta) e a dos IMPERSONALISTAS (Sânquia).

Os personalistas acreditam em Deus como uma personalidade e, consequentemente, veem tudo de maneira individual, como responsabilidade própria.

Já os impersonalistas acreditam em Deus como uma energia que anima tudo. Logo, tudo o que está manifesto é divino.

Vale a pena pesquisar um pouco sobre essas duas formas de encarar o divino. Assim, conseguimos entender melhor a profundidade do yoga, que é muito abrangente e totalmente livre de preconceitos.

Essencialmente, essa prática tem como missão unir as pessoas, os povos e o planeta. Com este propósito é perfeitamente normal – e desejável – aparecerem todas as diferenças entre as diversas maneiras de entender e praticar a própria yoga. Assim, cria-se um palco de diversidades, o que gera um ciclo virtuoso, atraindo mais e mais pessoas com perfis diferentes umas das outras. O yoga é para todos.

É claro que inicialmente essa união entre pessoas com interesses comuns e características diversas tende a gerar conflitos. Mas esse conflito vai lapidando os praticantes. É um convite para que possam compartilhar com mais clareza seus aprendizados não apenas dentro da sala de prática, mas em todas as relações na sociedade em que vivem.

Acredito na importância de desenvolvermos uma maneira pessoal de entender e praticar o yoga e compartilharmos isso com os outros – respeitando sempre a perspectiva e experiências de cada um. Costumo dizer que existe a minha verdade, a sua verdade e a VERDADE.

Quando expomos a nossa verdade, estamos contribuindo com o nosso interlocutor. Possibilitamos que, a partir daquele momento, ele some à sua visão, a visão de outra pessoa. Assim, poderá criar uma visão mais ampla, com mais recursos. Sempre que eu tenho a oportuniade de ouvir, ler ou ver as verdades diversas à minha, me sinto agraciado com a possibilidade de expandir minha maneira de me relacionar com as diferenças ideológicas, éticas, morais e práticas da vida cotidiana.

Yoga, como gosto de dizer, é muito mais do que meditação, respiração ou exercicio fisico. É um exercício de observação e de muita paciência, pois nada frutifica sem muita disciplina.

 

HARI OM